Prêmio Nobel de Literatura

8 textos neste tema

Diga lá outra vez, caríssimo "jornalista"...

Fonte: Ler por Aí | Publicado em: 2016-10-13 00:00

Prémio Nobel da Literatura, Crítica literária, Definição de literatura, Bob Dylan

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Texto originalmente publicado em Ler por Aí

A TERAPEUTA E O ADMIRADOR DE MILOSEVIC

Fonte: Da Literatura - Eduardo Pitta | Publicado em: 2019-10-01 00:00

Prêmio Nobel de Literatura, Crítica literária, Escândalo Academia Sueca, Política

Foram hoje atribuídos os prémios Nobel da Literatura relativos a 2018 e 2019.

Olga Tokarczuk, polaca, 57 anos, antiga terapeuta, venceu o de 2018. A sua escolha prova que o Nobel da Literatura não é para levar a sério.

Peter Handke, austríaco, 76 anos (em Dezembro fará 77), romancista, contista, ensaísta, dramaturgo, argumentista e cineasta bissexto (colaborou com Wim Wenders), venceu o de 2019. Handke é conhecido pelo seu apoio ao nacionalismo sérvio de extrema-direita. Para escândalo das nações civilizadas, discursou no funeral de Slobodan Milošević. A imprensa nórdica considera-o fascista. A sua candidatura ao Prémio Heinrich Heine, em 2006, teve que ser retirada. E, em 2014, a atribuição do Prémio Internacional Ibsen provocou demissões no júri, foi condenada pelo PEN norueguês, e levou Bernt Hagtvet, professor emérito de ciência política da Universidade de Oslo e membro da Academia Norueguesa de Ciências e Letras, a considerar a decisão «um escândalo sem precedentes».

Este ano, a Academia sueca convidou cinco “especialistas externos” para, juntamente com os académicos, participarem na escolha. Em 2020 também será assim. Os convidados foram dois escritores (Gun-Britt Sundström e Kristoffer Leandoer) e três críticos literários: Mikaela Blomqvist, Henrik Petersen e Rebecka Kärde. Ms Kärde tem 27 anos.

Como se recordam, o Nobel da Literatura foi cancelado após o escândalo que envolveu a poeta sueca Katarina Frostenson, o membro mais influente da Academia Real, casada com o fotógrafo francês Jean-Claude Arnault, acusado de assédio sexual por dezoito mulheres (e de ter violado duas), além de alegadamente ter vendido informação da Academia a casas de apostas.

Ao fim de seis meses de rumores, o escândalo rebentou em Novembro de 2017, levando à demissão voluntária de vários membros da Academia, que ficou sem quorum. A eleição de novos membros esteve bloqueada durante um ano, mas o rei Carlos XVI Gustavo empenhou-se pessoalmente em resolver o litígio que só ele podia resolver. Tudo ficou resolvido em Março passado.

Entretanto, por decisão do Tribunal de Recurso de Estocolmo, Jean-Claude Arnault foi condenado a 30 meses de prisão efectiva, pela violação de duas mulheres, em instalações da Academia. Já este ano, a poeta Katarina Frostenson aceitou demitir-se, mas vai receber uma tença mensal vitalícia, embora tenha ficado provado que, durante vários anos, passou ao marido informação confidencial sobre os nomeados mais importantes e o nome do “escolhido”.

Anders Olsson, escritor, crítico literário, membro da Academia e seu secretário-geral, anunciou a intenção da Academia abandonar a perspectiva eurocêntrica e “masculina” na escolha dos laureados.

Nas imagens, Tokarczuk e Handke. Clique.

Texto originalmente publicado em Da Literatura - Eduardo Pitta

1440) O Prêmio Nobel alternativo (25.10.2007)

Fonte: Mundo Fantasmo | Publicado em: 2009-12-01 00:00

Prêmio Nobel de Literatura, Crítica Literária, Ted Gioia, Cânone Literário, Academia Sueca



(Ted Gioia)

