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| Fotografia da minha autoria |
«Vou escrever para ti»
Uma frase mal escrita, carregada de intenções duvidosas, é o suficiente para eliminar o romantismo de qualquer texto. Porque é a mensagem transmitida que tem valor. Porém, se a bagagem vem vazia, não adianta dar forma ao dialeto: o principal já se perdeu. Seria mais ou menos como tentar apreciar um quadro e assumi-lo como uma tela em branco. Ou observar uma fotografia de paredes caiadas e senti-la sem qualquer beleza. Porque estamos cegos e não vemos para além do óbvio.
De que adianta guardar palavras bonitas na ponta dos dedos ou percebê-las prontas a explodir do lado esquerdo do peito? De que nos serve lê-las diante dos nossos olhos curiosos e enamorados? Se são desprovidas de qualquer sentimento, deixemo-las ficar. Esqueçamo-las numa parte desabitada da nossa alma. Será sempre melhor optar pelo silêncio do que falar barbaridades da boca para fora. Por isso, vou mantendo a esperança a meia luz. Talvez, um dia, saibas estas regras de cor.
M, 31.03.2015
