10
Fev21
Maria do Rosário Pedreira
É provável que já aqui o tenha dito: em 1997 trabalhei para a empresa que organizou a presença de Portugal como país convidado da Feira Internacional do Livro de Frankfurt. Foram dois anos loucos a preparar tudo, ao início com uma equipa operacional muito pequena, e só quem esteve nos bastidores sabe o que foi fazer pastas até às tantas da manhã, tirar milhares de folhas A4 com biografias de escritores de um camião TIR, ver desaparecer a decoração de uma parte do pavilhão da noite para o dia (não estava bem arrumada e os funcionários da limpeza deitaram-na no lixo) e ter de inventar outra coisa, arranjar champanhe e bolo de anos para a maravilhosa Agustina num hotel recém-estreado onde tudo corria mal e, por fim, ver um microfone dar uma de difícil na pior das alturas (sim, era a vez de o nosso ministro da Cultura falar na inauguração do Pavilhão de Portugal). Mas para quem estava de fora correu às mil maravilhas e, depois disso, a literatura portuguesa foi objecto de um Nobel, de muitos convites internacionais para Salões e Festivais e de imensas traduções. Este ano, estava previsto que a Feira de Lepzig (mais pequenina, mas importante) celebrasse a literatura portuguesa, mas, infelizmente, a COVID não deixou a nossa conselheira cultural, Patrícia Severino, realizar os seus muitos planos. Uma pena! Em todo o caso, vão publicar-se na Alemanha várias traduções de escritores portugueses, de Mário de Sá Carneiro, Hélia Correia, Cristina Carvalho e outros. Valha-nos isso. Melhores dias virão.