O escritor Ted Gioia criou uma página em seu saite propondo uma questão que muita gente já se propôs: e se os vencedores do Prêmio Nobel, em vez de terem sido aqueles sujeitos obscuros que contemplamos nas estantes, tivessem sido os autores que hoje qualquer leitor mediano conhece e admira? Gosto não se discute, claro, mas a lista feita por Gioia de 1901 até 2007 nos propõe mudanças tão óbvias que chegamos a nos perguntar: “Ora, e não foi assim não?...” Começa pelo começo: em vez de Sully Prudhomme, o primeiro ganhador, teríamos Leon Tolstoi. Em 1902, em vez de Theodor Mommsen ele sugere George Meredith (pra mim, confesso, é trocar seis por meia dúzia). Mas em 1903, em vez do impronunciável Bjornstjerne Bjornson o vencedor seria Anton Tchecov; depois, em vez de Frederic Mistral e José Echegaray, venceria Julio Verne; e em 1905, em vez do Henryk Sienckewicz de Quo Vadis, o premiado teria sido Henrik Ibsen, o dramaturgo de Casa de Bonecas.

Gioia leva em conta os regulamentos do Prêmio (o autor tem que estar vivo), e os premiados que ele sugere são autores que no ano em questão já tinham uma obra consolidada e conhecida, e seriam candidatos legítimos. Não vou comentar todos os nomes (que podem ser vistos em: http://www.greatbooksguide.com/NobelPrize.html). Mas me parece que seria mesmo mais justo ter premiado Mark Twain em vez de Giosuè Carducci (1906), Henry James em vez de Maurice Maenterlinck (1911), Sigmund Freud em vez de Verner von Heidenstam (1916), Franz Kafka em vez de Jacinto Benavente (1922), Conan Doyle em vez de Grazzia Deledda (1926), G. K. Chesterton em vez de Erik Axel Karlfeldt (1931)... Não parece óbvio?

Gioia não é totalmente crítico da Academia Sueca. Muitos premiados reais são endossados por ele, como Rudyard Kipling (1907), W. B. Yeats (1923), George Bernard Shaw (1925), T. S. Eliot (1948), William Fulkner (1949)... E aqui para nós tem umas sugestões dele que eu não concordo: eu não tiraria o Nobel de Herman Hesse (1946) para premiar Hermann Broch, nem o de Bertrand Russel (1950) para dá-lo a Wittgenstein, como ele sugere.

O mais divertido é quando a lista vem se avizinhando da época atual, porque as sugestões de Gioia ficam menos convencionais. Ele sugere que em vez do poeta Derek Walcott (1992) a Academia deveria ter premiado Bob Dylan, e que em vez de Odysseus Elytis (1979) o prêmio deveria ter ido para Philip K. Dick. Premiar Hunter S. Thompson em vez de Dario Fo (1997) é uma sugestão divertida, porque o próprio Dario Fo já parece uma idéia de Gioia.

Perda de tempo, ficar discutindo isto? Não acho. Um Nobel, além do milhão e meio de dólares que concede ao premiado, premia também uma cultura, um gênero literário, um país, um mercado editorial. Ajuda a moldar e direcionar o rumo da literatura, mesmo quando o premiado se dissolve em anonimato poucos anos depois. (Alguém sabe quem foi Halldor Laxness? Foi o cara que ganhou em 1955, em vez de Bertolt Brecht).





Texto originalmente publicado em Mundo Fantasmo

CANDIDATURA

Fonte: Da Literatura - Eduardo Pitta | Publicado em: 2018-01-01 00:00

Prémio Nobel da Literatura, Academia das Ciências de Lisboa, Literatura Portuguesa

Passou despercebida a notícia de que a Academia Sueca pediu formalmente à Academia das Ciências de Lisboa a indicação de um candidato ao próximo Prémio Nobel da Literatura: «Em nome da Academia Sueca [...] temos a honra de vos convidar a nomear, por escrito, um candidato (ou candidatos) ao Prémio Nobel da Literatura para o ano de 2018.» O primeiro subscritor da carta, datada de Novembro, é Per Wästerberg, chairman do Comité Nobel.

Assim, no passado dia 11, os membros da Classe de Letras da Academia de Ciências de Lisboa indicaram os nomes de Manuel Alegre, o mais votado, e Agustina Bessa-Luís. Tirando o Expresso e a revista Sábado, não vi a notícia em mais lado nenhum.

