É isto: passar quinze dias a estudar Economia. Deixar de ler, de sair e até de dormir para estudar. Fazer 2189 gráficos e 3589 exercícios de cálculo, gastar tantas folhas que dariam para plantar outro pinhal de Leiria. Fazer. Corrigir. Fazer de novo. Fazer corrigir fazer de novo. Fazercorrigirfazerdenovo. Sufocar até á hora do teste. Chegar á faculdade e descobrir que o teste vai começar vinte minutos depois da hora. Sufocar mais um bocadinho. Entrar, sentar e esperar que o professor venha com os testes da reprografia. Questionarmo-nos mentalmente se a reprografia se deslocou para madrid ou se é dos nervos que o tempo não passa. Começar a escrever com grandes certezas...Esta porra até parece fácil. Para chegar á parte dos cálculos e morrer. Não por fora, por dentro como naquela música do Abrunhosa. Mas primeiro a anestesia. Aqueles segundos de esperança em que ainda achamos que vamos conseguir resolver aquilo. E morremos mais um bocadinho ao constatar que nunca fizemos aqueles exercícios em casa. Nunca daquela maneira. Tentar desesperadamente resolver os exercícios pela maneira que estudamos, sem sucesso. Amaldiçoar o facto de o vosso cérebro ser 99% raciocínio abstracto e 1% raciocínio lógico. Constatar que até este 1% vôs abandonou. Entrar em pânico na meia hora final. Entregar e sair da sala com a nítida percepção que todo o esforço o vosso esforço foi inútil. Todas as horas em que não saíram, não leram, não dormiram para estudar foram pelo esgoto. Chegar a casa e dormir para não pensarmos mais no facto de sermos o maior falhanço da galáxia. Pensar que existem coisas piores no mundo. De facto há uma pequena probabilidade de eu estar a exagerar...Tenho de aproveitar enquanto ainda não se paga imposto por isso.
Uma pequena porção de Inferno...
vida acadêmica, estudantes, exames, frustração, desabafo
Texto originalmente publicado em Desabafos Agridoces