Por José Reinaldo do Nascimento Filho
Lembram do post sobre o filme Mary and Max, no qual escrevi que “os bons deveriam ser mais intransigentes”? Pois bem, venho com mais uma prova de que os bons filmes estão, cada vez mais, escassos; ou melhor, “os bons” estão escassos (ou será que estamos procurando “os bons/filmes” em lugares errados? Dúvida cruel).
Assisti nessa manhã o filme tão amado pelo meu irmão Leonardo: Crepúsculo dos Deuses, de Billy Wilder. Levando três estatuetas (melhor roteiro, melhor trilha sonora e melhor direção de arte), o filme – narrado em flashbacks por um morto -, conta a história de um jovem roteirista (perfeita interpretação de William Holden), desempregado e endividado, que, ao fugir de alguns credores, esconde-se na garagem de uma mansão – aparentemente abandonada – no Sunset Boulevard, em Hollywood. No entanto o casarão é habitado por nada menos que Norma Desmond (mais do que genial interpretação de Gloria Swanson) – antiga estrela do cinema mudo – e o mordomo Max (Erich Von Stroheim, outra grande atuação). Com o pretexto de contratar Gillis para aperfeiçoar um roteiro seu – com o qual pretende fazer uma volta triunfal -, Norma, praticamente, “aprisiona” o jovem em seu “museu” (escrevo museu porque sua casa está infestado de “cultura material” que remete aos tempos gloriosos da carreira da “estrela”, Norma), fazendo dele seu “amante”. Pressionado Gillis deixa-se comprar pela estrela, sem, no entanto, deixar de sentir grande repulsa por ela. No decorrer do filme ele se envolve com uma linda secretária/roteirista, fazendo-o mudar de planos quanto a permanente estadia na mansão. Suas reflexões levam a acreditar que será melhor abandoná-la (Norma), levando o filme a um desfecho trágico e memorável. Quanto ao “resto” da vida de Norma Desmond: assistam ao filme.
Uma das frases clássicas (“UMA DAS”) do filme acontece logo no primeiro contanto entre Gillis e Norma:
“Norma Desmond! Você era uma grande atriz do cinema mudo”.
“Eu sou grande, os filmes é que ficaram pequenos!”
