Frida Kahlo: Una biografía
Possivelmente o livro mais bonito que tenho na estante.
Tinha já ficado com este livro debaixo de olho em Sevilha, e decidi comprá-lo em Salamanca. Isto, confesso, não sabendo praticamente nada sobre Frida Kahlo, mas porque as ilustrações de María Hesse pareciam lindíssimas. Seria, talvez, a oportunidade perfeita para passar a conhecer Frida - claro que há vários livros sobre ela, mas, tal como com a Marquesa de Alorna, decidi ir pela versão ilustrada. Não me arrependi.
Sempre me interessara Frida Kahlo: tinha algumas noções básicas sobre a sua vida e sobre a sua arte, que também não conhecia particularmente. O livro é conciso, interessante e informativo (pelo menos para quem, como eu, não sabia muito sobre a artista). É narrado na primeira pessoa, ligando factos a excertos do seu diário, numa imagem intimista. De uma perspectiva pessoal, aprendemos sobre a sua família, o casamento dos seus pais, a sua infância, adolescência, a relação com Diego, a doença, a morte.
Frida aparece aqui como uma figura inspiradora: sofredora, sofrida, mas que tentou transformar a sua dor em amor e arte. Se, por um lado, já sabia que Frida é figura central nos seus quadros, não sabia, antes de ler este livro, até que ponto a tinham afligido as suas doenças - não sabia das amputações, por exemplo. Mas mesmo aquilo que eu já sabia se torna mais claro quando se percebe que Frida pintava para seguir em frente, tentar ultrapassar a sua dor.
Si quieren conocer lo más auténtico de ella, piérdanse en cada uno de sus cuadros, en los que fue dejándonos pequeños mensajes sobre quién fue ella. En sus pinturas reside la verdadera Frida.
Claro que o livro se cinge a detalhes mais importantes da sua vida, pecando por ser curto - não será um livro para quem procura uma biografia profunda de Frida (até porque este livro não o procura ser), e não trará nada de muito novo a quem já conhecer bem a sua vida. Sem ser, lá está, o que me motivou a esta compra: o trabalho de María Hesse.
Yo sufrí dos accidentes graves en mí vida, uno en el que un autobús me tumbó al suelo...
El otro accidente es Diego.
As ilustrações, essas, retratam a história de Frida, mas também parecem captar a essência da artista maravilhosamente. Inspiram-se ou recriam a arte de Frida Kahlo, criando uma enorme ligação com o texto. Adorei absolutamente as ilustrações e fiquei super curiosa com o trabalho da ilustradora (também fez uma biografia sobre David Bowie!). Num detalhe belíssimo (mas que me complicou um pouco a leitura do livro), os excertos dos diários aparecem num estilo de letra diferente, como que manuscrita.
Frida Kahlo foi, em suma, uma pessoa incrivelmente interessante, com uma vida que tinha tudo para ser infeliz. A sua dor e sofrimento são retratados, aqui, com uma enorme sensibilidade, e a forma como Hesse transforma os quadros da artista à sua maneira fazem deste livro único.
Amurallar el proprio sufrimiento es arriesgarte a que te devore desde el interior...
No fim do livro, encontramos informações sobre os vários quadros aqui retratados, os seus nomes, datas e contextos. Podemos também encontrar a base bibliográfica utilizada por María Hesse na sua investigação, entre documentários, livros e os próprios diários da artista, bibliografia esta que, sim, servirá para quem procura a tal bibliografia "mais a sério". Este livro é, não obstante, uma excelente introdução. Inspirou-me a procurar descobrir mais sobre Frida Kahlo, sobre a sua obra e sobre o que sofreu ao longo da sua vida.
O livro é mágico, maravilhoso.
5/5
Podem comprar uma outra edição, em português, aqui.





