Mil sonhos eu bordei nos meus lençóis de seda,
Alabastrina seda, com seus mil primores,
Bordei co’s fios doirados cândidos amores,
Nas noites de ilusão, nas minhas horas ledas.

Mil arabescos fiz co’s fios dos meus desejos,
Co’as rendas da paixão, de minhas mil quimeras,
No auge do viver, de minhas primaveras,
Que hoje canto assim, quais velhos realejos.

Ah! Priscos tempos! Prenhes de prazer! Ventura!
De tantos sonhos meus, replenos de candura...
Álacres tempos que não voltarão jamais!

A vida esgarçou os meus lençóis bordados,
Os sonhos que sonhei nos tempos meus doirados,
Deixando dentro em mim tristuras outonais.