Nelson Rodrigues

26 textos neste tema

O universo rodrigueano segundo Ruy e o próprio Nelson

Por: cortinasabertas

Fonte: cortinas abertas | Publicado em: 2013-06-03 01:58

Literatura brasileira, Nelson Rodrigues, Teatro, Biografia, Comportamento e sociedade, Crônicas

Mariana M. Braga

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Lá vem Nelson Rodrigues de novo. O motivo não é ele ser meu tema de pesquisa há dois anos, mas a importância do grande escritor para a cena brasileira e, cada vez mais, para a cena mundial. Outro grande escritor, o Ruy Castro, que fez a biografia de Nelson (O Anjo Pornográfico), brincou de psicografar uma entrevista com seu biografado. Encontrei tudo isso no Iátrico, uma revista do CRM-PR recomendada pelo meu tio Carlos Ehlke Braga Filho. Digitei o texto inteirinho aqui porque vale a pena conferir a brincadeira do Ruy, que nada mais é do que uma repassagem pelas famosas frases e pelos pensamentos rodrigueanos encontrados nos textos de diversos gêneros do homem que criou a “tragédia carioca”. Para entender o teatro rodrigueano é preciso entrar na dimensão de suas ideias.  A entrevista criada pelo Ruy é uma ótima introdução. Também recomendo o livro Nelson Rodrigues – Por ele mesmo (Ed. Nova Fronteira), com crônicas dele selecionadas pela filha, Sônia Rodrigues, e uma seleção de frases ao final. É um ótimo aperitivo sobre o universo rodrigueano.

Não se esqueça de que nunca se deve ler Nelson ao pé da letra: entender sua ironia é essencial. De todas as “aberrações” e do seu “teatro desagradável”, Nelson extrai poesia. Boa leitura!!

Outro dia, fui de madrugada a um terreno baldio aqui no Rio. Enquanto uma cabra vadia comia a paisagem, baixou-me o Sobrenatural de Almeida e, com o olho rútilo e o lábio trêmulo, psicografei esta entrevista com Nelson Rodrigues. Ele não fugiu de nenhuma pergunta. E o que eu mais gostei foi de ver como todas as suas respostas soavam igualzinho às frases que eu já tinha lido nos seus contos, romances, peças, memórias e crônicas.

Ruy – É verdade mesmo que toda mulher gosta de apanhar?

Nelson – Todas, não – só as normais. O homem é que não gosta de bater.

Bater resolve?

O pior na bofetada é o som. Se fosse possível uma bofetada muda, não haveria ofensa nem abjeção, nada.

Por que você era obcecado pela fidelidade conjugal?

Porque em todo casal há sempre um infiel. É preciso trair para não ser traído.

Mas isso é batata?

Não existe família sem adúltera.

Existe o amigo fiel?

O amigo nunca é fiel. Só o inimigo não trai nunca. O inimigo vai cuspir na cova da gente.

O que é importante no casamento?

O sexo é o de menos. O que vale é a humildade capaz de beijar os pés e o chão.

Como você definiria o ato sexual?

O ato sexual é uma mijada.

Mesmo no casamento?

O amor entre marido e mulher é uma grossa bandalheira. É abjeto que um homem deseje a mãe dos seus próprios filhos.

Entre o desquite e a traição, o que é preferível?

A traição, mil vezes a traição.

Mas por que não acabar com um casamento que não tem nada a ver?

Porque o casamento já é indissolúvel de véspera.

O que é preciso para salvar um casamento?
O cinismo. (risos) É preciso muito cinismo para que um casal chegue às bodas de prata.

Quem pensa mais em sexo, o homem ou a mulher?

A mulher é mais pornográfica que o homem.

Como assim?

Toda mulher que se ruboriza facilmente é sensual.

Mas isso é uma loucura!

A prostituta só enlouquece excepcionalmente. A mulher honesta, sim, é que, devorada pelos próprios escrúpulos, está sempre no limite, na implacável fronteira.

Então o negócio é a fidelidade feroz?

Não. Deus me livre da virtude ressentida, da fiel sem amor.

Você acha mesmo?

Acho. Certas mulheres precisam trair para não apodrecer.

Quer dizer que não há saída?

Se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros ninguém cumprimentaria ninguém.

As mulheres reagem de acordo com a classe social a que pertencem?

Não. Qualquer mulher é suburbana. A grã-fina mais besta é chorona como uma moradora do Encantado ou de Del Castilho.

Existe a mulher fria?

Ou a mulher é fria ou morde. Sem dentada não há amor possível.

Há muitas diferenças entre o Brasil de hoje e o de vinte anos atrás?

O desenvolvimento trouxe um medonho estímulo erótico. Nunca o brasileiro foi tão obsceno. Vivemos uma fase ginecológica.

Por falar nisso, em todas as suas histórias havia um ginecologista. Por que essa fixação?

Todo ginecologista devia ser casto. O ginecologista devia andar de batina, sandálias e coroinha na cabeça. Como um São Francisco de Assis, de luva de borracha e um passarinho em cada ombro.

Qual é a idade ideal da mulher?

Todas as mulheres deviam ter quatorze anos.

E a do homem?

As paixões mais sinceras do homem são dos seis aos dez anos.

Então essa é a idade ideal???

Não, porque, antes dos trinta anos, o homem não sabe nem como se diz bom dia a uma mulher. E, depois dos cinquenta, o sujeito só tem paixões de ópera, de Vicente Celestino, de primeira página de O Dia e de A Luta Democrática.

Por que você era contra o biquíni?

Porque o biquíni é a nudez pior que a nudez.

E o decote? Não era uma coisa meio fora de moda preocupar-se com isso?

Um vago decote pode comprometer ao infinito. Só o ser amado em o direito de olhar um simples decote.

Mangas cavadas também?

A exposição de axilas, fora do local e do momento próprios, é uma degradação.

Bem, pelo visto, isso deixou de ser um problema, não? Está todo mundo nu por aí.

(suspirando) A nudez feminina perdeu todo o suspense e todo o mistério. Vivemos a mais despida das épocas.

O sexo impõe alguma objeção física?

Aos magros, sim. Os magros só deviam amar vestidos, e nunca no claro. Além disso, todo canalha é magro. Já os gordos são de uma mansidão bovina.

E para as mulheres?

A única nudez realmente comprometedora é a da mulher sem quadris.

Existe o amor eterno?

Todo amor é eterno. Se não é eterno, não era amor.

E isso tem valor para os dois?

Sim. O amor não deixa sobreviventes.

Então, o amor é uma impossibilidade?

Absolutamente. É o amor que impede o homem de trotar pela avenida Presidente Vargas, montado por um Dragão da Independência. Um Dragão de Penacho.

O dinheiro compra o amor?

O dinheiro compra tudo. Até amor verdadeiro.

E o pecado?

O pecado é anterior à memória. E já existia quarenta mil anos antes do Paraíso.

E o ódio, existe?

A pior forma de ódio é o ex-amor. Ninguém perdoa aquele ou aquela que deixou de ser amado.

Para finalizar: como você explica a sua famosa frase “Toda unanimidade é burra”?

Porque quem pensa com a unanimidade não precisa pensar.

(Revista Florense in Revista Iátrico, n. 31. 26-28)

Texto originalmente publicado em cortinas abertas

A peça Anjo Negro como ela tinha de ser

Por: cortinasabertas

Fonte: cortinas abertas | Publicado em: 2012-08-20 04:33

Teatro, Nelson Rodrigues, Análise teatral, Cia. Teatro Mosaico, Dramaturgia brasileira

A Cia. Teatro Mosaico traz aos palcos uma montagem digna de uma peça rodrigueana

Mariana M. Braga

foto: divulgação

Entramos no teatro e damos de cara com as cortinas já abertas e os atores em cena, fazendo a ambientação da peça, enquanto alguns espectadores se ajeitam nas cadeiras e os últimos a chegar compram seus ingressos. Assim foram uns dez minutos de contato com os atores antes mesmo de a peça começar. Isso me incomodou, porque faltou aquele impacto gostoso de quando a peça começa do nada, mas o diretor Sandro Lucose explicou em uma conversa depois da peça que isso se deve ao fato de eles se apresentarem em tipos de teatros diferentes e espaços alternativos. Ele defendeu também que essa abertura faz parte do aquecimento e da ambientação dos atores e que se passaria com as cortinas abertas ou não.

O terceiro sinal, pelo menos nesta apresentação, não tocou e nem combinaria com a cena que já tinha começado.  Dali em diante, o palco se tornou pleno de uma digna peça mítica de Nelson Rodrigues, segundo a classificação de Sábato Magaldi, com cantigas afro-brasileiras, populares, católicas, num sincretismo tipicamente brasileiro, que combina com o tom que o dramaturgo deu especialmente a essa peça. Segundo os membros do Teatro Mosaico, nesta montagem a companhia apresentou um grande crescimento no que diz respeito às influências em sua base, desde a dança e a música contemporânea, que estiveram claramente presentes em personagens como as primas virgens de Virgínia, até o cenário de Antônio de Pádua.

Ele  abriu mão dos detalhes realistas apresentados no texto e investiu em uma estrutura de ferro que simboliza a cama, tão importante e polêmica na obra rodrigueana e principalmente nessa em questão, em que ela representa ao mesmo tempo violação, amor, ódio, nascimento e morte. A mesma estrutura se desdobra em outras funções,principalmente em casa e mausoléu. Um cenário simples que valoriza a ação e a agilidade dela.