Os candidatos ao Nobel não são propostos pela opinião pública, nem pelas redes sociais, nem pelos media, nem por associações e lobbies corporativos, nem por campanhas agressivas de marketing. São propostos por antigos laureados, por Academias nacionais ou instituições de prestígio irrefutável. E até pode não existir proposta e o Comité Nobel saber exactamente o que quer. O resto é ruído.

Texto originalmente publicado em Da Literatura - Eduardo Pitta

NOBEL DA LITERATURA

Fonte: Da Literatura - Eduardo Pitta | Publicado em: 2020-10-01 00:00

Prêmio Nobel de Literatura, Crítica literária, Geopolítica cultural, História da literatura

Atribuído desde 1901 pela Academia Sueca, o Nobel da Literatura ignorou autores do quilate de Lev Tolstoi (1828-1910), Marcel Proust (1871-1922), Robert Frost (1874-1963), Virginia Woolf (1882-1941), James Joyce (1882-1941), Franz Kafka (1883-1924), Jorge Luis Borges (1899-1986), Vladimir Nabokov (1899-1977), Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), Simone de Beauvoir (1908-1986), John Updike (1932-2009), Philip Roth (1933-2018) e outros. Cito apenas uma dúzia de mortos inquestionáveis.

Pode-se levar isto a sério? Pode, mas não do ponto de vista da Literatura. A geopolítica é determinante, mas também os idiomas dominantes, a militância de causas, o ar do tempo (vejam-se os prémios atribuídos durante a Guerra Fria), o poder dos lobbies transnacionais, etc. O resto não conta.

O gráfico ilustra bem a realidade. Clique.

Texto originalmente publicado em Da Literatura - Eduardo Pitta

LITERATURA SEM NOBEL?

Fonte: Da Literatura - Eduardo Pitta | Publicado em: 2018-04-01 00:00

Academia Sueca, Prêmio Nobel de Literatura, Sara Danius, Escândalo

Sara Danius, secretária permanente e porta-voz da Fundação Nobel, demitiu-se ontem na sequência da demissão de Katarina Frostenson, poeta, membro da Academia Sueca, casada com o fotógrafo Jean-Claude Arnault, acusado de assédio sexual por dezoito mulheres. O escândalo rebentou em Novembro, e o apoio de Sara Danius a Katarina Frostenson levou à demissão, a semana passada, de três membros da Academia. Agora que Katarina bateu com a porta, Sara foi forçada a fazer o mesmo. O busílis é que a Academia ficou sem quorum para decidir sobre o Nobel da Literatura. A eleição de novos membros está vedada enquanto não for resolvido o processo que opõe dois membros (ausentes das votações dos últimos anos) à direcção da Academia. O rei Carlos XVI Gustavo acompanha a situação de perto.

Na imagem, Sara Danius. Clique.

Texto originalmente publicado em Da Literatura - Eduardo Pitta

NOBEL DA LITERATURA, KAPUTT

Fonte: Da Literatura - Eduardo Pitta | Publicado em: 2018-05-01 00:00

Nobel da Literatura, Academia Sueca, Jean-Claude Arnault, Escândalo literário

É oficial. Este ano não haverá Nobel da Literatura. A Academia Sueca ficou sem quórum depois da última demissão e, por esse motivo, o prémio não pode ser atribuído. O impasse resulta do facto de, embora demissionários, os membros da Academia não poderem ser substituídos enquanto forem vivos. O rei Carlos XVI Gustavo está disposto a mudar o estatuto da Academia, mas isso não se fará em tempo útil. Portanto, em 2018, não há nada para escritores.

Lembrar que tudo começou em Novembro do ano passado, com o escândalo que envolve o fotógrafo Jean-Claude Arnault, marido da poeta Katarina Frostenson, um dos membros mais proeminentes da Academia. Arnault é acusado de assédio sexual por dezoito mulheres, estando há seis meses no centro de uma batalha judicial, mas, indiferente à controvérsia, Katarina Frostenson só se demitiu há poucas semanas.

Texto originalmente publicado em Da Literatura - Eduardo Pitta

Curiosidades Livrescas – Nobel da Literatura

Fonte: Ministério dos Livros | Publicado em: 2025-10-22 08:00

Prémio Nobel da Literatura, estatísticas, curiosidades

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Hoje deixo-vos algumas curiosidades, em número, sobre os vencedores do Prémio Nobel da Literatura desde 1901. 

Texto originalmente publicado em Ministério dos Livros