O recente anúncio de lançamento de The Real Shakespeare: Emilia Bassano Willoughby causou grande furor na mídia por propor que Shakespeare era apenas a fachada para Emilia Bassano, uma mulher judia de origens norte-africanas. Ainda durante a fase de pré-venda pela Pen&Sword Books, pequena editora inglesa especializada em história militar, o livro ganhou enorme repercussão e foi eleito como a epítome do wokismo que assombra nossos dias. Todas as opiniões pareciam ver no livro a mesma coisa: o sintoma de uma disposição pós-moderna à superinterpretação, que distorce o texto e torce os autores até que digam o que o leitor quer.
Mas a repercussão se deve sobretudo ao fato de que Irene Coslet é o espantalho perfeito. O caso da autointitulada historiadora feminista propondo que Shakespeare era, na verdade, uma mulher — a estudiosa que quer subverter a narrativa histórica de acordo com as suas próprias sensibilidades — parece saído do sonho febril de uma espécie bastante difundida de reacionarismo anti-intelectual, uma postura que, em vez de analisar o dado cultural em seus componentes, ridiculariza e nega-o como um todo.

Uma pesquisa mais detalhada mostraria que a suposta teoria pós-moderna da historiadora feminista que diz que “Shakespeare era uma mulher negra de origens judaicas” não é nada nova — e não é sequer original. A chamada “Emilia Lanier theory of Shakespeare authorship”, base para o livro de Coslet, foi formulada originalmente por John Hudson, ainda em 2008. Desde então, tem sido reelaborada e chegou a servir como premissa para alguns romances históricos de qualidade duvidosa.
O ultraje com a proposta parece ser um pouco mais recente. Remonta ao menos a 2019, quando a repórter do The Atlantic Elizabeth Winkler publicou um ensaio argumentando que Shakespeare poderia ser o nom de plume de uma mulher, e arrolou Emilia Bassano entre as possíveis candidatas. Anos depois, à época do lançamento de Shakespeare Was a Woman and Other Heresies (2023), Winkler comentou que nunca fora tão atacada enquanto escritora.
É provável que a indignação tenha um componente misógino. John Hudson, o autor original da teoria, não recebeu o mesmo vitriol que Winkler ou Coslet. Seu livro não recebeu a mesma cobertura e críticas de wokeísmo nas mídias — tradicionais e digitais —, tampouco chamou a atenção do homem mais rico do mundo, como ocorreu quando Elon Musk republicou uma matéria sobre o livro de Coslet no X, sua rede social, alçando The Real Shakespeare à fama mundial e conferindo-lhe o distintivo máximo de delírio woke com a simples exclamação “wow!”.
Não podemos negar que a teoria proposta é absurda e ridícula. A começar, tudo parece mais ficção do que realidade. Para alguém que não tem a menor familiaridade com a vida universitária, Irene Coslet pode até se parecer com uma autora genuína, mas o escrutínio superficial revela que Coslet, estudiosa do feminismo há vinte anos, não tem nenhuma publicação anterior a The Real Shakespeare. Nenhuma linha sequer.
Seu currículo diz que ela é mestre em Media, Communication and Development pela London School of Economics. Aqui é preciso fazer uma correção: Coslet tem um texto anterior a The Real Shakespeare. Sim, uma matéria sobre o próprio livro para a newsletter de Mídia da London School of Economics. Para alguém que “devotou mais de duas décadas à pesquisa”, Irene Coslet parece nascer no dia 16 de janeiro de 2026.
A imagem de uma autora inventada que sustenta a tese de um Shakespeare ‘de fachada’ — que teria servido justamente para ocultar uma escritora real — tem o caráter especular, recursivo e quase fractal da ficção de Borges. Aqui, no entanto, devemos nos ater aos fatos e afastar qualquer inclinação conspiratória (esforçando-nos para esquecer que Coslet é um anagrama perfeito para closet, o clássico armário que se usa de fachada).
Teorias e especulações

Devemos nos lembrar que a “verdadeira identidade” de Shakespeare é matéria de especulação há séculos e que há uma vastíssima bibliografia especializada sobre o tema. Partindo do pressuposto de que foi uma fachada para outro autor, centenas de pesquisadores vêm propondo nomes para “o verdadeiro Shakespeare”. Os mais populares são Sir Francis Bacon, Edward de Vere, Christopher Marlowe e William Stanley.
