


… Com efeito, tendo ascendido ao trono, o seu claustro deixara de cumprir uma das etiquetas que faziam parte do protocolo e, mais do que isso, da boa política: apresentar os seus votos ao novo rei, elegendo-o protector, prática essa que vinha de D. Dinis. Cabia aos soberanos essa prerrogativa. Tratava-se, por conseguinte, dum simples e formal reconhecimento.
D. João III, que o seu cronista, Frei Luís de Sousa, chama dissimulado com todas as letras, sofreu em silêncio durante dois anos este menoscabo incompreensível. Calar era uma virtude que aprendera com seu pai que fartas vezes o contrariara. Ao fim de dois anos chamou os lentes a capítulo. Humilharam-se. Guardou ele da incivilidade um ressentimento tão vivaz que o induzisse a planear desde logo a transferência da Universidade para longe? O certo é que a breve trecho trazia no Colégio de Santa Bárbara, em Paris, umas dúzias de bolseiros com que poderia cometer a reforma radical das faculdades, prescindindo do seu antigo quadro de professores. Sem dúvida estava informado que uma das razões por que D. Fernando transladara a Universidade para Lisboa é que, procurando lentes no estrangeiro, não os topou que quisessem residir na Beira.» ...
(continua)