Os contos e, em especial os contos de fadas, têm tido uma prevalêndia deste os primórdios da humanidade e vão-se prolongando pelos séculos, sendo trazido até nós já em versõe muito modificadas. Como já abordei aqui, os contos de fadas e as suas personagens, permitem às crianças desde tenra idade auto-construir a sua própria personalidade e ver espelhados os seus receios e angústias mais prementes. Além de a distrair, ele "promove o desenvolvimento da sua personalidade."
"A criança precisa de ideias sobre como pôr a casa interior em ordem e, nessa base, conseguir dar certo sentido à sua vida."(1) No entanto, nem sempre assim se sucedeu. Na sua origem, "quando foram criados, os contos de fadas não eram destinados às crianças. Tinham o objetivo de solucionar, resolver problemas adultos."
Um dos exemplos é o da conhecida história do "Capuchinho Vermelho", que na verdade parece representar "a passagem da infância para a adolescência. O fato de a mãe pedir para que a filha fosse levar" a cesta para a sua avó, "nada mais significava que ela estava pronta para enfrentar as responsabilidades." A Floresta sempre foi "um elemento envolto" em "mistério." Um local escuro, que tem muitos perigos escondidos.
Mas aos poucos e, principalmente com o aparecimento da própria Disney, os contos foram evoluindo para se adaptar ao universo infantil. Mesmo assim, eles oferecem à criança opções que ela relaciona com os seus próprios dilemas existenciais. "Aplicando o modelo psicanalítico da personalidade humana, os contos de fadas são portadores de mensagens importantes para o psiquismo consciente, pré-consciente ou inconsciente, qualquer que seja o nível em que funcione."
A criança retrata nos contos de fadas que ouve a imagem de si mesma. Desta forma ela consegue aliviar as suas próprias tensões. "As histórias falam ao seu ego nascente encorajando o seu desenvolvimento, enquanto ao mesmo tempo, aliviam tensões pré-conscientes ou inconscientes." Assim, não é de estranhar que a criança tire "um sentido diferente de um mesmo conto, segundo os seus interesses e as necessidades do momento." Por outro lado, "a importância que cada história pode ter para uma determinada criança, em determinada idade, depende inteiramente do estádio do seu desenvolvimento psicológico e dos problemas que no momento sejam para ela mais prementes."
Estes "orientam a criança no sentido de descobrir a sua identidade e vocação e sugerem também quais as necessárias experiências para melhor desenvolver o seu carácter." Os contos permitem à criança lidar com os seus medos, ultrapassar os seus receios através da apropriação da situação que a personagem está a viver naquele momento e interpretar à sua maneira, encontrando formas de resolver problemas. Por isso, muitas vezes, a criança precisa de ouvir a mesma história vezes e vezes sem conta, até que esta deixe de ser necessária, porque já não precisa dela.
"O conto de fadas oferece materiais à fantasia da criança, sugerindo-lhe, de maneira simbólica, que tipo de lutas deverá travar para se realizar e garantindo-lhe ainda por cima um desfecho feliz."
Por outro ladpoo, permite à criança lidar e aprender sobre a maldade, sobre a morte, sobre a perda e outros sentimenhtos que lhe podem trazer tristeza e ansiedade. "A vida real não é toda bela" e oferecer-lhe só o lado bom é errado. A criança sabe que ela própria nem sempre é boa e precisa de sentir que não é a única para não se ver "a si própria como um monstro." A criança precisa de ser colocada perante diferentes situações, para que se torne empática para com os sentimentos dos outros, para que se expresse sobre o que está a sentir. Por isso é tão importante que "tanto a maldade como a virtude se encontrem omnipresentes nos contos de fadas."
Fontes:
(1)-BETTELHEIM, Bruno, "Psicanálise dos contos de Fadas", Bertrand Editora;
(2)-http://wearsunscreen.blogspot.com/2005/10/verdade-sobre-os-contos-de-fada.html