E fazendo jus à qualidade dramática de Anjo Negro, os atores demonstraram ter maturidade e  sensiblidade de sobra. Joana Seibel no papel de Virgínia, nada delicada e com sua voz forte, que intensifica tanto sua agressividade quanto seu desespero, encaixou-se perfeitamente ao papel, acabando com a falsa impressão que a personagem pode passar numa breve leitura do texto de ser uma mocinha de história de amor. Os atores fizeram personagens extremamente humanos, assim como manda o grande Nelson Rodrigues. E é exatamente neste exagero, nestas emoções sempre no auge, nos gestos grandes, mas não falsos, e nas palavras ditas com a força que merecem que o Teatro Mosaico faz uma montagem em que Anjo Negro realmente se faz obra de teatro e não apenas um texto literário. Não que um seja melhor do que o outro, mas são diferentes, e uma boa peça de teatro exige contextos que sejam reais nas suas paixões e nos sentimentos, mesmo que os gestos e a ação não sejam realistas.

Mais uma vez eu falo das peças do Nelson reforçando que o dramaturgo sempre quis retratar o homem em eterno conflito entre seus desejos e a sociedade que o cerca. Cada personagem vive esta dualidade e muitos deles enlouquecem com isso. As personagens igualmente mascaradas que participam do enterro do terceiro filho morto e fazem o coro durante a peça representam a opinião pública e a ideia de sociedade. As primas virgens de Virgínia agem em cena como cadelas no cio, desesperadas pelo desejo que as consome internamente.  A maquiagem, o figurino, o corpo e os gestos delas apresentam seres incorformados, sexualmente infelizes. Acredito que em alguns momentos os movimentos das artizes para representar o ato sexual são exagerados, porque roubam cena, mas não vou ficar muito nesse ponto porque, quando se trata de uma peça rodrigueana, o exagero nunca é demais.

Todos os elementos da montagem , desde o s figurinos, muitos deles bem desenhados, mas nem por isso barrocos, à iluminação crua e objetiva, todos contribuíram para uma apresentação muito rodrigueana, onde o amor e o ódio coexistem, assim como a virgindade e a promiscuidade, as regras e o desejo de liberdade, a vida e a morte. Em Anjo Negro em especial, também temos outro “par de opostos” – segundo os preconceitos que eram ainda maiores em meados da década de 1940, quando a peça foi escrita : o negro e o branco.

E o efeito dessa apresentação é visualmente diferente daquele que se encontrava nas plateias da época das primeiras peças do Nelson: com vaias, tiros, xingamentos, pessoas saindo indignadas do teatro antes de a peça acabar. Como hoje o dramaturgo é admirado no país e sua obra melhor compreendida, depois da última cena as palmas ecoaram no teatro do Sesc da Esquina. Mas psicologicamente o efeito rodrigueano ainda não mudou muito. Fora do teatro ouvi comentários ainda assustados dos espectadores com tanta cena de morte e sexo. Mas é melhor que seja assim. Nelson ficaria muito triste se só houvesse elogios. Assim ele não estaria passando sua mensagem.

MARIANA MARCONDES BRAGA

ANJO NEGRO – 19 de agosto

TEATRO MOSAICO

Texto: Nelson Rodrigues / Direção de Produção: Sandro Lucose / Assistente de Produção: Lauro Simão / Elenco: Deo Garcez, Celso Gayoso, Dani Ornellas, Daniela Leite, Genival Soares, Joana Seibel, Beatriz Napolitany, Milena Machado, Sandro Lucose, Raquel Mutzemberg, Rany Carneiro, Venício Souza / Direção de movimentos: Elka Victorino / Cenografia: Antônio de Pádua / Figurino: Pedro Lacerda / Maquiagem: / Direção musical: Genival Soares / Iluminação: César Germano  / Programação Visual: Maurício de Oliveira / Operação de áudio: Ricardo Porto / Operação de Luz: Lourivaldo Rodrigues / Costureira: Iolanda Silveira / Fotos e vídeo: Maurício Oliveira / Webdesign: Fabian Carlos / Técnico de luz: César Germano

Para saber mais sobre o texto, leia o artigo Anjo Negro: uma obra-prima de Nelson, o anjo pornográfico

Texto originalmente publicado em cortinas abertas

FTC – Valsa n. 6 contada por 3

Por: cortinasabertas

Fonte: cortinas abertas | Publicado em: 2014-04-03 16:44

Mariana M. Braga

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Fui ver a Valsa n. 6, de Nelson Rodrigues, na direção de Marcus di Bello, da Companhia do Elefante, no Festival de Curitiba. Criei expectativas sobre a peça desde que vi que ela estaria em cartaz dentro do Fringe. A Valsa foi a última peça em que atuei e que codirigi com Fernanda Vilar em uma temporada na École Normale Supérieure de Lyon, na França. Nelson Rodrigues foi meu tema de pesquisa nos dois anos de mestrado, dentro de um projeto pessoal e profissional de tornar as peças rodrigueanas mais conhecidas no país dos queijos e vinhos. Por isso criei o site nelsonrodrigues.fr, realizei a peça em Lyon e dei uma palestra em Paris durante um evento em comemoração ao centenário do autor. Tudo isso para explicar a razão que me levou a criar expectativas sobre essa montagem da minha peça rodrigueana preferida.

Quando entrei no espaço da Casa Hoffmann e encontrei as atrizes já em cena, de vestido branco e com o rosto dentro de uma máscara e penduradas por um véu, poucos objetos em cena e um pano branco translúcido ao fundo, tive a sensação de que não iria me decepcionar. Era uma atmosfera de Valsa n. 6, muito parecida com a que Fernanda Vilar e eu criamos ano passado e, mais do que isso, que combina com o texto de Nelson Rodrigues.

Na nossa montagem em Lyon, a personagem Sônia foi interpretada por duas atrizes, de forma a tornar mais evidente a distinção entre o lado mulher e o lado menina da jovem assassinada que ainda não se descobriu morta. Na montagem da Cia. do Elefante são três atrizes, também vestidas da mesma forma. A divisão de falas entre três pessoas torna o texto mais fluído, já que o monólogo é um retalho de diversas intenções que se intercalam em contextos desconexos, refletindo as dúvidas de uma menina que não entende quem e o que ela é.

Sobre essa divisão da Sônia em três, fica minha única crítica negativa à peça: ao final, depois da impactante fala “O morto nem sabe que morreu” – que para mim é a frase que simboliza e justifica toda a peça -, as atrizes se apresentam dizendo seus nomes, afirmando que elas viveram Sônia e que esta foi assassinada. Parece uma forma didática que explica o texto rodrigueano e desfaz o nó que sua complexidade nos deixa na cabeça. Ainda assim, eu tiraria esse fim escolhido pela Cia. do Elefante, porque o final escolhido por Nelson é suficiente para a compreensão do texto e finaliza uma reflexão interessante sobre a morte. E, ainda que uma parte do público não entenda esse ponto da peça ou não perceba que as três atrizes vivem a mesma Sônia, acho que é melhor deixar o espectador refletir sozinho sobre isso e entender como tiver que entender, já que a arte é tão subjetiva na sua produção quanto na sua recepção.

Fora esse meu ponto bem particular, o espetáculo está lindo. As atrizes transmitem as mais diversas e controversas emoções da personagem, transitando entre elas com naturalidade, sem cortes bruscos.

Alguns recursos de direção são muito interessantes: um megafone que uma das Sônias utiliza atrás do pano translúcido, cantando músicas infantis e dando risada, enquanto as outras Sônias atuam diante do público. Foi uma ótima solução para a proposta do texto do Nelson de dar lances de memórias da infância à jovem que, numa fase de transição, também se comporta como mulher.

Apesar de Nelson descrever a presença de um piano que Sônia toca diversas vezes ao longo da peça, já que a personagem foi morta enquanto tocava a Valsa n. 6, de Chopin, na montagem da Cia. do Elefante as atrizes não se sentam para tocar em nenhum momento e não há nada que o represente além de um pequeno instrumento com as teclas de um pianinho. A própria valsa toca poucas vezes ao longo dos 50 minutos de peça. Mas isso não é um problema, apenas uma opção da direção e que de nada atrapalhou o entendimento da trama rodrigueana. Na montagem que eu e Fernanda fizemos, os pianos eram invisíveis, mas tinham lugares fixos e os tocávamos todas as vezes citadas no texto. Essa comparação serve apenas para uma prazerosa constatação de que a direção é uma arte muito subjetiva e há inúmeras maneiras de transmitir um mesmo texto.

Da nossa montagem na França, uma crítica negativa que nos fizeram foi o uso de lanternas, que utilizávamos para dar mais movimento de luz em cena, já que não tínhamos muitos recursos. As lantenas também destacam o rosto pálido da Sônia morta. Também as utilizamos nos momentos de interação com o público. Na montagem da Cia. do Elefante as atrizes também lançaram mão de lanternas e, agora como espectadora, vejo que o efeito é realmente lindo. Elas são um recurso realmente complicado porque podem poluir a cena, mas para esse monólogo de Nelson Rodrigues parecem feitas sob medida, assim como o vestido branco e o véu.

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Para quem não pôde ver a peça no Fringe, acompanhe o trabalho do grupo pelo Facebook.

