Avisos de Conteúdo: Manipulação, Morte,
Violência, Tortura, Cenas Explícitas
A proximidade entre a realidade e a ficção pode ser entusiasmante e angustiante, visto que há retratos sociais e políticos que não queremos viver, porque nos retiram o que temos de mais valioso: a liberdade. Além disso, não deixa de ser assustador, quando o poder cega os lideres, toldando a sua capacidade de comando. É por isso que usar a voz da literatura para expor estes contextos pode levar a que os exemplares sejam banidos. Exemplo disso é o livro de George Orwell.
«Era até concebível que observassem toda a gente em permanência»
1984 é uma crítica evidente aos regimes totalitários e às demonstrações excessivas de poder. E foi «imediatamente censurada nos Estados Unidos, por ser considerada pró-comunismo. Em contrapartida, na União Soviética, foi banida por ir contra o regime de Estaline». Atendendo a que o tema de maio para Uma Dúzia de Livros era livros proibidos, a minha escolha foi óbvia. Portanto, aventurei-me nesta narrativa intensa, que despoletou, em mim, sentimentos contraditórios.
«Quando não há testemunhos exteriores que possamos tomar como ponto
de referência, até os contornos da nossa própria vida perdem nitidez»
O desenrolar da ação coloca-nos em confronto com inúmeras questões. Não só porque nos faz questionar comportamentos, valores e pensamentos, mas também porque demonstra o quanto somos falíveis e suscetíveis de sermos manipulados. Por outro lado, abre-nos as portas de um mundo que já não é assim tão distópico, no qual é notório que a obediência de um povo só acontece pelo medo que o mesmo sente. Assim, é necessário lutar pela sobrevivência. É preciso duvidar e resistir. Mal qual será o custo dessa atitude? E será que é uma opção viável?
«Nenhuma emoção era pura, pois em tudo se infiltrara o medo e o ódio»
Nesta viagem inter e intrapessoal, a mente humana revela-se um objeto de estudo fascinante, porque vamos desconstruindo limites, consentimentos e a empatia pelos nossos pares. Inclusive, opõe-se a emoção à racionalidade, porque o controlo é tão sufocante, que as pessoas parecem perder o foco de quem são, ocultando sentimentos e subjugando-se a algo, aparentemente, maior do que elas. E é neste clima de opressão que vamos refletindo sobre o privilégio de sermos livres - ainda que nos questionemos se o somos, ou não, na totalidade.
«Neste momento, não é viável qualquer forma de revolta física»
1984 coloca uma bandeira na democracia e no quanto é crucial o pensamento. Porque, sem ele, ficamos à mercê de terceiros. Estabelecendo uma ponte com o passado e servindo como um grito de alerta para o futuro, confesso que o final desiludiu-me. Entendo-o, mas acredito que aquele passo de resistência merecia outro desfecho.
«Como é que posso não ver o que tenho diante dos olhos?»
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