Olavo, grande Olavo, semelhante

acho teu fado ao meu, quando versejo.

Igual causa nos fez, do lar no adejo,

achar a solidão, negro gigante.

Como tu, junto aos livros estafantes

de normas pra lembrar, no horror me vejo.

Como tu, a alegria em vão desejo,

os amigos lembrando, e a bela amante.

Ludíbrio, como tu, do curso errado,

Meu fim deve ser Letras, não Direito.

Sei que só terei paz tendo mudado.

Sigo o modelo teu, mas... imperfeito!...

Por que se imito os transes do teu fado,

não te imito na audácia do teu feito.

Filipe Cavalcante

08.11.2010