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«Em cada estante, um livro»
É um orgulho imenso perceber que preciso de novas prateleiras para acomodar livros de autores nacionais, pois pretendo conhecer o máximo possível - explorando novos dialetos e regressando àqueles que são um pedaço de casa. Por mais que reconheça que o espaço não tem as dimensões mais avantajadas, não custa sonhar que, um dia, adquirirei todos os exemplares que tenho em espera. Não sendo um plano exequível - para já, pelo menos -, faço por aumentar a minha lista de desejos.
Comprometi-me, até à data da Feira do Livro do Porto, a não comprar mais obras, uma vez que tenho várias por ler. No entanto, tendo em conta que abracei a missão de apostar ainda mais na literatura portuguesa, há títulos que se revelam prioritários. E, nesta semana temática, na qual pretendo homenagear os nossos autores, sei que existe um conjunto de livros que vou querer ter na minha estante.
DEIXEM PASSAR O HOMEM INVISÍVEL, RUI CARDOSO MARTINS
Este livro acompanha a viagem de um homem - cego desde os 8 anos - e de um pequeno escuteiro por uma Lisboa subterrânea, depois de uma enxurrada os empurrar para uma caixa de esgoto. Pelo meio desta aventura complexa e intensa, que é também um caminho de memórias difíceis, há um ilusionista, um camaleão que não acerta com a cor e todas as pessoas que continuam a acreditar no salvamento.
MARGARIDA ESPANTADA, RODRIGO GUEDES DE CARVALHO
Margarida Espantada é sobre família. Sobre irmãos. É sobre violência doméstica e doença mental. É um efeito dominó sobre a dor.
A FILHA DO CAPITÃO, JOSÉ RODRIGUES DOS SANTOS
O capitão Afonso Brandão mudou a sua vida quase sem o saber, numa fria noite de boleto, ao prender o seu olhar numa bela francesa de olhos verdes e voz de mel. O oficial comandava uma companhia da Brigada do Minho e estava havia apenas dois meses nas trincheiras da Flandres quando, durante o período de descanso, decidiu ir pernoitar a um castelo perto de Armentières. E conheceu aí uma deslumbrante baronesa.
COM O HUMOR NÃO SE BRINCA, NELSON NUNES
Repleto de histórias pessoais sobre o percurso, as técnicas e o pensamento dos principais comediantes portugueses, este livro desvenda as ferramentas fundamentais para a escrita humorística e aborda com absoluta frontalidade as problemáticas mais importantes para a criação de uma piada. Através de conversas com os comediantes, Nelson Nunes, jornalista e escritor, dá-nos a conhecer as suas carreiras - os passos em falso, os momentos de sorte, os grandes êxitos, as rivalidades, o que os une e os afasta - e revela tudo o que pensam sobre a arte de fazer rir os outros e as dúvidas que o humor pode suscitar.
A TRANÇA DE INÊS, ROSA LOBATO FARIA
Pedro é, no presente, um empresário de sucesso que se perde de amores por Inês. Mas este é um amor condenado à tragédia e à loucura. A sua história confunde-se com a de Pedro Rey, no século XXII, apaixonado também por uma Inês de entrançados cabelos loiros num futuro que os afasta por pertencerem a estratos diferentes da sociedade. E ainda com a lenda de D. Pedro que, no século XIV, tenta contra tudo e contra todos fazer valer o seu amor por Inês de Castro.
A VIAGEM DO ELEFANTE, JOSÉ SARAMAGO
Em meados do século XVI o rei D. João III oferece a seu primo, o arquiduque Maximiliano da Áustria, genro do imperador Carlos V, um elefante indiano que há dois anos se encontra em Belém.
O FOGO SERÁ A TUA CASA, NUNO CAMARNEIRO
Numa guerra entre homens, ideias, deuses e civilizações, não há partes neutras, e é difícil distinguir as vítimas dos agressores.