Texto originalmente publicado em cortinas abertas

Uma história do Brasil e do Nelson contada por franceses – sobre Fleur d’Obsession

Por: cortinasabertas

Fonte: cortinas abertas | Publicado em: 2013-07-14 19:07

Teatro, Nelson Rodrigues, Cultura Brasileira, França, Adaptação teatral, Fleur d’Obsession

Mariana M. Braga

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Eu já deveria ter feito esse texto em novembro do ano passado, mas a correria me impediu naqueles dias e depois parecia que a pauta já estava ultrapassada. Até que esses dias eu li uma crítica sobre Fleur d’Obsession no blog La Jaseuse. Trata-se de um olhar francês sobre a peça inspirada na obra de Nelson Rodrigues, dirigida pela brasileira Flávia Lorenzi e interpretada por uma trupe de jovens estudantes franceses. A estreia foi no ano passado, durante o festival em homenagem ao centenário do Nelson Rodrigues, do qual participei com uma conferência. Eles reapresentaram a peça no Théâtre de Verre em maio deste ano e a crítica da francesa eu traduzi para o blog The Worldly Words (eu coloco logo abaixo deste texto).

Por mais que o grande dramaturgo tenha 17 peças fantásticas, não é exagero inventar mais uma inspirada nas obsessões rodrigueanas. Fleur d’Obsession é um resumo poético da obra e da vida do autor, com extratos de algumas peças e alguns textos criados pela atriz Maïe Degove, além de algumas cenas que remetem à política e ao futebol brasileiro. Para uma brasileira em terra francesa, a festa da torcida e da seleção no vídeo projetado no palco, o barulho e a comemoração são de arrepiar e encher de saudade. Um gosto de Brasil na terra do vinho e do frio. E os atores franceses ainda se dedicaram a algumas falas em português.

Se a peça como um todo parece vir para situar o Brasil da época do Nelson, o contexto político do AI-5 e a paixão pelo futebol, de forma quase didática, algumas cenas inspiradas nas peças rodrigueanas são os pontos mais poéticos da peça e mais teatrais, onde a sensibilidade toma conta do palco e alguns dos elementos que tornam o teatro de Nelson tão encantador. Destaco a cena que se inspira na Valsa n. 6, o único monólogo do autor, em que três atrizes vivem alguns momentos da jovem Sônia e a coexistência da morbidez, da graça, da sensualidade e do pudor. As referências a Vestido de Noiva e O beijo no asfalto também são momentos de intensidade teatral.

Relacionar morte, vida, paixão, futebol, política e tantas peças rodrigueanas não é tarefa fácil, mas a direção de Flávia Lorenzi orquestrou bem esses elementos, costurando uma peça coesa. Os jovens atores são pura vida em uma descoberta encantada do mundo rodrigueano. Foi muito bom conversar com eles no dia da minha intervenção. Na plateia, uma senhora disse que já havia assistido a algumas peças do Nelson dirigidas pelo famoso Allain Olivier na França. São algumas sementinhas rodrigueanas plantadas por lá, que a Flávia Lorenzi continuou plantando e eu comecei a plantar em 2011. Grandes passos para o conhecimento sobre o Nelson, e sobre o Brasil, em terras francófonas também deram os tradutores, dentre eles a querida Angela Leite Lopes. Em todos os cantos do mundo pouco se sabe sobre o Brasil e apresentá-lo pela visão rodrigueana e pelos palcos é, no mínimo, interessantíssimo para quem começa a descobri-lo.

TRADUÇÃO DA CRÍTICA DE LA JASEUSE:

Refresco, memória e generosidade

Apresentada pela primeira vez no Teatro do Oprimido em 2012 durante o centenário de nascimento de Nelson Rodrigues (1912-1980), considerado o maior dramaturgo brasileiro, a criação da Compagnie Bruta Flor voltou no mês de maio durante alguns dias no Théâtre de Verre. Uma homenagem poética e vibrante ao fundador do teatro brasileiro moderno, a um homem apaixonado e a um artista engajado, muitas vezes censurado e hoje pouco conhecido na Europa.

Um cenário despojado iluminado por velas, um escritório velho com máquina de escrever. Oito jovens atores cheios de energia e generosidade revigorantes. Através de extratos de peças do próprio Rodrigues (Vestido de Noiva, Valsa n. 6, O Beijo no Asfalto), de suas memórias, e também de textos brilhantemente escritos pela jovem atriz Maïe Degove, o espectador descobre as paixões e obsessões deste homem raivoso. Dez obsessões, dez quadros. A morte, a família, o amor, o futebol, os cegos… O resultado poderia ser picado ou descosturado, mas não foi nada disso. Flavia Lorenzi dirigiu seus atores com exigência e precisão, a escrita é refinada e, apesar de uma sonoplastia às vezes muito presente e dramática, a vida e o universo do autor são costurados com sutileza e inteligência. Nós descobrimos o teatro de Rodrigues, um teatro voluntariamente chocante, mórbido, incestuoso, “desagradável” – segundo seus próprios termos. Um teatro que interpela, que fascina. Um mergulho louco e dançante no Rio dos anos 60, importado pelo vigor e talento de uma jovem trupe que promete. Um espetáculo que não pode ser ignorado.

Para saber mais sobre Nelson Rodrigues :  http://www.nelsonrodrigues.tk/ (www.nelsonrodrigues.fr)

Fleur d’Obsession a partir da obra de Nelson Rodrigues, com textos de Maïe Degove / Tradução de Angela Leite Lopes e Daphné Tresgots

Direção e adaptação Flavia Lorenzi Com Compagnie BrutaFlor : Alexis Cauvin, Fanny Mougel, Maïe Degove, Amandine Gilbert, Anne-Sarah Faget, Fabio Godinho, Laurianne Loisel et Chloé Julien-Guillet

Cenografia e figurino: Alexis Cauvin et Anne-Sarah Faget

Théâtre de Verre, 17 rue de la Chapelle (18e) M° Marx Dormoy

http://www.theatredeverre.fr

Texto originalmente publicado em cortinas abertas

‘Anjo Negro’: uma obra-prima de Nelson, o anjo pornográfico

Por: cortinasabertas

Fonte: cortinas abertas | Publicado em: 2012-08-13 11:46

Teatro, Nelson Rodrigues, Dramaturgia, Racismo, Literatura brasileira, Tragédia

             Fazendo a garimpagem de peças em cartaz para recomendar aos leitores da página Cortinas Abertas no Facebook, encontrei informações sobre a apresentação de Anjo Negro no Sesc da Esquina. Como minha dissertação na ENS de Lyon é sobre Nelson Rodrigues e eu de certa forma trabalho com a dramaturgia rodrigueana todos os dias, não podia deixar de contribuir com um pequeno resumo e breve análise da peça. Desculpem-me aqueles que não querem conhecer o final dela, mas em teatro a gente se surpreende mesmo sabendo o final, por isso os clássicos sempre estão em cartaz. Cheguei até o último ato para poder traçar a particularidade da peça em relação às mortes dos filhos do casal Ismael e Virgínia.

* Mariana M. Braga

 Anjo Negro, criada em 1946 e censurada em 1948, é uma peça que se encontra no grupo das peças míticas de Nelson Rodrigues, segundo a classificação de Sábato Magaldi. Com elas, o dramaturgo abriu mais espaço ao inconsciente primitivo, aos arquétipos e aos mitos ancestrais. Ele mesmo afirmou que este grupo de peças inaugura o seu teatro desagradável, aquele que o colocaria cada vez mais longe de conquistar o público. “E por que peças desagradáveis? Segundo já disse, porque são obras pestilentas, fétidas, capazes, por si só, de produzir o tifo e a malária na plateia”.

Como a maioria das peças rodrigueanas, ela evidencia as relações que acontecem no ninho familiar, onde o amor e o ódio coexistem. O diferencial desta peça é a questão racial, que representa a realidade de um país de passado escravagista e, portanto, de presente cheio de preconceitos. Importante para o teatro e a arte, este texto é também uma obra-prima literária e histórica e  por isso a leitura dele é exigida em diversos concursos públicos nacionais.

Em emoções extremas e intensas, a peça conta a história do casal Virgínia e Ismael, uma branca e um negro. Quando as cortinas se abrem, um coro informa que o terceiro filho do casal é morto e este fora afogado no tanque. Ao longo da peça descobrimos que a assassina é a própria Virgínia que não suportava ter filhos negros. Enclausurada na mansão em que vivia com Ismael, não podia ver nenhum branco e reclamava do fato de não suportar mais sentir o cheiro do marido pela casa toda.

Viver com ele não fora opção sua. Foi resultado de uma vingança de sua tia, com quem ela morava na infância, já que era órfã : como Virgínia se relacionou com o noivo de uma de suas primas, o que fez a jovem se suicidar, a tia fez Ismael violar sua sobrinha e os deixou na casa amaldiçoada.

O racismo não está presente apenas nas ações de Virgínia. O próprio Ismael não admite sua cor e culpa sua mãe por ser negro, além de ter inveja do irmão de leite Elias, que era branco, queimar seus olhos e cegá-lo. Um dia este visita Ismael para dar o recado de que a mãe dele queria rogar-lhe uma praga por ter sumido da vida deles de forma ingrata. A princípio Ismael não quer recebê-lo, mas depois de muita insistência, cede oferecendo-lhe um quarto longe de onde ficava Virgínia.

Ela fica sabendo, entretanto, que seu cunhado branco está hospedado na mansão e suborna a criada da família para que Elias venha até seu quarto. Sua intenção é fazer amor com ele para ter um filho branco e evitar a mestiçagem. Mais tarde, ela revela que queria se tornar mulher desse filho.

Através da tia de Virgínia, Ismael toma conhecimento da traição e decide se vingar. Para que ele não mate o futuro bebê, Virgínia mente e acusa Elias por toda a situação, o que faz com que Ismael o atire no rosto.

