Rá, e vocês achando que eu tinha esquecido de postar na quarta. Aqui não tem ponta solta, rapá. É pão pão, queijo queijo. E quando eu não posto, tenho um bom motivo. Bom, geralmente é falta de tempo, mas hoje não, é uma ocasião especial.
Há um ano eu colocava esse enfant terrible no ar, com um post sobre o nosso querido Guimarães Rosa — post esse que me rendeu muitos “me ajuda com o trabalho da escola, tio?”. Não, fedelhos, não tô aqui pra ajudar ninguém a ficar sem ler, muito pelo contrário. Queria começar a falar de literatura de um jeito menos pedante e mais legal, muito embora tenha recebido comentários dizendo que eu sou pedante e nada legal, principalmente quando falei d’O Vermelho e o Negro e do Som e a Fúria.
Fora isso, fui ganhando leitores aos poucos, que chegavam ao meu blog das maneiras mais obscuras possíveis. E esses leitores se tornaram conhecidos e esses conhecidos se tornaram amigos (alguns se tornaram ex-conhecidos, o nível mais baixo na escala de social acquaintance). Conheci gente com gostos literários parecidos com o meu, e acho que posso dizer sem arrogância que aqui, nos posts e comentários, discutiu-se literatura de uma maneira muito mais frutífera e concisa do que esses velhus decreptus por vezes fazem nas academias. Falamos só do que nos interessa, e às favas com o resto. E nos interessa também o papel do livro, o livro de papel e o papel do livro de papel. Analisar os aspectos físicos do livro é uma forma de reconhecer o trabalho de um pessoal bacana que trabalha aí afora com editoração e só recebe como recompensa por seu árduo trabalho a reclamação de que livro é um troço muito caro. De valorizar o livro como objeto físico veio o nome Livrada! (a exclamação eu coloquei porque achei bacana).
Além de hoje completarmos um ano de atividade, atingimos também uma marca curiosa: 100 livros resenhados. Eu não disse 100 posts, disse 100 livros resenhados. Sabe o que são 100 livros resenhados? Em 1 ano? Feitos por mim? All by myself? Não espero nada menos do que um busto de bronze com o meu rosto em cada praça desse Brasil por um trabalho tão altruísta. Nesses anos todos não ganhei um centavo. Até perdi, se levar em consideração a promoção que fiz. Meu pai diz pra eu não colocar palavrão no blog, mas quer saber? Foda-se. Eu sou um homem sem fins lucrativos, doente porém vivo e eu quero é que se foda. Foi divertido, foi emocionante e foi um aprendizado. Ganhei amigos, certo reconhecimento, indicação ao The Bobs e tenho o privilégio de dizer que não tenho NENHUM leitor imbecil. Acho que isso deve valer de alguma coisa num mundo em que o dinheiro não vale. Visse? Lá no Kampuchea eu seria milionário.
Então gostaria só de deixar essa data registrada e o meu muito obrigado aos que me seguem.