TEREMOS SEMPRE LONDRES, SOFIA COSTA LIMA
Carolina, de 17 anos, conhece o jornalista Miguel, de 26 anos, num workshop e desde logo fica rendida ao seu charme. A paixão acaba por falar mais alto mas Miguel, com medo de represálias devido à diferença de idades, quer levar tudo com calma. O que ele não sabe é que o problema chegará quando a mãe de Carolina, Luísa, regressar.
O MEU CORAÇÃO SÓ TEM UMA COR, JOANA MARQUES
Neste livro que parece um jogo, ilustrado pelo também portista Pedro Vieira, Joana Marques vai do primeiro ao nonagésimo segundo minuto - aquele em que os jogos se decidem a favor dos dragões - jogando sempre à Porto. Fazem parte da sua equipa nomes incontornáveis da história do clube - de João Pinto a Vítor Baía, passando por Domingos Paciência, José Maria Pedroto, Jardel, Hulk, Madjer, José Mourinho, Fernando Gomes, André Villas-Boas, Rui Barros, Sérgio Conceição e, claro, o inevitável Marega, sem esquecer craques como Iván Kaviedes ou Lucas Mareque. E é com eles que Joana Marques revisita de forma divertida grandes momentos da história do clube - das vitórias na Liga dos Campões e na Taça Intercontinental, passando pelo Penta e pelo inevitável 28º título de campeão nacional, conquistado no sofá.
POESIA, SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN
Esta poesia nasce num lugar esgotado, deserto; e é apesar das ruínas que de tudo se ergue o poema. Forte, elemental, sim; mas jorrando do terror, de ruínas que não falam, de uma língua herdada já exangue.
A CÉLULA ADORMECIDA, NUNO NEPOMUCENO
Passado durante os 30 dias do Ramadão, abordando temas atuais como a xenofobia e o racismo, A Célula Adormecida transporta-nos numa viagem deslumbrante por locais como Istambul, ou o interior da Mesquita Central de Lisboa. Inovador entre o género dos thrillers religiosos, este é não só um livro de leitura compulsiva e voraz, como também uma incursão temerária aos segredos mais recônditos da vida privada.
O LIVRO DO DESASSOSSEGO, FERNANDO PESSOA
Obra-prima póstuma, retrato da cidade de Lisboa e do seu retratista, compõe-se de centenas de fragmentos, oscilando entre diário íntimo, prosa poética e narrativa, num conjunto fundamental para compreender o lugar de Fernando Pessoa na criação da consciência do mundo moderno.
ESCRITA EM DIA, MARGARIDA FONSECA SANTOS
Ao longo de 40 níveis, no total de 80 exercícios, poderá expandir, encurtar, revitalizar e repensar a sua escrita, encontrando o outro lado dos textos, manipulando significados até se surpreender, mergulhando nas personagens para lhes dar ainda mais vida e comovendo-se com as soluções. Com o apoio de ideias simples e diretas e conselhos práticos, este livro pretende levá-lo por caminhos que não costuma usar, descobrindo a escrita de forma divertida.
MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA DE UM ESCRITOR, JOÃO TORDO
Partindo das suas memórias do ofício, João Tordo esboça neste livro uma espécie de manual para todos aqueles que se interessam pelo mundo da escrita — sejam escritores a dar os primeiros passos ou leitores curiosos. Misturando humor e pragmatismo, memórias de vida e conselhos úteis, o autor abre as portas da sua actividade — e da sua relação com a literatura e a vida — a todos aqueles que experimentam a magia.
Na publicação Lista de Desejos Literários, enumerei outros títulos que fazem todo o sentido recuperar: Para Onde Vão os Guarda-Chuvas [Afonso Cruz], O Filho de Mil Homens [Valter Hugo Mãe], O Que Nos Magoa [Diogo Simões] e Jogos de Raiva [Rodrigo Guedes de Carvalho].
Que livros de autores portugueses aconselham?
