Fotografia da minha autoria«Guardo os meus momentos felizes»A sensação de conclusão manifesta-se num tom subtil: nos ciclos que se encerram, nos livros que pretendemos terminar antes de acabar o ano, nas resoluções que começam a espreitar e, claro, nas retrospetivas que almejam o seu palco. E, reconheço, fico sempre entusiasmada com esta viagem ao passado, porque permite-me recuperar histórias e memórias felizes - na sua maioria, porque há sempre pólos opostos.Mantive, acredito eu, a sensatez de planear com moderação, visto que a espontaneidade também é fundamental; de traçar objetivos, mas sempre consciente do facto de serem falíveis. Portanto, fui acalentando sonhos sem voar muito longe do chão: por vezes, com medo da queda, por vezes, para garantir que não estava a ser demasiado ambiciosa, ao ponto de não reconhecer a minha jornada e quem é que eu seria nela.A lista de desejos permaneceu como guia, embora não tenha riscado a maioria. E segui adiante. Assumi o compromisso de, finalmente, trabalhar no meu manuscrito em construção e percebi que necessitei de batalhar contra a tão afamada - e real - Síndrome do Impostor. Coloquei mais livros à venda, estive mais vezes em livrarias, voltei a lugares que me definem, duvidei muito das minhas capacidades, respirei fundo e acho que sobrevivi. Chegar aos 30 não me pesou, mas talvez tenha exigido um novo reajuste de prioridades, crenças e motivações. Celebrei muito a conquista das minhas pessoas e redobrei a certeza de estar onde pertenço.Seria estranho não existirem oscilações, por esse motivo, 2022 foi embalado num ritmo de altos e baixos inevitáveis. Como prefiro guardar o melhor, destaco estes 12 momentos como os mais especiais do meu ano.JANEIROUm dos meus projetos mais queridos encheu-me as medidas, em 2021, portanto, fazia todo o sentido transitá-lo para este ano. E de modo a podermos conversar sobre as nossas leituras, criei um grupo no Goodreads.FEVEREIROEste espaço, localizado na Rua Silva Magalhães, no centro histórico de Tomar, nasceu de um sonho antigo e transversal a duas pessoas. E o que o distingue é a união das duas paixões de ambas: livros e comida. A visita a este café-livraria não estava planeada, mas quis o destino que parasse em Tomar, no passado dia 5. Por isso, seria bastante insensato da minha parte não aproveitar para o conhecer. E fiquei fascinada! Embora não tenha conseguido usufruir da parte do café - porque foi uma paragem rápida -, viajei pela lista dos livros disponíveis e, claro, não voltei para casa sozinha: comigo vieram, então, O Chão dos Pardais, de Dulce Maria Cardoso, e Casos do Beco das Sardinheiras, de Mário de Carvalho [e a preços muito mais simpáticos].MARÇO Casamento da Minha PrimaUma cerimónia simples, intimista, focada no mais importante, e que proporcionou um dia bonito, a transbordar de amor. Por questões paralelas, também foi um impulsionador para que se deixassem algumas situações do passado no lugar onde têm de ficar. Que seja, agora, um novo capítulo ainda mais especial na história deles.ABRILAniversárioOs meus 30. Uma nova volta ao sol. E um sentimento de serenidade que acompanha este recente virar de página - que parecia tão distante e tão estranho e que chegou com uma energia que ainda não sei definir. Para além de o celebrar com uma publicação particular, destacando as minhas coisas favoritas [dividas por dez categorias], tirei a manhã do meu aniversário para revisitar a Livraria Lello. Sinto que escolhi o dia mais caótico, passando mais tempo na fila do que no espaço em si, mas não trocava, porque este lugar é um sonho.MAIOPorto CampeãoO campeão voltou. E fez a dobradinha. E como não tenho palavras suficientes para descrever a pele eriçada, as lágrimas de felicidade e a sensação indescritível de observar e sentir os nosso imenso mar