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| Fotografia da minha autoria |
«Uma cidade silenciosa, um segredo terrível»
Avisos de Conteúdo: Morte, Relações Familiares Tóxicas, Suicídio
Os traços da capa de um livro podem ter um impacto extraordinário na sua escolha para uma leitura futura. Embora tenha o cuidado de procurar conhecer a sinopse, a verdade é que não fico indiferente a este fator singular, ainda para mais, quando é a minha cidade Invicta que sobressai. Aliado ao facto de querer arriscar em novos autores portugueses, estavam reunidas todas as condições para descobrir a obra da Ana C. Reis.
SENTIMENTO DE CLAUSTROFOBIA
O Caça-Cidades é de uma sensibilidade desarmante. Atendendo a que tem a dor como protagonista, para além de duas irmãs com uma relação bastante conturbada, percebemos o quanto o silêncio pode magoar e que há ligações, por mais fortes que sejam, que sofrem sempre contratempos, que sucumbem a ausências e que, por isso mesmo, precisam de ser cuidadas - mesmo quando o sofrimento dilacera e parece maior do que nós.
«Mas eu já não sabia se era esta casa que não me pertencia ou se
o desconforto apenas confirmava que eu nunca lhe tinha pertencido»
Esta história é, portanto, sobre mágoas, sobre sombras do passado, sobre segredos e sobre regressos. Com uma escrita cuidada e intimista, sentimos uma permanente sensação de claustrofobia; sentimos os receios e a luta interior para libertar traumas e fantasmas. Quando deixamos de reconhecer aqueles que nos são tanto, existe um desgaste emocional palpável, que piora quando também começamos a duvidar de quem somos.
«- Por vezes, são aqueles que mais amamos que menos entendem as nossas escolhas»
O Caça-Cidades tem um toque misterioso, que nos permite acompanhar ciclos que se encerram e portas que se [re]abrem. Quem me dera que não ficasse pelo conto, porque acredito que esta narrativa ainda tinha muito por onde crescer. Apesar disso, apresenta uma intimidade que nos cativa e que nos transmite esperança.
