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CARLOS MALHEIRO DIAS

(Porto, 13 de Agosto de 1875 - Lisboa, 19 de Outubro de 1941)

AO SR. AQUILINO RIBEIRO.

«Acabo de voltar, lentamente, a última página do seu livro, como se me despedisse com saudade de alguém. Conservo ainda vivas as intelectuais emoções que a sua arte me provocou. Esta ruma de páginas, húmidas do prelo, considero-a como um organismo animado pelos seus pensamentos e aparatosamente vestida pela luxuosa beleza da sua arte. Um livro que se leu assim é quase como uma mulher que se possuiu, em cujas têmporas e em cujo peito, sob os nossos lábios, sentimos palpitar as artérias e arfar os pulmões. Posso dizer-lhe de memória os sítios mais belos da sua obra, onde os meus olhos se demoraram com mais regozijo, como um amante sabe lembrar-se das mais harmoniosas curvas, dos mais doces beijos, das mais inebriantes carícias, entrevistas, sorvidas e partilhadas em um lindo corpo desejado.»...

(Continua)