A teoria mais célebre e duradoura foi a “Shakespeare Controversy”, apelidada de “Bakespeare”, por propor, justamente, que Shakespeare era apenas uma fachada para Francis Bacon. Acumulou extensa bibliografia especializada e envolveu cientistas célebres, entre eles o matemático Georg Cantor. Os trabalhos relacionados a essa teoria buscam, como na “Emilia Lanier theory”, mensagens cifradas, alusões e criptogramas (daí a presença de Cantor) nas obras do bardo, como indícios secretos de que uma outra pessoa utilizava o pseudônimo de William Shakespeare para proteger a sua identidade, deixando pela obra, ao mesmo tempo, pistas sobre sua verdadeira identidade. Esse jogo, além de improvável, é contraproducente, uma vez que o esforço pela produção de mensagens secretas que revelassem a face sob a máscara nega completamente o próprio artifício da máscara, numa espécie de masoquismo autoral de quem se esconde para se revelar.
Todas essas teorias têm, no fundo, origem na noção errônea de que um homem de tão baixa extração social jamais poderia ter composto obras tão sofisticadas. William Shakespeare de Stratford-upon-Avon, portanto, teria de ser a fachada de alguém, preferencialmente um nobre. Em A Memória Vegetal, Umberto Eco cita a bibliografia da hipótese e usa nomes de autores reais para inventar uma bibliografia contrária, chamada por ele de “Shakespeare-Bacon Controversy”.
A controvérsia criada por Eco argumenta que Bacon, sendo autor das peças de Shakespeare, dado o volume de trabalho, teria de delegar a escrita de suas obras filosóficas para outra pessoa, e, já que o próprio Shakespeare não era um homem desprovido de talentos, poderia ter assumido a comissão e escrito a obra de Francis Bacon. Assim, Bacon era Shakespeare e Shakespeare era Bacon. Os dois lados da controvérsia estão satisfeitos. Porém, para compor as obras de Shakespeare, Bacon teria de frequentar o Globe diariamente e estar envolvido na vida do teatro a ponto de realmente se tornar Shakespeare, que, por sua vez, teria de frequentar os círculos filosóficos londrinos e vestir a carapuça de Bacon a ponto de sê-lo. Eco conclui seu jogo: “Shakespeare era Shakespeare e Bacon era Bacon”.
A batalha pelo cânone
É evidente que a hipótese sustentada por Coslet, bem como por todas as suas predecessoras, não passa de uma teoria conspiratória sem qualquer mérito dentro dos estudos históricos e literários. Ela revela, no entanto, a enorme dificuldade em compreender a grandeza do Bardo — essa voz que nos diz tanto sobre o que é ser humano — frente às suas origens tão humildes.
Quem quer que tenha sido Shakespeare, e a despeito de toda curiosidade histórica sobre sua biografia, o que nos importa é sua obra, que tem, talvez, o papel de maior centralidade no cânone moderno. Ainda que possamos nos ver até nos gregos, é necessária uma preparação prévia bastante custosa, ao passo que em Cervantes ou Shakespeare as coisas estão postas de maneira muito mais clara, mais próxima de nós. Esses são os textos que elegemos para fazer parte do cânone, o repositório que concentra as variedades daquilo que nos é mais caro, a experiência humana. Por se tratar de matéria tão sensível e perecível, é evidente que seu conteúdo deve ser preservado a todo custo.
As diferentes possibilidades de preservação, no entanto, se pela sua conservação rigorosa ou transformação — isto é, se o cânone deve ser aberto ou fechado —, permanecem motivo de debate. Mas há muito tempo a discussão sobre a natureza do cânone deixou de ser matéria de debate e se tornou objeto de uma quebra de braços entre duas facções, uma que o vê como um monumento estático, e outra que acredita que ele é um organismo vivo.
Essa batalha pelo cânone lembra e é, em alguns aspectos, herdeira da contenda intelectual descrita por Eco em Apocalípticos e Integrados (1964). Quando o advento de uma indústria cultural e suas consequências observáveis no nascimento de uma cultura — no sentido antropológico — de massa dividiu os intelectuais em dois grupos, criando, de um lado, os apocalípticos que se caracterizavam por um conservadorismo cultural (mas não necessariamente político), fiéis a uma noção de cultura como fato dado, e de outro, os integrados, que se assemelhavam aos nossos progressistas, e que, apesar de críticos, ora se aliavam à indústria cultural e a seus pressupostos ideológicos, ora dela se alienavam.
A oposição se dá entre intelectuais que ainda se pautavam pela antiga noção aristocrática do “homem culto”, crentes num modelo normativo de cultura que poderia ser extraído dos clássicos, e os integrados, que partem de um lugar descritivo: para eles, as obras canônicas são, sem dúvida, importantes na formação da cultura, mas não têm um papel necessariamente superior aos produtos da indústria cultural — que, independentemente de sua qualidade, são os elementos que constituem empiricamente a visão de mundo do indivíduo de massa.
