27
Nov 08
Num lugar mal situado encontrámos este poema, um dos que integram o novo livro do jovem poeta Rui Lage.
CAÇA GROSSA
Entopem o gargalo da toca
espetando o nariz, calcando
esquivo lagarto pateando
ossinhos de rato no Éden
de outra vida
enquanto das élficas orelhas
sacodem dejectos de sol:
duas raposas recém-nascidas.
Indiferentes ao milhafre
e à doninha,
em qualquer colo felizes
de qualquer leite beberiam.
Mas na aldeia,
numa porta de estábulo
imunda e carunchosa
o sangue secou no ruivo pêlo
e na materna cabeça a pólvora
onde a bala deu entrada.
Corvo,
2008

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2 recitais:
Muito obrigada pelos comentários e pelo apoio! ;)
Quero, desde já, felicitar este espaço de encontros poéticos. É sempre bom saber que alguém sente como nós.
Inês Antunes a 27 de Novembro de 2008 às 18:12
Obrigado pelo oportunidade da descoberta. Esmagado. Estou, estou.