Divagações: Dazed and Confused
O filme todo se passa no último dia de aula de 1976. O dia está quente, os professores não estão muito preocupados com as aulas e o técnico do time de futebol gostaria de poder manter seus atletas ‘na linha’ durante as férias. Os veteranos do Ensino Médio saem de suas classes diretamente para a escola do Ensino Fundamental, dispostos a já começar o trote com seus futuros calouros. E vai acontecer uma festa mais tarde.
Sem se preocupar com uma trama elaborada, Dazed and Confused quer apenas retratar uma época. Há muitas gírias e bobagens sendo ditas, uma boa dose de consumo de drogas e bastante cerveja. Não há muito espaço para os adultos e nem para pensar no futuro, mesmo ele sendo uma ameaça constante.
Também há muita, mas muita música – tanto que mais de 15% do orçamento da produção foi destinado para os direitos autorais. Os acontecimentos parecem sintonizados em uma rádio e as canções de sucesso se seguem indefinidamente ao longo de todo o filme, com a vantagem de terem uma ordem que condiz com as necessidades narrativas.
Mesmo situado na década de 1970, o filme consegue aquela aura de retratar não apenas a juventude de uma época, mas o próprio sentimento da adolescência. Cada um dos personagens traz uma parcela dos estereótipos dessa fase da vida, mas nenhum é simplesmente uma coisa.
E esses são apenas alguns exemplos. Como Dazed and Confused não é exatamente direcionado por seus personagens, a produção também não exige muito aprofundamento. É como se, ao invés de ser baseado em um livro (o que realmente não é), o filme fosse baseado em um quadro.
Acompanhamos personagens que vivem preocupada e despreocupadamente. Alguns só querem saber de beber, jogar e fazer sexo. Outros estão confusos demais para fazer qualquer outra coisa que não seja seguir em frente. Entre as melhores falas do filme, eu destacaria essa: “If I ever say these were the best years of my life, remind me to kill myself”. É a própria nostalgia lembrando que nem tudo eram flores.
Dazed and Confused é Richard Linklater mostrando desde cedo a que tinha vindo. Um cineasta de pequenos e grandes momentos, ele acabou se especializando não em narrar histórias, mas em fazer retratos, seja de uma geração (como é o caso), de um casal ou de uma única pessoa. É um cinema diferente e que talvez não seja agradável para todos, mas que aqui se mostra em toda a sua glória e energia. Crescer é difícil, mas o caminho vale a pena.
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