08

Fev12

Maria do Rosário Pedreira

Para os leitores deste blogue que gostam de poesia e me pedem que, uma vez por outra, aqui deixe um poema, informo que amanhã estarei no Instituto Cervantes com a autora espanhola Menchu Gutiérrez (poeta e romancista) para uma leitura poética, seguida de conversa com o público, ao longo de cerca de uma hora. A sessão começará às 18h30 e a entrada é livre.

21 comentários

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    João Courinha 08.02.2012

    Oh Cláudia, isso nem sequer rima! Vamos lá a ter tento na cabeça, poesia que não rima é um pavão com patas de peru! Assim de repente vem-me à ideia um dos mais paradoxais versos do universo: No monte do tio Gualtér ... no monte do tio Gualtér ... mataram uma mulhér. . com dois tiros de revolvér ! Repare-se como o proficiente autor se socorre de uma artística acentuação ficcional de forma a enfatizar a terrível tragédia que ocorreu no monte do tio Gualter ! Onde fica a propriedade? Ninguém sabe! Qual o pecado cometido pela mulher? Adivinhem vocezes ! A marca do revolver? Provavelmente Smith and Wesson , que é estrangeiro e dorme bem no ouvido. Cumularíamos a desventurada de ternas manifestações de genuína preocupação, como sem dúvida todos o fazemos enquanto eu aqui escrevo, caso o estuporado relato não rimasse? Com certeza que não. Este é pois, o poder da rima, o esbugalhar do significado.
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    Cláudia 08.02.2012

    Não conheço você
    que tam pouco conhece-me
    apenas conhece-nos a distância
    e que deixa-nos iguais
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    Anónimo 08.02.2012

    É certo que a Cláudia, por vezes, escreve só para ela. É certo que o Courinha de tolo nada tem. Mas que há bela poesia sem rima, os tais versos brancos, também há. Não é o caso. A Natureza não é serva de nada nem de ninguém.

    Tome lá, Courinha, se é para rimar "nós rima":

    Sumptuoso o Pavão
    Pretendeu poeta ser
    Faltava-lhe inspiração
    E não sabia escrever

    Poeta era o Peru
    Suas duas patas cantava
    A uma pulava-lhe ao cu
    A outra era sua escrava

    Entre os dois vivia a disputa
    Qual teria o melhor português?
    O Pavão saiu da luta
    E foi escrever em birmanês

    2ª versão para a última quadra:

    Dizia então o Peru:
    Ó Pavão não se diz puta
    Se eu fosse como tu
    Mudaria de conduta

    ...

    ::))

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    João Courinha 08.02.2012

    Quem rima assim não é parvo!
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    Paulo Oliveira 09.02.2012

    Nem sempre compreendo onde quer chegar a Cláudia, mas por vezes gosto: "Enlouquecidos seriam os homens se no apagar da memória fosse miserável a derrota da língua" soa-me perfeitamente bem.
  • Vi um há pouco tempo. É aquela sobre o Dante Gabriel Rossetti?
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    Paulo Oliveira 09.02.2012

    Ou como dizia o outro, toma lá e vai-te curar!
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    Cláudia 09.02.2012

    lus it a nia - a partir das coisas certas
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    Anónimo 09.02.2012

    E que tal se curasse essa crase?
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    Paulo Oliveira 09.02.2012

    Boa questão, que também me baralha. Porquê "aprender à alar"? Será assim no Brasil? Quanto à (aqui sim!) pronúncia, não duvido, mas nos versos não me parece ocorrer crase. Mera curiosidade minha, sem acinte transatlântico no qual não embarco.
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    António Luiz Pacheco 10.02.2012

    Não sei se comente aqui ou no do meu homónimo ... mas ó J. Courinha , olhe que ainda o convidam para assinar uma coluna aí num suplemento cultural (de cultura e não de culturas)
    E não digo isto por troça, não, você tem a grande vantagem de usar lugares incomuns!

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    Não sei se comente aqui ou no do meu homónimo ... mas ó J. Courinha , olhe que ainda o convidam para assinar uma coluna aí num suplemento cultural (de cultura e não de culturas) <BR>E não digo isto por troça, não, você tem a grande vantagem de usar lugares incomuns! <BR class=incorrect name="incorrect" <a>Eheheh</A> ... <BR>Um abraço para si e parabéns à nossa Hospedeira Extraordinária. <BR>

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    João Courinha 10.02.2012

    Oh camarada Pacheco, não me diga que acha que cá em Portugal ainda precisamos de mais uma parvo com a mania que é perito em tudo? Isto no nosso país atiramos uma pedra e há grandes probabilidades de partirmos um dente a um comentador. Eu gosto é de contar histórias! Um abraço
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    António Luiz Pacheco 10.02.2012

    Ora por isso mesmo! Precisamos de menos comentadores e que sejam menos parvos!

    Bom fim de semana

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    Anónimo 10.02.2012

    Sim, João, também achei que foi tudo isso. (E mais aquilo que as suas palavras trouxeram.) Um bom resumo, com afecto e ainda assim alguma distância, com sentido de rigor e um pouco de opinião. A poesia da Rosário já conheço (conheci-a até primeiro que à poeta), a Menchu foi uma surpresa, um farol (em tantos sentidos). Gostei da ideia de tentar perceber a tenção que liga uma letra a outra, ou uma palavra à próxima (mais que forças físicas, mais que o esforço da língua, mais que o que é comum e vulgar), a ideia do estranho também a absorvi.
    M.
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