As duas posturas têm problemas claros. O apocalíptico reduz toda sorte de produto cultural de massa a um fetiche; em vez de analisá-lo para fazer emergir suas características estruturais, nega-o em bloco. O integrado, por sua vez, tem uma visão demasiado otimista, acredita que a massa finalmente se tornou protagonista da história, sem perceber que essa crença, como bem notaram os apocalípticos, é um fato ideológico.

O apocalíptico tradicional está morto. O modelo do intelectual renascentista confinado em sua enorme biblioteca, lutando contra a inefável marcha do tempo foi há muito sepultado, mas seus impulsos sobrevivem no estofo de um discurso político reacionário. Alguns elementos da querela entre apocalípticos e integrados parecem ter sofrido mutações e encontrado lugar nas trincheiras da nossa guerra cultural, que transforma a literatura e o cânone em instrumento de batalha. Neste caso, o cânone toma o posto antes reservado pelos apocalípticos aos produtos de massa, passando a funcionar como simples fetiche. Assim, as obras que condensam e cristalizam a experiência humana se tornam meros distintivos ideológico-culturais. Esvaziados de forma e conteúdo, convertem-se em performance.
Qualquer indivíduo razoável percebe os perigos de interpretações ditas pós-modernas — na verdade superinterpretações — que inserem valores contemporâneos em obras pré-modernas (interpretações que, na maioria das vezes, podem seguramente ser atribuídas antes à ignorância do que à má-fé). Do mesmo modo, deveria perceber as origens reacionárias e anti-intelectuais no discurso que utiliza os clássicos como um modelo normativo e estático de cultura, que vê nos clássicos, sobretudo, um modelo de ascensão e manutenção do poder pelo subjugamento de classes subalternas — um modelo avesso por natureza, então, a qualquer abertura do cânone que parta do ponto de vista dessas classes.
A lógica do clique
O livro de Coslet consiste numa tentativa canhestra de trazer à tona uma personagem histórica fascinante, esquecida pelo tempo e pelo crivo patriarcal da nossa sociedade. É também uma mescla contraditória muito interessante de uma teoria conspiratória que reflete a mentalidade da classe dominante, argumentando que Shakespeare não poderia sê-lo em função de seu baixo estrato social e, ao mesmo tempo, de uma teoria acadêmica que busca valorizar e fazer ver os subalternos ao longo da história, supondo, desta maneira, que ele deveria ser uma mulher educada.
Pesquisas sérias sobre a autoria de Shakespeare existem. No Brasil, por exemplo, Régis Augustus Bars Closel estuda as colaborações do bardo com o dramaturgo John Fletcher e, recentemente, escreveu um interessantíssimo posfácio sobre a transmissão textual de Macbeth para a tradução de Lawrence Flores Pereira (Penguin Companhia, 2025). Mas elucubrações sobre Shakespeare ser outra pessoa, e mesmo uma mulher, não são novidade alguma.
Com esses elementos em mente, uma vez que não há nada de absolutamente novo no lançamento de The Real Shakespeare, tampouco algum verniz de novidade na organização desses elementos, a resposta agressiva na mídia e sua explosão nas redes sociais toma uma nova dimensão. Deixando de lado a plausibilidade da teoria proposta por Coslet, devemos nos atentar àquilo que levou um veículo do tamanho e da importância de The Telegraph a rodar diversas histórias sobre um livro obscuro, publicado por uma editora pequena, de uma autora tão irrelevante que parece ter sido fabricada. Devemos nos perguntar ainda sobre as razões que levaram Musk a compartilhar o artigo do The Telegraph em sua rede social, na qual sua voz é artificialmente amplificada desde que a plataforma foi adquirida, em 2022.
O verdadeiro foco não deveria ser o livro de Coslet, e sim como um assunto irrelevante tomou proporções tão vultosas, o que se explica, em parte, por uma classe jornalística tornada apática pelo imenso volume de informações, e que não tem saída a não ser reproduzir notícias clicáveis de maneira acrítica. Esse cenário resulta de uma dinâmica complexa que faz com que a imprensa tradicional tenha de competir com as mídias sociais, com seus poderosos algoritmos, financiamento ilimitado e controle por indivíduos com uma concentração de riqueza e poder jamais vista, acompanhada de uma agenda voltada para a manutenção dessa riqueza. Eis um ciclo de retroalimentação que só atiça o fogo da guerra cultural.
Apropriações do passado
O exame dos critérios de reprodução que tornaram uma história tão irrelevante em notícia mundial do dia para a noite poderia começar com a própria visão de Elon Musk sobre os clássicos. Musk tem um apreço particular pelos romanos, e frequentemente faz menções à Roma imperial no X, sua rede social. Em agosto passado, por exemplo, perguntou-se “se Marco Aurélio poderia ter feito mais para levar Roma a patamares mais elevados ou se aquilo foi o melhor que poderia ter sido feito”. Em dezembro, fez uma doação de um milhão de dólares — soma modesta, considerando sua fortuna — ao American Institute for Roman Culture (AIRC), afirmando que a Inteligência Artificial pode preencher lacunas e ajudar a reescrever a história “baseando-se inteiramente nas fontes antigas e arqueologia”.
