Fotografia da minha autoria

Tema: Um livro de um autor pouco conhecido

A minha visita à Feira do Livro do Porto, no ano transato, encaminhou-me para o stand da Poetria, porque fiquei com vontade de abraçar as obras da Fresca: uma «editora de poesia dedicada a novos autores, potenciando «uma plataforma para um grupo em ascensão». E foi assim que conheci Inês Morão Dias.

OLHAR O MUNDO

Par de Olhos é a estreia da autora. E nos seus versos, que nos abrem uma porta para distintas realidades, somos convidados a caminhar no mesmo compasso que o seu, para observarmos muito daquilo que podem ser os nossos dias. Porque a sua poesia divide-se por medos, por amores, por memórias e por mais uma série de questões do quotidiano, aparentemente tão comuns, mas sempre tão prolíferas nas suas entrelinhas.

«que bom seria descoser o casaco

inteiro

e sacudir

rosas, pérolas, chávenas

comboios

manhãs»

Pedro Mexia destaca a «segurança verbal, estrófica [e] sintáctica», de alguém que sabe o que quer transmitir. Por outro lado, alerta para a dificuldade de respondermos à pergunta «sobre o que é este livro?», talvez por caber nele tantos assuntos, atendendo a que existem vários aspetos e situações que nos inquietam e/ou que nos interessam. Com um traço mais racional, mostra-nos que estamos em permanente processo evolutivo.

«és tu quem chove

és tu todas as coisas»

Par de Olhos apresenta-nos o mundo: o de dentro e o que habita fora do nosso peito.

«apesar dos ecos

e profecias

não és o público

nem o crítico

do que virá»