De mármore, por certo, tu és feito,
Impenetrável, como o mar profundo,
Distante desta vida, deste mundo
Ainda que te deites no meu leito.

Eu olho teu semblante e tudo espreito,
Procuro a alma tua lá no fundo
do teu olhar, gelado e moribundo,
e vejo um labirinto frio e estreito.

Às vezes me pergunto - e mesmo cismo -
se cavei entre nós imenso abismo,
Que agora, entre rendas, fica exposto!

Seria eu Medusa poderosa?
Maldita e soberana? Monstruosa?
Ou seria, ó, meu amado, o oposto!