O terceiro ato nos traz uma surpresa irônica : em vez de um menino branco, Virgínia deu a luz a uma menina, Ana Maria, agora na adolescência. Cega pelo pai adotivo quando ainda era bebê, a menina é criada por Ismael ouvindo mentiras, como a de que ele é o único branco do mundo. Além disso, ela cria um medo da mãe, que Virgínia tenta apaziguar pedindo uma conversa com a filha.

Durante três dias ela conta verdades que Ana Maria acredita serem mentiras, enquanto que a filha revela ter perdido a virgindade com Ismael. Esse momento desestabiliza a mulher que começa a criar um sentimento de posse em relação a seu marido e a crer que o ama de verdade.

Ele fugiria com sua filha, mas Virgínia o convence que a menina só o ama porque crê nas mentiras que ele inventou. Assim o casal foge, deixando Ana Maria trancada num mausoléu. É um outro anjo que morre, reproduzindo esta maldição familiar, e o que resta é mais uma vez o primitivo casal.

O crítico e jornalista Sérgio Augusto os comparou aos personagens gregos : “Virgínia, a Medeia de marfim. Ismael, o Jasão de ébano”, tanto na questão de amor e ódio entre o casal, quanto no assassinato de suas crianças. Mesmo que existam relações entre o teatro rodrigueano e a tragédia grega, como os elementos “logro” e “fatalidade”, é difícil encaixar o dramaturgo em um gênero teatral específico. Também perpassam suas peças características diversas, como expressionistas, melodramáticas, cômicas, naturalistas, pirandellianas, farsescas, psicanalíticas, antropológicas. Como definiu sua obra Sábato Magaldi, ela tem uma dimensão enciclopédica, que permite diversas interpretações e direções.

MARIANA MARCONDES BRAGA

foto: divulgação

 A peça tem uma mise en scène criada para o 2º Festival Palco Giratório e a apresentação acontece no dia 19 de agosto, às 19h, no teatro SESC da Esquina. Os ingressos custam 6 reais (e 3 a meia-entrada, e gratuita para comerciários). R. Visconde do Rio Branco, 969, Centro, Curitiba, CEP: 80410001

Texto originalmente publicado em cortinas abertas

Valse n°6 : Nelson Rodrigues visita Lyon

Por: cortinasabertas

Fonte: cortinas abertas | Publicado em: 2013-09-26 17:39

Teatro, Nelson Rodrigues, Literatura Brasileira, Estudos Acadêmicos, Cultura Francesa, Lyon, Intercâmbio Cultural

Mariana M. Braga

A pedidos, vou contar a história da nossa apresentação em Lyon

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Cartazes do espetáculo Valse no  6 espalhados pelos corredores da École Normale Supérieure de Lyon. O lugar onde eu concluía meu mestrado seria palco de uma das maiores realizações da minha vida. Desde 2011 falo para as pessoas daquela école sobre o dramaturgo que estudo: Nelson Rodrigues. Desde o começo senti a necessidade de tornar mais conhecido por lá quem é tão importante por aqui. O primeiro passo foi o trabalho do primeiro ano, que apresentei numa palestra em Paris durante o centenário do autor. Convidaram-me para o evento por me conhecerem através do site que criei em francês  (nelsonrodrigues.fr). Depois veio a mais madura dissertação finalizada no segundo ano e a apresentação da peça.  Valse no  6  é um projeto que já tinha sido rabiscado na minha cabeça desde o primeiro ano e que, tendo interessado à Fernanda Vilar, uma brasileira veterana na vida francesa, amante da literatura e da cultura brasileiras, decidi que era hora de encarar dois desafios: apresentar concretamente Nelson Rodrigues a eles e voltar aos palcos.

Candidatamos nossa peça à seleção do grupo EN Scène, que organiza e financia eventos culturais da école. A peça foi aprovada. Poucos dias antes eu tinha recebido em casa o único exemplar usado do texto traduzido por Angela Leite Lopes que encontrei por sorte em um site francês.

Como sempre, mantive vários projetos em paralelo, meus estudos em Jornalismo, meu trabalho como assessora, enquanto terminava nos últimos meses a dissertação. Sem aulas, já fazia tudo isso no Brasil, enquanto a Fernanda estava em Paris trabalhando sobre a tese dela. Como ensaiar então?

Ousamos fazer as primeiras leituras e discussões por Skype. Isso mesmo. Marcávamos encontros por skype, líamos a peça e debatíamos sobre a direção. Claro que esse método de ensaio só foi possível porque o texto tem uma certa particularidade. Trata-se de um monólogo, que adaptamos a duas vozes depois de alguns momentos de inspiração e epifania. Tudo isso durante os ensaios na internet. Eu faria, a princípio, a personagem Sonia e Fernanda, as vozes que no texto a própria menina faz do médico, do pai e da mãe.

O monólogo de Nelson Rodrigues é complexo na forma e no conteúdo. É a história de uma menina que acaba de morrer sem ter consciência disso e tenta reconstituir seu passado. Enxergamos na personagem de Sonia, dentre todas as vozes da sua subjetividade, duas principais: a da menina e a da mulher, ou seja, o lado dela que tem pudor e o que busca sua liberdade. Tínhamos então duas vozes e uma personagem.

Fizemos algumas adaptações para tornar o texto mais compreensível aos franceses, como quando a menina fala que nunca foi à Quinta da Boa Vista. Trocamos o local para Perrache, um famoso bairro de Lyon. Também cantamos músicas infantis francesas nos momentos da peça em que a menina se lembra da infância, em vez de usar traduções de músicas brasileiras.

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Nossa ideia inicial era apresentar a peça em um dos pátios da escola, que ficam entre as salas de aula, onde normalmente os franceses fumam. Privilegiamos esse espaço em relação ao grande teatro da escola e a EN Scène gostou da novidade. Como a iluminação em espaço aberto não seria tão eficiente, lançamos mão de pequenas lanternas para variar a iluminação da peça e deixá-la mais dinâmica, acompanhando os pensamentos da jovem Sonia.

Devido ao tempo que ameaçava um pouco de chuva, precisamos trocar no dia da estreia o local da apresentação. Já não podíamos mais usar o teatro porque não o havíamos reservado. Procuramos uma sala que tivesse estrutura e tamanho para a apresentação e readaptamos um pouco a nossa mise en scène. Assim, no dia 17 de setembro, a peça nasceu de verdade.

Depois da última apresentação, no dia 19, também meu último dia em Lyon, fui me despedir das pessoas em uma festa da école. Lá várias pessoas que eu não conhecia vieram falar sobre a peça. Fico feliz que estrangeiros tenham entrado em contato com o teatro rodrigueano e brasileiro. Torço para que possamos ainda fazer muito disso pelo mundo.

Hoje eu agradeço muito a Fernanda por ter topado encarar esse desafio comigo, pela enorme dedicação, a Natália por topar executar a iluminação e o som nos dias de apresentação, a EN Scène por confiar no nosso projeto e a todos os que foram conferir de perto ou torceram de longe pelo nosso trabalho.

Vocês podem acompanhar aqui os vídeos da peça:

Texto originalmente publicado em cortinas abertas

O Beijo que canta

Por: cortinasabertas

Fonte: cortinas abertas | Publicado em: 2016-03-31 14:46

Teatro, Nelson Rodrigues, Musical, Crítica social, Festival de Curitiba

 

O-beijo-no-asfalto

O beijo mais polêmico da história do teatro brasileiro foi escrito por Nelson Rodrigues em 1960. De lá para cá, O Beijo no Asfalto já foi encenado em palcos de todo o país e afora. Também foi registrado pelas lentes cinematográficas em 1964 (na direção de Flávio Tabellini) e em 1981 (Bruno Barreto). Mas eu nunca tinha visto esse clássico do chamado “teatro desagradável” rodrigueano em musical, como o dirigido por João Fonseca, que me fez lembrar das montagens da Broadway.

Ao longo do meu mestrado sobre Nelson Rodrigues, reli diversas vezes a peça e em nenhum momento pensei que algo poderia ser acrescentado a ela. O Beijo pode ser considerado um dos textos dramatúrgicos rodrigueanos mais redondos. Parece não ter o que encaixar, muito menos algo ousado, sobretudo porque as peças do Nelson cutucam o mais rústico do nosso ser. Mas O Beijo no Asfalto – O Musical mostrou que as notas musicais gritavam, antes em silêncio, dentro das personagens e podem ser a saída para a expressão da complexidade do ser humano nas criações rodrigueanas que beiram e às vezes mergulham no caricatural. Nelson dizia que trabalhava com monstros, que “superam ou violam a moral prática e cotidiana”. Tarados, loucos varridos e futuros suicidas são, para ele, “seres maravilhosamente teatrais”.

O espetáculo canta as dores, os amores e o Rio de Janeiro flertado por toda a obra rodrigueana. Samba sobre os mais profundos desejos e os preconceitos. Canta a corrupção da imprensa e da polícia, além da injustiça da opinião pública, assuntos sempre atuais e simbolizados na peça pela criação sensacionalista em cima de um beijo entre dois estranhos antes da morte de um deles.

Foi um pedido, segundos antes de morrer. O que você faria se uma pessoa, cujo coração está prestes a parar de bater, te pedisse um beijo? O que você faria se seu marido, ou colega, ou genro, beijasse um estranho como último pedido? Acho que quase todos nós agiríamos como os terríveis personagens da peça.

