09
Nov20
Maria do Rosário Pedreira
No século XX, os amigos estrangeiros que viajavam com a TAP Air Portugal eram francamente elogiosos relativamente à companhia de aviação: diziam que se comia melhor do que em qualquer outra companhia aérea, que os produtos servidos eram muito acima da média, que os profissionais (pilotos, hospedeiras, comissários de bordo) eram de grande competência e que a revista Up, com artigos sobre Portugal e a colaboração de escritores e jornalistas, era uma das melhores naquele segmento. Concordo: nas minhas viagens aéreas com a TAP, sobretudo nas mais curtas (pois nas outras aproveito para ler algo mais substancial), li sempre com prazer os textos da Up, dirigida há mais de uma dúzia de anos pela jornalista Paula Ribeiro, e até cheguei a escrever uma pequena crónica sobre as melhores coisas que havia em Portugal, na minha humilde opinião. Li há alguns dias que a pandemia deu também cabo da Up... A revista foi suspensa em Março, naturalmente porque o número de voos não justificava a sua impressão (a publicação chegou a ter mais de um milhão e meio de leitores mensais) e ainda se pensou na sua passagem a digital, mas pelos vistos acabou por ser cancelada, e parece que agora existe um concurso público para a sua substituição. Lamento, porque o que havia era uma boa receita e o que aí vem pode ser um mau cozinhado. E porque era uma revista com qualidade gráfica e bom aspecto que me cheira que vai baixar de nível (Up to Down?) só para custar menos dinheiro. Há uns anos que os meus amigos estrangeiros começaram a ser bastante críticos em relação à TAP (atrasos e cancelamentos de voos, sanduíches de plástico, falta de pessoal ou gente antipática); e agora podem juntar-lhe o desaparecimento da Up. A revista voou.