O problema, porém, não está apenas nas possibilidades de reescrita da história evocadas por Musk, mas em saber qual é a história romana a ser reescrita pelas ferramentas de Inteligência Artificial. A renomada historiadora britânica Mary Beard já demonstrou seu desapreço pelas opiniões de Musk sobre Roma, apontando que, além de saber muito pouco, o bilionário parece se basear muito mais numa visão idealizada por Hollywood do que naquela sustentada pelos estudos históricos e arqueológicos. Além disso, a historiadora aponta que as comparações tecidas por Musk, relacionando o cenário atual dos EUA com o contexto da queda do Império Romano, são completamente infundadas. O que Beard não enfatiza é o fato de que Musk não parece buscar na história romana uma equivalência histórica (como o faria um historiador), mas justificativas de um projeto.
Em Apocalípticos e Integrados, Eco nota que “no fundo, o apocalíptico consola o leitor porque lhe permite entrever, sob a derrocada da catástrofe, a existência de uma comunidade de “super-homens”, capazes de se elevarem, nem que seja através da recusa, acima da banalidade média”, revelando uma espécie de caráter que precisa do apocalipse para se associar aos homens de uma época áurea, mais nobre e superior, uma época, é claro, completamente idealizada. Assim, a imagem que parecia ser hollywoodiana, começa a se assemelhar muito mais a um cartão postal da Via dei Fori nos anos 1930, quando Roma e os clássicos foram usados como ferramenta de propaganda, estripados de tudo aquilo que poderia revelar o que há de humano, educando nossa sensibilidade, para serem retorcidos e transformados em modelos de projetos tirânicos e estandartes vazios.
É claro que a indignação de Musk com a hipótese proposta pelo livro de Coslet pode ter algo que ver com um ideal de cultivo e edificação de um grande apreciador dos clássicos, mas o quadro nos leva a desconfiar de sua benevolência, permitindo antever uma espécie de Ricardo III, que revela suas intenções reacionárias e tirânicas sob a guisa de liberdade de expressão e futurismo. Fazendo aquilo de que acusa seus oponentes — domar a história em função de suas sensibilidades —, Musk alimenta o fogo da guerra cultural, mas não sem revelar as contradições de um sistema ideológico em crise, de uma era que sofre mais pelo excesso do que pela falta de informação.

A cooperação do leitor
Quanto ao cânone, resta a nós defini-lo. Aberto ou fechado, se podemos nos inserir em seus textos ou se devemos vê-los como monumentos imutáveis, portadores de uma sabedoria arcana. A verdade é que as duas coisas são necessárias. Como dizia Eco, o texto é uma máquina preguiçosa, que requer a cooperação do leitor para funcionar. Ler é um ato, no qual se dá e se recebe, e é preciso tomar cuidado para não dar mais do que se recebe. É preciso, antes de tudo, lê-lo. Insuflar-lhe vida e vigiar contra os apocalípticos que só querem extrair dele o que lhes é conveniente, e aqueles que, com a visão turva, veem nele o que não há, integrando-se de tal maneira ao texto que parecem quase que embriagados.
A repercussão em torno de The Real Shakespeare é um falso problema que revela o mero uso da literatura como arma ideológica, sem fazer uso da literatura como o que ela é: uma biblioteca de possíveis experiências humanas. O cânone importa porque nos oferece uma linguagem comum, mas sobretudo, porque oferece uma linguagem interior. Esse cânone não é, nunca foi e nunca será, a despeito de todas as tentativas contrárias, algo imutável, irrevogável e infalível. Ele é orgânico, sua criação responde, sempre, aos interesses de um tempo. Sua sobrevivência, portanto, está inexoravelmente ligada à própria capacidade de transformação, de sempre oferecer algo novo ao presente.
Quando me identifico com a dúvida paralisante de Hamlet ou a culpa indelével de Lady Macbeth, me identifico com o que há de humano nessas personagens, sem que seu gênero importe, pois eles passam a fazer parte de mim.
E o resto é zumbido dos datacenters insones.
Mário Coutinho é pesquisador e tradutor. Mestre em arqueologia e doutorando em literatura italiana pela USP. Traduziu Jane Eyre (Clube de Literatura Clássica, 2022) e ensaia na crítica. Escreve para Rolling Stone Brasil, Bravo! e Jornal Rascunho. Atualmente trabalha em uma tradução da Vita Nuova, primeira obra de Dante Alighieri.
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