Nelson nos escancara na sua dramaturgia e nos aponta o que temos de pior. No musical, tudo é vivido, gritado, dançado e cantado. E ainda rimos com personagens como Werneck, que brilha na graça do ator curitibano Gabriel Stauffer. Só poderia dar certo com artistas tão completos. Com eles, e ao som deles, O Beijo fica ainda mais brasileiro. Batata.

Continuo aplaudindo de pé. Parabéns aos profissionais da arte que se dedicaram ao espetáculo e ao Festival de Curitiba por trazerem essa maravilha para os palcos curitibanos.

 

Mariana Braga

 

ELENCO:

Arandir – CLAUDIO LINS

Selminha – IZABELLA BICALHO

Dália – YASMIN GOMLEVSKY

Aprígio – GRACINDO JR. (Ator Convidado)

Cunha – CLAUDIO TOVAR

Amado Ribeiro – THELMO FERNANDES

Aruba – JORGE MAYA

Mathilde – JANAÏNA AZEVEDO

Werneck – GABRIEL STAUFFER

Morto – PABLO ÁSCOLI

Viúva – JULIANE BODINI

Pimentel – RICARDO SOUZEDO

Judith – JULIANA MARINS

 

Ficha técnica:
Direção Geral: JOÃO FONSECA
Trilha Original: CLAUDIO LINS
Direção Musical: DÉLIA FISCHER
Figurinos: CLAUDIO TOVAR
Cenário: NELLO MARRESE
Iluminação: LUIS PAULO NENÉN
Direção de Movimento: SUELI GUERRA
Engenheiro de Som: CARLOS ESTEVES
Arranjos e Programações Eletrônicas: HEBERTH SOUZA
Arranjos Vocais: AUGUSTO ORDINE
Assistente de direção: LUCAS MASSANO
Estagiário de direção: PHILIPE CARNEIRO
Pianista Ensaiadora e Assistente Direção Musical: EVELYNE GARCIA
Assistente de Figurino: THIAGO DETOFOL
Assistente de Cenografia: LORENA LIMA
Assistente de Direção de Movimento: PRISCILA VIDCA
Preparação Vocal: JANAÍNA AZEVEDO
Visagismo: MARCIA ELIAS
Costureiras: NICE SANTOS SILVA, ELIANA CUNHA & FÁTIMA LIMA
Cenotécnico: ANDRÉ SALLES
Camareiras: NICE SANTOS SILVA & LUCI MOREIRA
Contrarregras: JOÃO PAULO DAMATTA & DARTANHAN ASSUMPÇÃO
Operadores de Luz: DUDU NOBRE & MARCELO ANDRADE

 

Operador de Canhão: LUIZ CORRÊA
Operadores de Som: DANIEL WALLY & LEO MAIA
Microfonista: CAMILLE LAGO
Coach do ator Gracindo Jr: MARCÉU PIERROTTI
Comunicação e Imagem: MIDIORAMA
Designer Gráfico: LEO STORCH
Assistente de Designer Gráfico: RENATO REI
Fotografias e videos: RENATO PAGLIACCI
Marketing Cultural: GHEU TIBÉRIO
Assistente de Marketing Cultural: ANDRÉA TONIA

Músicos:
Piano e regência: EVELYNE GARCIA/HEBERTH SOUZA
Baixo: MATIAS CORREA/PEDRO AUNE
Bateria e percussão: CLAUDIO LIMA
Trombone: WANDERSON CUNHA/BEBETO  GERMANO
Sax, clarinete e flauta: ALEX FREITAS/RAPHAEL  NOCCHI
Coordenação financeira: COARTE
2ª assistente de produção: LAURA RODRIGUES VELHO
Produtora assistente: TAIANA STORQUE
Produção Executiva: ANA BEATRIZ FIGUERAS

Direção de Produção: ISABEL THEMUDO

IDEALIZAÇÃO: CLAUDIO LINS

Texto publicado por Mariana Braga no Paraná Portal, 30/03/2016

Texto originalmente publicado em cortinas abertas

Nelson Rodrigues – A vida como ela é…

Por: Nego Dito

Fonte: Livrada | Publicado em: 2010-06-13 12:00

Literatura brasileira, Nelson Rodrigues, Crítica literária, Editora Agir, Análise de estilo

Nelson Rodrigues! Essa pessoa amabilíssima, agradável, que quase nunca fala merda, que ama e dá aos pobres, que não faz ideia errada da gente, esse moço, pobre moço, que teve o azar de morrer no dia em que ganhou na loteria. Nelson Rodrigues era dessa época em que jornalista não era gente, salário não era dinheiro e dignidade não era poder (tá, isso não faz o menor sentido). O que eu quis dizer é que ele era daquele time de escritores enfurecidos que batiam as teclas até gastar as falanges. E como escrevia, este velhus decreptus. Como a época exigia quantidade em detrimento da qualidade, Nelson padronizou sua escrita.

Manja aqueles desenhos da Hanna-Barbera? Cenários que rolam ao fundo, cabeças que mexem enquanto o corpo fica parado pra não gastar com animação (isso, aliás, gerou toda a sorte de bizarrices como dinossauro de gravata, crocodilo de gravata, leão de gravata… Êta bicharada escrava do colarinho!) e eteceteras malandronas que colocaram a beleza dos desenhos da MGM numa situação inviável. Bom, Nelson Rodrigues fez algo parecido com seus textos. Elementos que sempre retornam, ideias que são marteladas, personagens frequentemente visitados, tudo isso fazia o ofício de sentar ali e escrever qualquer merda por dia uma coisa mais fácil.

Variações sobre mesmo tema. Eis o segredo do escritor em A vida como ela é… e outros textos. Assim como as letras de axé, as novelas do Manoel Carlos e os acordes dos Ramones, tudo em Nelson Rodrigues parece ser gerado por um software especializado. Mas pera lá, camarada! Isso não quer dizer que a obra do velhaco não tenha seu valor, muito menos que seja uma obra ruim. Nelson Rodrigues era foda, acho bom ninguém discutir nesse ponto. E A vida como ela é… taí pra martelar o dedo de quem discordar.

Historietas sobre os recalques da classe média e alta, tabus mil, tudo o que há de podre no reino da Dinamarca esse corno escreveu. Fica difícil criar alguma coisa depois disso. No livro, cem, eu disse CEM continhos estão publicados, e olha que não foram todos.

Ler esse livro de cabo a rabo (quem curte expressões de livro como “ler de cabo a rabo”, “ler numa sentada”, etc? Levanta a mão aí!) pode te causar náusea, e até mesmo odiar o autor. Vai dizer “porra, tudo a mesma coisa!”. Mas isso é pra você (e claro, pra mim. Eu só pareço velho), que não lia toda semana o seu espacinho no jornal. Por isso meu conselho é deixar esse livro na cabeceira e de vez em quando, ler algum.

E que coisas estranhas essas historinhas guardam! Meninas que morrem subitamente, com um golpe de ar — sério, que povo fraco é esse do meu Brasil?; mulheres que tratam seus maridos de “meu filho” como hein “Ih, meu filho, sua batata tá assando”. Gente que responde taxativamente “É batata!” pra tudo. “E ela morreu assim, subitamente, com um golpe de ar?” “Batata, meu filho!”. E tem mais, tem mais: gente que fica repetindo a mesma frase pra dar ênfase como em “E tem mais, tem mais!”; sujeitos com leves tendências pedófilas que chamam as gostosas de “pequena”; gente que fala “Tu és de morte”; motoristas de ônibus que atropelam os outros sem dó; garçonières em Copacabana, de amigos alcoviteiros (talvez naquela época Copacabana não fosse o lugar onde as pessoas mais eram vistas na face da terra); cartinhas anônimas pro corno lerdo, enfim, todo um universo que se repete e se rearranja de todas as maneiras possíveis. Isso, meus queridos, é Nelson Rodrigues em A vida como ela é… E nem me fale daquela versão televisiva que passava no Fantástico e era narrada pelo Zé Wilker, que aquilo me dá nojo. Melhor ler o livro mesmo.

O motivo principal pra preferir a história no livro do que na boca mole do Zé Wilker é essa edição da editora Agir. A editora Agir não era nada antes de ser comprada pela Ediouro. Deu uns cinco minutos nessa editora em 2004 em que tudo mudou! A cada dia me surpreendo mais com os projetos gráficos dela, e com a escolha de autores também. Fizeram esse livro gigantesco, lindo para o ano em que ele foi lançado (tem que ver que há uns dois anos fazer livro virou coisa séria pras editoras), apesar do MALDITO papel offset, de gramatura baixa ainda. De qualquer jeito, vale pela capa e pela falta de economia nas páginas. Mas não tente carregar ele por aí, você só vai se fuder, e seu massagista vai ficar rico.

SOBRE A PROMOÇÃO: Tô gostando de ver a galera comentando aí. O comentário de número 500 vai ganhar o livro Plataforma, do francês boiolinha Michel Houellebecq. Literatura de primeira para os meus leitores de primeira (sentiu a puxada de saco? Então comenta aí, cacete!).

Comentário final: 605 páginas em offset. O livro que extinguiu os dinossauros.

Texto originalmente publicado em Livrada

Nelsinho: o último trágico rodrigueano

Por: author

Fonte: LETRAS IN.VERSO E RE.VERSO | Publicado em: 2026-03-09 14:00

Ditadura militar brasileira, Nelson Rodrigues, Nelsinho Rodrigues, Direitos humanos, Cultura e resistência política, Biografia

Por Juliano Pedro Siqueira



Era 30 de março de 1972, quando os agentes do DOI-CODI abordaram Prancha e o conduziu a uma base da Guarda Militar no Méier. Naquela altura, Prancha era um dos nomes mais procurados pelos órgãos de repressão ligados à ditadura. Detentor de uma aparência inconfundível, o homem que carregava a alcunha de Prancha tratava-se de Nelson Rodrigues Filho ou Nelsinho, filho do consagrado dramaturgo e cronista, Nelson Falcão Rodrigues. 

