Juntando as palavras – A maldição da sacolinha de plástica

A maldição da sacolinha plástica

Em época de Rio + 20 as discussões sobre o futuro do planeta ganharam mais espaço na mídia, é claro. A programação das diversas emissoras trouxe entrevistas com ambientalistas, simpatizantes e seus opositores. Enquanto governantes debatem o deve ser feito e quem vai pagar a conta, enquanto alguns alertam o aquecimento global e outros afirmam que isso não existe, me pergunto o que eu, em minha pacata vida posso fazer pela sustentabilidade.

Acredito que a utilização responsável dos recursos naturais é um assunto muito sério. O cuidado com o cultivo da agricultura, o desperdício de alimentos, a qualidade da água e do ar, o destino dos resíduos, a produção do lixo. Muitas dessas coisas acabam sendo realmente responsabilidades do governo, seja como fornecedor de infraestrutura ou como legislador, mas que atitudes individuais poderiam fazer a diferença?

Separo o lixo orgânico do reciclável, embora a coleta seletiva no meu bairro seja menos eficaz que a passagem dos papeleiros e carroceiros que sempre chegam antes do caminhão, mas meu objetivo aqui não é falar da responsabilidade do governo, e sim da minha atitude.

O que não consigo é me livrar da maldita sacolinha plástica! Tenho uma sacola de tecido, a ecológica, deve fazer uns três anos e não consigo me acostumar a usá-la. Já mudei de lugar, deixo agora pendurada na cozinha junto com utensílios, não adiantou nada. Continuo a ir ao supermercado sem carregar a sacola de tecido. Resultado: volto cheia de sacolinhas plásticas pra casa, que depois de vazias não acho serventia. Já me livrei do puxa saco, aquele bonequinho de pano que fica na cozinha guardando as malditas, achei que sem ter onde guardar eu ia me obrigar a usar a “ecológica”, – que nada.

Estudei numa faculdade que tinha entre suas linhas de estudo a inclusão, a responsabilidade social e a sustentabilidade, se minha professora de gestão ambiental ler esta crônica vai se envergonhar da aluna. Como cobrar ações de governantes se na minha própria casa não consigo mudar minha atitude?

Mas, enfim que conferências ambientais, tratados, leis prossigam e que a consciência ambiental seja disseminada para que as próximas gerações tenham hábitos diferentes dos nossos, pelo menos do meu mau hábito do uso sacolinha plástica.

Letícia Portella

07 de julho de 2012.