Alguns poetas contam que há uma bela
mulher que habita o fundo desses rios,
sempre a cantar canções jamais ouvidas
e a envenenar aqueles que são frios.

Muito já se falou da história dela:
que da canção vive a tecer seus fios,
que arrebatou consigo muitas vidas,
e que as jangadas voltaram vazias.

Quem dizer pode que mulher é esta?
Nem mesmo as águas sabem de onde veio,
ou quem compôs sua fúnebre seresta.

Mas em toda mulher há dela um pouco:
somente com o olhar, a voz e o anseio,
capaz é de tornar o homem num louco.




Gabriel Rübinger