Naquela altura, Nelsinho já vivia na clandestinidade depois de se tornar membro do Movimento Revolucionário 8 de outubro (MR-8). Contrariando os conselhos do pai e do irmão Joffre, Nelsinho se engajou no movimento e chegou, inclusive, a elaborar o plano de assalto a um banco. Enquanto isso, adotou um estilo nômade; cercado de códigos e endereços secretos. Nem mesmo Nelson pai — que lutava pela débil saúde — sabia do real paradeiro do Nelson filho. 

Antes da sua captura, sabendo Nelson que o filho estava envolvido até o pescoço com os revoltosos, tentou apelar junto ao presidente Emílio Garrastazu Médici — que juntos frequentavam o Maracanã — que intermediasse o exílio de Nelsinho, sem que a imprensa soubesse. Contudo, para a mágoa do pai e decepção de Médici, o jovem esguio preferiu a clandestinidade e a resistência contra o regime a fugir. Bem relacionado e apoiador dos militares, Nelson usou sua influência na imprensa e no mundo jornalístico para intermediar a liberdade e anistia de vários colegas e amigos que à época foram lançados na prisão.

Mas com Nelsinho, sua influência esvaiu-se. O próprio filho optou pela recusa da ajuda vinda dos militares e passou por algumas unidades prisionais nos sete anos e nove meses em que permaneceu preso. Ao tomar conhecimento que o filho fora torturado, o pai se frustrou profundamente e reviu seu apoio aos militares, pois, acreditava — ingenuamente —, que não existia tortura nos anos mais cruéis do regime. 
Com a tristeza expressa no olhar morteiro e a saúde se deteriorando, Nelson passou seus últimos anos de vida defendendo a liberdade de expressão e de pensamento, como a irrestrita anistia. Na manhã de domingo, do dia 21 de dezembro de 1980, Nelson pai, ascenderia ao céu, ganharia as páginas dos principais jornais do país e se imortalizaria como o maior cronista brasileiro. Nelsinho, agora livre e forjado pela perseguição, teria como legado, a perpetuação da cultura no Brasil rumo à democracia.  

Podemos dizer que, com sua recente partida — e este texto é devotado em sua memória —, Nelsinho foi o último trágico dos Rodrigues. Os membros da família — a começar pelo avô, Mário Filho (homenageado com o nome do estádio Maracanã) até os tios —, em alguma medida, carregavam uma espécie de carma trágico. Assassinato, doenças precoces, soterramento, deficiência e a implacável perseguição e censura marcaram a saga dos Rodrigues. Nelsinho chegou a trabalhar nas peças do pai, quando ainda era vivo, e deu continuidade na linhagem artística da família. Se por um lado, as tragédias se acumulavam sobre eles, a arte era a própria superação. 

Após a ditadura, em 1985, Nelsinho trabalhou como produtor cultural e roteirista. Criou um bloco carnavalesco em Botafogo que fazia alusão a enorme barba que cultivava desde jovem. Viveu modestamente e fora dos holofotes da mídia atual até que um AVC o tirou de cena. Talvez haja quem diga que o filho viveu à sombra do pai — certo que os militares só não o matou por conta de Nelson —, o que não tirou sua autonomia artística. Os Rodrigues eram originais, versáteis. Não havia ciúmes, disputas ou rivalidades. Cada um com seu estilo contribuiu no espaço cultural brasileiro para a liberdade das ideias: seja com a escrita, desenho, jornal ou pela resistência política. 

Nelsinho, ou Prancha para os mais íntimos, foi o último rodrigueano a encarnar a resistência contra os dias mais sombrios da nossa história. Suas longas barbas não era meramente uma provocação estética, e sim, a representação de um homem que sobreviveu ao regime sem drama midiático. Nunca recebeu um prêmio em vida por tal ato ou virou protagonista de algum filme ou documentário. Na sua solidão gigantesca, ele continuou a lutar pela voz ensurdecedora dos palcos. Concedendo liberdade plena a homens e mulheres que transformavam o trágico humano em pura arte, demonstrando que a luta continua, mesmo sendo outros tempos. Muito diferente, é claro! Mas não menos humano. Demasiadamente, humano. 

Referência
Castro, Ruy. O anjo pornográfico: a vida de Nelson Rodrigues. São Paulo: Companhia das Letras,  1992.


Texto originalmente publicado em LETRAS IN.VERSO E RE.VERSO

FTC – Quando estamos todos no escuro – sobre Espelho para Cegos

Por: cortinasabertas

Fonte: cortinas abertas | Publicado em: 2014-03-28 20:24

Teatro, Crítica Social, Individualismo, Totalitarismo, Matéi Visniec, Encenação

Mariana M. Braga

ESPELHO PARA CEGOS

Imagem

A peça é no gigante Teatro da Reitoria, mas ficamos pertinho dos atores. Estamos todos no palco, por todos os lados. É mais do que um teatro de arena, porque alguns de nós ficamos realmente ao lado dos atores. Estamos todos fazendo parte do que acontece em cena. Nem coxias existem. O terceiro sinal toca e as cortinas do teatro se fecham, deixando mais claro que nosso universo agora é o palco. Todos estamos ali para vivenciar uma releitura  de Teatro Decomposto  ou O Homem Lixo, do romeno Matéi Visniec.

Há projeção de vídeo em uma das paredes. Outras vão aparecer ao longo da peça, todas tratando de uma lavagem cerebral dos cidadãos: o primeiro vídeo aparece como uma propaganda, que busca mostrar os benefícios da lavagem, como se fosse a venda de um tratamento terapêutico. Nos vídeos projetados mais tarde, mesclados às narrações e às ações vividas pelas personagens, fica mais clara a imposição feita aos cidadãos dessa lavagem cerebral, com imagens que remetem à ditadura de regimes totalitários. Também há um vídeo que mostra a reunião de pessoas do poder planejando a aplicação e as regras da lavagem cerebral.

As metáforas continuam nas narrações das personagens e nos conflitos vividos por elas. Em pequenos monólogos, as personagens contam sobre a praga de borboletas, o primeiro grande problema de uma sociedade, em seguida da praga de caracóis, que teria sido pior ainda, e do animal-chuva que consumiria todo o conteúdo das coisas. O mundo se desconstrói ainda mais para o jovem que logo se vê completamente sozinho no mundo, perseguido por telefones que tocam como se fantasmas o chamassem.

Outro homem é consumido por um animal de quatro bocas e consente com sua própria morte, sem muito reagir. Ainda diante da sociedade submetida a um poder com valores invertidos, vemos uma cena que revela a comunicação falha entre poder e sociedade, em uma grande Babel: um personagem é torturado por dois homens – segundo eles, pelo fato de o jovem não repetir a palavra “barbante”, sendo que este a repetiu diversas vezes desesperado tentando evitar apanhar.

Esse mesmo homem torturado fala do círculo que construímos, que criamos em torno de nós e dentro do qual só cabemos sozinhos. O círculo é o individualismo, visto em todos os lugares – nas salas de espera, nas ruas, em casa. O individualismo é uma armadilha dos poderosos, aqueles que querem a lavagem cerebral.

As metáforas também estão presentes nos momentos de escuridão com black-outs na encenação. Algumas vezes aparecem os jatos de luz. Ao final, a revolução. Com as ordens de uma personagem, que repete os mandos de outra que a segura, a massa grita que tem a solução. As vozes são caladas uma a uma, enquanto um se sente livre por matar o outro e comemora sua própria vitória. Sucessivamente quase todos se matam. Só uma personagem fica e desabafa: Merda.

Estamos todos no escuro, matando todos os discursos e todos os seus defensores. A vitória não é de ninguém. Continuamos todos dentro dos nossos círculos individualistas. Essa é a minha visão, mas cada um que esteve naquele palco deve ter tido sua própria reflexão, muito peculiar. Visniec é um autor muito discutido mundo afora e é muito bom poder ter uma leitura sobre ele em um palco nosso em Curitiba.

Ficha técnica

  • Texto:Matéi Visniec
  • Encenação, cenário e iluminação:Marcio Meirelles
  • Direção de elenco:Bertho Filho
  • Elenco:Anita Bueno, Sonia Robatto, Neyde Moura, Zeca de Abreu, Franklim Alburqueque, Claudio Varela, Roberto Nascimento, Tiago Querino, Vinicius Bustani e Yan Britto
  • Música:João Milet Meirelles
  • Video:Apoena Serrat, Maise Xavier, Bertho Filho, Rafael Grilo e Franklin Alburqueque
  • Figurino:Giza Vasconcelos
  • Maquiagem:Luiz Santana
  • Coordenação de Produção:Zeca de Abreu
  • Locução em vídeos:Bertho Filho, Fernando Fulco, Neide Moura e Will Brandão
  • Operador de luz:Vado Souza
  • Operador de som:Cesar Rasec
  • Operador de vídeo:Rafael Grilo
  • Realização:Cia de Teatro dos Novos / Universidade LIVRE de Teatro Vila Velha

Texto originalmente publicado em cortinas abertas

1394) Luís Buñuel e Nelson Rodrigues (1.9.2007)

Fonte: Mundo Fantasmo | Publicado em: 2009-12-01 00:00

Literatura brasileira, Teatro, Nelson Rodrigues, Luís Buñuel, Erotismo, Moralidade, Folhetim


Um artigo recente de Nuno Ramos na revista Piauí de abril faz uma boa análise da obra teatral de Nelson Rodrigues. A matéria-prima de Nelson são os sonhos e pesadelos da classe média suburbana: emprego e desemprego; casamento e adultério; obediência e desobediência às convenções; pecados e remorsos; impulsos de ascensão social e de afirmação erótica. 

