Posso começar por dizer que esta é uma das escritoras de que eu mais gosto. A forma como escreve prende desde a priemira página e, por muito grande que o livro seja, não me canso, pelo contrário.
Isabel Stilwell tem uma coleção fantástica de romances históricos e este é o de D. Teresa, mãe de Afonso Henriques. Nas aulas de história, aprendemos apenas que houve quezílias entre mãe e filho, mas este livro conta-nos a história de uma mulher de armas, com a qual acabamos por simpatizar e, não apenas, aquela mãe que se opôs ao filho. D. Teresa é filha do casamento entre Ximena Moniz do Bierzo, de quem herdou os olhos verdes e a astúcia, e de Afonso VI de Leão e Castela. Teresa é uma menina feliz que vive com a mãe e com a irmã, na localidade de Bierzo, mas as duas irmãs são levadas pelo pai, Afonso VI, para o reino de Leão onde passariam a ser educadas por um tia, Urraca que, com firmeza, as tenta preparar para o futuro que as espera.
Além da sua irmã, com quem vivia no Bierzo, Teresa tem ainda uma meia-irmã, também ela de nome Urraca. As duas têm uma relação conturbada desde sempre - uma legítima, a outra não - mas ambas se respeitam. Como era comum naquela época, os casamentos arranjados irão ditar que Teresa case ainda muito nova com o Conde D. Henrique de Borgonha, um nobre francês.
"D. Teresa viveu os primeiros anos do seu casamento em Toledo, mudando-se mais tarde para o Condado Portucalense, território que D. Afonso VI havia doado a título hereditário ao casal, que se estabelece em Guimarães."
Aos 25 anos, a jovem fica viúva, mas não deixa que isso a aflija e continua a governar o que lhe pertence com pulso de ferro, lutando para conseguir a "independência e alargamento do território portucalense." Em documentos datados de 1116, o Papa Pascoal II reconhece-a como Rainha.
Mulher inteligente, ambiciosa e de grande tenacidade toma sem dificuldade a regência do Condado aquando da morte de seu marido, adotando, desde 1117 o título Regina (rainha) assumindo uma soberania inesperada, facto que origina uma relação problemática com D. Afonso VII, rei de Leão e Castela. Apaixona-se por D. Fernão Peres de Trava, um homem casado que abandona a mulher para a ela se juntar, contra a vontade de muitos nobres e do seu próprio filho. "Esta relação dava uma relativa supremacia às políticas de alianças galaico-portucalenses suscitando algum desconforto naqueles que defendiam uma política de efetiva independência face a Leão e Castela."
Confronta a meia-irmã e rival, Rainha Urraca de Castela, o pai, a igreja Católica, os nobres portucalenses e até mesmo o seu próprio filho D. Afonso Henriques, contra quem acaba por lutar na Batalha de São Mamede, pelo governo do Condado Portucalense. Acaba por ter de fugir, derrotada e traída, refugiando-se "na Galiza, onde viria a falecer em 1130 com cerca de 50 anos."
Da infância, mantém a amizade com Alberto. Um escudeiro, que se tornaria monge e escreveria, com verdade, a sua história. Teresa foi desde sempre ostracizada pela nossa história e Isabel Stilwell vem trazer-nos uma nova visão sobre o papel e a luta desta grande mulher, com quem acabei por simpatizar. Neste livro, acabamos por nos embrenhar nas traições e nos acordos que, afinal, foram responsáveis pela Independência do Condado Portucalense e pela constituição de Portugal como país, no século XII. Se concordamos com o que foi feito, não é isso que aqui está em causa...
Fontes:
https://pacodosduques.gov.pt/monumentos/castelo-de-guimaraes/historia/teresa-de-leao/