azul, transbordei de orgulho. Foi uma época intensa, desafiante, mas com final poético. Podemos recuar e repetir os festejos?JUNHO S. João em FamíliaÉ ótimo ter a casa cheia, sentindo este abraço de amor que só os nossos são capazes de dar. Entre conversas, planos e gargalhadas, atacamos o caldo verde, lançamos balões e eternizamos mais um conjunto de memórias inesquecíveis - algumas que registei no lado esquerdo do peito, outras que tirei com a minha polaroid.JULHOAniversário Curto EspaçoO Cultura Curto Espaço celebrou o seu sexto ano de existência e soube mesmo bem marcar presença na sua festa de aniversário. Depois de dois anos intensos, em que curtamos muitas atividades, é maravilhoso ir recuperando estes traços de normalidade, sobretudo, para elevar projetos que merecem o maior sucesso.AGOSTOOs portões azuis [e as ilustrações na sua tela branca e amarela] escondem um lugar mágico, com pequenos refúgios no interior, que se torna apetecível para várias faixas etárias, atendendo a que apresenta um catálogo bastante diversificado e áreas para miúdos e graúdos. E, como se chegássemos a casa, encontramos uma sala de estar aconchegante e uma divisão para a qual as crianças podem correr e embarcar nas aventuras mais surpreendentes. O mais fascinante é que, embora não seja enorme, parece que a livraria não tem fim.SETEMBROFeira do Livro do PortoFoi a edição que visitei mais vezes: para comprar livros e para desfrutar da programação. Tendo como mote as palavras Imaginar e Agir, foi um evento muito poético, até porque a artista homenageada foi a poetisa Ana Luisa Amaral. No total, foram 17 dias preenchidos, dos quais usufrui seis. E pude comprovar o ambiente descontraído, encantador e com muitas pessoas apaixonadas por livros. Impossível não me sentir em casa.OUTUBROVisitar o Parque e Palácio da PenaSintra, não me canso de o referir, parece um cenário de contos de fadas e eu assumi a missão de conhecer cada um dos seus recantos. Depois de me perder de encantos pelo Palácio de Monserrate e pela Quinta da Regaleira, em 2020, este ano, regressei para descobrir o Parque e Palácio da Pena. Optámos por ir num dos horários da manhã [11h30] e a visita prolongou-se quase até às 15h, porque não desperdiçamos a oportunidade de ver o Chalet e Jardim da Condessa d'Edla. Adorei cada pormenor. Quer a paisagem envolvente, quer os diversos espaços interiores são de uma beleza indescritível. Fiquei sem palavras, por isso, valem-me os registos fotográficos captados para ter a certeza que não passou de um sonho. Regressava já.NOVEMBROAdotar o ChipO Chip foi aparecendo por cá e foi ficando. No entanto, tinha total liberdade para partir quando quisesse e para regressar, se assim lhe fizesse sentido. É uma ternura de gato, mas, tendo em conta que já tínhamos dois ao nosso cuidado, nunca o trouxemos para dentro de casa. Não sei se foi obra do destino, se foi um alinhar de astros ou apenas uma circunstância natural, o certo é que desapareceu durante vários dias [o que, nesta altura, não era normal] e apareceu ferrado na cauda. A precisar de tratamento e de mimo, seria impensável deixá-lo na rua. Por isso, há um novo membro cá em casa - que, no fundo, já era nosso, porque nos acolheu.DEZEMBROConcerto d' Os Quatro e MeiaAs saudades de marcar presença num concerto da banda eram evidentes, mas só percebi a sua total dimensão, quando os comecei a ouvir. Adoro a energia, as vozes, a ligação entre eles e o público e a forma como, não se levando a sério, têm um compromisso autêntico com a arte e com aqueles que os acompanham. Foi a Sofia que me falou do concerto, perguntando-me se queria ir, e claro que não perdi a oportunidade. Afinal, não demoramos um ano até conseguirmos conciliar agendas - um «dois em um» que me encheu as medidas.Que momentos marcaram o vosso ano?