Seus personagens se debatem entre uma luxúria poderosa que os arrasta a todos os tipos de pecados, e uma ânsia desesperada por um amor puro, espiritualizado, não maculado pela sordidez humana. Querem fazer sexo no Inferno, e depois adormecer em paz no Céu. Diz Nuno Ramos sobre Nelson: 

Sua persona foi sempre mais específica, particular e lenta – o reacionário, aquele que não se universaliza, como uma má notícia ambulante a assombrar a velocidade do mundo lá fora. (...) A sua matéria é o particular, entendido como o detalhe significativo que produz escândalo e denota a falsidade do resto. (...) O Brasil do dramaturgo não é aquele que se procura, mas o que não se deixa ir – aquele que ao ser esquecido volta para assombrar. 

Nelson é um conservador, no sentido de que é fiel aos fantasmas que o obcecavam na infância e adolescência. Dedicou sua vida adulta a dialogar com eles, em vez de varrê-los para baixo do tapete (como faz a maioria, inclusive seus personagens) ou de transcendê-los através da psicanálise ou da revolução sexual dos anos 1960. 

Nelson foi chamado de pornógrafo por uns e de moralista por outros, o que é sempre um indício de que estava remexendo camadas profundas. Nisto ele se assemelha a Luís Buñuel, que, como ele, foi um grande leitor de romances em estilo folhetim, muitos dos quais (Tristana, Belle de Jour, Diário de uma Camareira, etc.) adaptou para o cinema. Quanto a Nelson, usou o pseudônimo de Suzana Flag para escrever ele próprio alguns folhetins imensos que li quando adolescente e foram agora reeditados: Meu Destino é Pecar, Escravas do Amor

A obra de ambos revela os exageros próprios do folhetim, que em Nelson são redimidos artisticamente através de sua concepção peculiar de dramaturgia e diálogo, e em Buñuel são enriquecidos pelo imaginário surrealista francês. 

Ambos extraem sua inspiração do melodrama, mas o melodrama moderno que fazem deixaria desconcertados os artistas a quem copiam ou parafraseiam. Sexo e morte são seus temas preferidos. Criados em sociedades machistas e repressoras, o erotismo era sua obsessão. Buñuel diz em suas memórias: 

Os homens da minha geração, e além disso espanhóis, sofriam duma timidez ancestral relativamente às mulheres e dum desejo sexual que era talvez o mais forte do mundo. (...) Sem sombra de dúvida que um espanhol tinha um prazer superior ao copular do que um chinês ou um esquimó. 

É essa a mesma luxúria irresistível que conduz os personagens de Nelson a todo tipo de pecado. Para eles, pecar é uma forma de auto-afirmação e de auto-conhecimento.

Texto originalmente publicado em Mundo Fantasmo

Uma forma (ainda) mais ousada de pensar Nelson Rodrigues – sobre ‘Viúva, porém honesta’

Por: cortinasabertas

Fonte: cortinas abertas | Publicado em: 2013-04-06 19:07

Teatro, Nelson Rodrigues, Grupo Magiluth, Festival de Teatro de Curitiba, Crítica teatral, Metalinguagem

magiluth

Mariana M. Braga

Eles vêm de Recife, cidade natal do grande Nelson Rodrigues, para apresentar a também rodrigueana Viúva, porém honesta. E a casa lota. O espetáculo demora para começar neste sábado 06 de abril para tentar encaixar na plateia pelo menos uma parte da fila de pessoas que ainda não tinham comprado ingresso mas queriam assistir à peça. Coisa bonita de se ver.

Desde este começo, da organização do público nas cadeiras e no chão, os atores cumprimentam todos os espectadores e distribuem flores, para que sejam jogadas ao final, de um jeitinho melodramático à la rodrigueana, mas sem as vaias que ele também adorava ouvir, afinal o público de hoje já é outro… já conhece Nelson Rodrigues e foi lá exatamente para ver Nelson Rodrigues. Enquanto isso se ouve a voz do dramaturgo gravada, naquela dicção dele difícil de entender. O ambiente está preparado.

Então os cinco atores se preparam. Fazem algo que parece ser um aquecimento diante do público. E a história começa: a da viúva, filha de J.B. Albuquerque Guimarães, o gangster do “A Marreta”, maior jornal do Brasil. A jovem se recusa a sentar depois de ter perdido o marido, afirmando que o homem no caixão é o único que merece fidelidade. Para resolver o problema e convencê-la a se casar de novo, o jornalista chama especialistas, como um otorrinolaringologista, um psicanalista e uma ex-prostituta. O dramaturgo criou tudo isso para criticar os grandes grupos e instituições sociais. O principal alvo é a crítica de teatro, personificada em Dorothy Dalton, já que na vida real Nelson vivia numa luta contra a maior parte dos críticos que não entendiam suas peças. Os atores se revezam nos personagens, reforçando a ideia de que estes fazem parte de estereótipos.

Quando se fala em Nelson Rodrigues, todo o mundo pensa que vai ver só sexo em cena, ainda que o próprio autor se defendesse dizendo que ele era um moralista e que as “aberrações” ali presentes eram para provocar a catarse no público. Nessa encenação teve sim muita referência ao ato sexual de uma forma cômica e às vezes escrachada, o que deu ao que Nelson intitulou “farsa irresponsável” um tom de comédia do nosso tempo. Mas o que é a farsa senão um misto de comédia e crítica social? Pode até ser que, se Nelson estivesse vivo, ele quisesse colocar em cena uma direção um tiquinho mais realista. De qualquer forma, espírito rodrigueano ali não falta.

Um cenário que começa limpo, com algumas cadeiras e adereços nas laterais e ternos e gravatas pendurados ao fundo, vai se tornando uma loucura ao longo da peça. Tudo isso é fruto de uma “peça psicológica”, como denominou Sábato Magaldi uma das categorias de textos de Nelson. Não há coxias e tudo é feito em cena, numa metalinguagem bonita de se ver e num ritmo que não incomoda. Cena marcante é a da volta de Dorothy Dalton do inferno, com jornais voando para todos os lados. Os momentos que parecem mais agradar ao público são as batatas que caem em cena, porque o Nelson não cansava de dizer: “É batata”.

Viúva, porém honesta, feita pelos grandes artistas pernambucanos do Grupo Magiluth, traz o espírito rodrigueano com um olhar mais ousado. E vale muito, afinal Nelson já virou um clássico e ninguém quer ver sempre a mesma coisa. A peça movimentou muito o Festival de Teatro de Curitiba. Merecidamente.

Direção: Pedro Vilela
Elenco: Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, Lucas Torres, Mario Sergio Cabral, Pedro Wagner (Grupo Magiluth)

Texto originalmente publicado em cortinas abertas

Foco nos meninos perenes

Por: cortinasabertas

Fonte: cortinas abertas | Publicado em: 2012-08-16 01:28

Teatro, Nelson Rodrigues, Literatura brasileira, Psicologia humana, Crítica social

Espetáculo inspirado na obra de Nelson Rodrigues trata das fraquezas humanas em estado bruto

Mariana M. Braga

Pelo buraco da fechadura o menino espia o mundo adulto, com todas as suas sensualidades e loucuras, resultantes das mais selvagens vontades carnais. Mas como o próprio Nelson Rodrigues dizia, o homem é o menino perene, e aquele que espia pela fechadura também vive essa loucura. Essa é a imagem do anjo pornográfico, como se auto-intitulou Nelson Rodrigues, e também a imagem em que se inspira a peça que homenageia o centenário do mais importante e polêmico dramaturgo brasileiro, que dentre tantas outras atividades também foi jornalista, contista e cronista.

Foi ele quem apontou todo o lado selvagem da natureza humana, criando personagens que viviam histórias de violência, incestos e traições. Por isso suas peças deixavam horrorizado o público brasileiro a partir da década de 1940, que o denominava, junto à maior parte da crítica, de louco e tarado.

Se as peças rodrigueanas são a parte mais extravagante da obra do autor, as crônicas publicadas entre os anos de 1951 e 1961 no jornal Última hora, na coluna A vida como ela é, apresentaram um conteúdo mais realista. Mas não muito, porque senão não seria Nelson Rodrigues. Nestas crônicas ele tratou do cotidiano da sociedade carioca da época e dos seus preconceitos,  inserindo conflitos sexuais, incestuosos e violentos, numa análise crua da realidade.

Nessa linha, a adaptação dos textos de Nelson Rodrigues e a direção do espetáculo Buraco da Fechadura tratam cruamente da psicologia humana, dos seus gostos, desejos, preconceitos e pecados. O cenário é simples e imutável, composto por diversos tamanhos e formas distorcidas de camas. Os seis atores também se mexem muito pouco e dividem, entre todos eles, os diversos personagens que compõem cinco histórias inspiradas na obra de Nelson Rodrigues.

Esses papéis compartilhados pelos atores dão a idéia de que todos são um pouco de cada um deles, extraindo o que há de mais humano no personagem rodrigueano: a síntese do homem em eterno conflito entre o seu próprio desejo e a sociedade que está a sua volta.

