Por José Leonardo Ribeiro Nascimento
Para as duas mães da minha vida – Andréa e mainha
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Não sei dizer se o primeiro alento veio na canção tão próxima,
da qual bebeste sem cessar ainda em tempos do mínimo Éden
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Ou no regaço de tantos, nas adulações estrangeiras
quando só podias contemplar os felizes rictos, intraduzíveis
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Veio a bonequinha meiga de pano ou louça ou pensamento
amadornada com cantigas de ninar, a gozar os afagos pueris
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Talvez um irmãozinho choroso a morder-lhe os dedos
a pedir papinha, a soluçar sonolento
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E o broto, recôndito seguro, não perdeu o viço, não foi ameaçado
nem com o batom, nem com o primeiro beijo
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Chegando a exaltação, o medo, e da coragem a dor, o êxtase,
foram novas dimensões e em plenitude se preparou pra ser
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Transtornos poucos, muitos, renúncias e adesões indesejadas
nada obliterava a mágica de ser terra boa
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E agora era ela o pequeno Éden e dela o regaço,
seus os peitos puxados e mordidos e sugados
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Sua a paciência do embalar morno, do cantar suave,
da lágrima solitária, dos incontáveis heroísmos anônimos
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E a cada acerto ou erro, o exercício de um atributo irrevogável,
missão intransferível, anti-romântica, a que nenhum verso pode fazer jus
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Sendo esta mais uma tentativa vã, teço elogio a Deus,
cujo sopro trouxe-lhe a misteriosíssima carga
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A permitir que os maiores e os menores sacrifícios
sejam sopesados sob a mesma medida, um milhão de vezes injusta e justa
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E que não se abre a escrutínio nem obedece a regra, ditame, propósito ou axioma
que não esteja infinitamente contido numa substância:
Amor de mãe