Nessa montagem inspirada em Nelson, não foi preciso compor o palco de cenários e figurinos realistas que remetam à época em que as peças rodrigueanas nasceram, nem personagens estereotipados. Nessa direção, a imagem não é tão importante. O texto tem seu lugar central e os sentimentos ali expostos, na montanha-russa rodrigueana de amor e ódio, são representados em seu estado bruto, na sua essência. O humano e o universal se encontram nos gestos dos personagens, enriquecidos pelo que há de brasileiro na palavra de Nelson. A peça sintetiza o que ele insistia em fazer: revelar os segredos que seriam insuportáveis de compartilhar.

MARIANA MARCONDES BRAGA

SERVIÇO

De 1º a 26 de agosto
Quarta-feira às 17h e 20h
Quinta a sábado às 20h e domingo às 18h

Teatro Antonio Carlos Kraide- Portão Cultural
Avenida República Argentina, 3430, Água Verde
Telefone: (041) 3229 4458  e (o41) 98763596

Texto originalmente publicado em cortinas abertas

Para ver no Festival – Mostra Oficial 2014

Por: cortinasabertas

Fonte: cortinas abertas | Publicado em: 2014-03-24 20:06

Festival de Curitiba, Teatro, Artes Cênicas, Cultura, Literatura

Mostra Oficial

BR Trans

Peça criada a partir de relatos reais de travestis das ruas de Porto Alegre. Autoria de Silverio Pereira e direção de Jezebel de Carli.

http://festivaldecuritiba.com.br/atracao/804/BR-Trans

Ricardo III (RJ)

Gustavo Gasparani vive toda a história de Ricardo III, de Shakespeare, em um monólogo. A direção de Sérgio Módena remete à imaginação infantil, capaz de criar universos.

http://festivaldecuritiba.com.br/atracao/1240/RICARDO-III-RJ

Espelho Para Cegos

Espelho Para Cegos: da Companhia Teatro dos Novos (CTN), direção de Marcio Meirelles e texto do romeno Matéi Visniec, autor do livro “Teatro Decomposto ou O Homem-Lixo”. São nove palcos diferentes com atuações simultâneas e três cenas com vídeos em uma tela de projeção.

“Tivemos a honra de ter Visniec na plateia em uma das apresentações em Salvador. Ele gostou muito do que viu e disse que ‘o teatro não pode nunca dar respostas completas, mas é importante que ele possa trazer a tona questões essenciais’. Eu concordo” (diretor Marcio Meirelles)

http://festivaldecuritiba.com.br/noticias/ver/167

Sonata de Otoño

O texto do célebre dramaturgo argentino contemporâneo Daniel Veronese é uma adaptação do filme de Ingmar Bergman de 1978. Leia mais em: http://festivaldecuritiba.com.br/noticias/ver/155

 The Rape of Lucrece

Peça inglesa inspirada no poema de Shakespeare, interpretada pela atriz Camille O’Sullivan e dirigida por Elizabeth Freestone.

http://festivaldecuritiba.com.br/atracao/1224/THE-RAPE-OF-LUCRECE

Conselho de Classe

O espetáculo em comemoração aos 25 anos da Cia. dos Atores é uma comédia política que debate sobre a educação no Brasil.

http://festivaldecuritiba.com.br/atracao/806/CIA-DOS-ATORES-CONSELHO-DE-CLASSE

Texto originalmente publicado em cortinas abertas

1957) Os anjos pornográficos (17.6.2009)

Fonte: Mundo Fantasmo | Publicado em: 2010-04-01 00:00

Literatura, Cinema, Nelson Rodrigues, Luis Buñuel, Religião e Sexualidade, Psicanálise do desejo

Qualquer estudo sobre as relações entre o machismo, a literatura de folhetim e o cristianismo não pode deixar de incluir Nelson Rodrigues e Luís Buñuel como personagens. (Não seriam os únicos, claro – como deixar de fora Rubem Fonseca, Adelino Moreira, Pedro Almodóvar, Carlos Zéfiro, Dalton Trevisan, etc.?) O teatro de um e o cinema do outro são herdeiros do teatro de melodrama e do folhetim do século 19, cuja mentalidade absorveram na infância. Desinformação, tabus, voyeurismo, culpa, pecado... e um desejo sexual maciço, que, segundo Don Luís, não podia ser comparado com nada neste mundo.

Nelson Rodrigues via na arte uma função purificadora: “o personagem é vil para que não o sejamos”. Dizia que as mulheres honestas viam a adúltera no palco e descarregavam através dela suas tentações; era o que bastava para que se mantivessem fidelíssimas. Seu teatro tem a duplicidade permanente que permeia a obra de tantos moralistas: descrevem o pecado com minúcias, e no fim elogiam a virtude.

Coisa parecida ocorre com o cinema de Buñuel, que compartilhava com Nelson a maldição de ter nascido no interior de uma cultura católica, repressiva, em que o sexo era carregado de culpa. Buñuel dizia não gostar dos filmes modernos (dos anos 1960) em que as pessoas tiravam a roupa e copulavam na tela. Isto o desagradava – mas não o impedia de realizar filmes cheios de perversões e depravações contadas indiretamente, como Viridiana ou A bela da tarde.

O sexo, nessas circunstâncias, tem o mesmo poder liberador da blasfêmia. Quando é permitida, a satisfação do desejo sexual é como uma brisa agradável que acaricia, trazendo um misto de alegria e paz. Reprimida, tem a força do ar comprimido capaz de disparar uma bala; ou de um furacão que esperou anos para tirar aquela cidade do meio do seu caminho. A obra desses autores frutos da cultura cristã (mesmo quando se afirmam ateus) é a ponta do iceberg celibatário de homossexualismo e pedofilia em seminários, mosteiros e conventos. O ascetismo é possível, é belo e nobre. Mas aqui pra nós, não é pra todo mundo. Requer uma chama límpida e fria, quase divina, e nós somos (para o bem e para o mal) humanos e “calientes”.

Reprimidos, angustiados e cheios de conflitos, nem Don Luís nem Nelson viveriam em paz no mundo de hoje. A superabundância de bundas na TV e nas capas de revistas os chocaria. Tarados até a medula, eram do tipo para quem o excesso de nudez física é um entrave à fantasia mental. O que os excitava não era propriamente tocar a carne feminina, mas, de certo modo, possuir a mente da parceira, dobrá-la aos seus desejos, arrastá-la ao pecado conjunto. Como no velho bolero cantado por Dalva de Oliveira (“Querido!... / Eu tenho um pecado novo / e quero pecar contigo...”), seu desejo era o de ser seduzido e de seduzir, o de pecar e arrastar para o pecado, o de raptar uma parceira e conduzi-la de volta ao Jardim da Serpente.

Texto originalmente publicado em Mundo Fantasmo

O espetáculo de dança ‘Fela da gaita’ vem para Curitiba

Por: cortinasabertas

Fonte: cortinas abertas | Publicado em: 2013-08-06 17:07

dança contemporânea, Lamira Cia. de Dança, Fela da Gaita, teatro, commedia dell’arte, agenda cultural

Mariana M. Braga com informações de Fernando de Proença

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Recheado de diversas diferentes influências, dentre elas as do cancioneiro popular, do teatro do mamulengo e dos cordéis, o espetáculo de dança Fela da Gaita, da Lamira Cia. de Dança, de Palmas (TO), estará em cartaz no Teatro da Caixa de 9 a 11 de agosto.

Outras linguagens são exploradas, dentre elas teatro, música e literatura. A base é a commedia dell’arte, o uso de máscaras e movimentos utilizados na manipulação de marionetes. Essa deliciosa mistura de linguagens artísticas ainda vem acompanhada da experiência estética proposta através da relação entre o universo do romanceiro popular e o nosso atual cotidiano urbano e globalizado.

Fela da Gaita teve a primeira colocação estadual no Prêmio Arnaud Rodrigues, em 2011. Para ir com toda a certeza.

Vai ter ainda um Workshop sobre Dança Contemporânea. Veja todas as informações abaixo:

Ficha técnica:

Coordenação Geral: Carolina Galgane

Concepção, Direção e Coreografia: João Vicente

Cenografia: Renato Moura

Cenotécnica: Renato Moura e Vivian de Oliveira

Iluminação: Lúcio de Miranda

Figurino: Patrícia Fregonesi

Data: de 9 a 11 de agosto de 2013 (sexta-feira a domingo)

Hora: sexta-feira e sábado às 20h, domingo às 19h

Local: CAIXA Cultural Curitiba – Rua Conselheiro Laurindo, 280 – Curitiba (PR)

Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia – conforme legislação e correntista CAIXA)

Bilheteria: (41) 2118-5111 (de terça a sexta-feira das 12h às 20h, sábado das 16h às 20h e domingo das 16h às 19h)

Classificação etária: Livre para todos os públicos

Lotação: 125 lugares (2 para cadeirantes)

Workshop sobre dança contemporânea

Local: CAIXA Cultural Curitiba – Rua Conselheiro Laurindo, 280 – Curitiba (PR)

Data: 10 de agosto de 2013 (sábado)

Hora: das 14h às 17h

Inscrições: Entrada franca. As inscrições devem ser encaminhada para o e-mail caixacultural08.pr@caixa.gov.br a partir do dia 20 de junho

Vagas: 20

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Texto originalmente publicado em cortinas abertas

1938) O mundo de Don Luís e Nelson (26.5.2009)

Fonte: Mundo Fantasmo | Publicado em: 2010-04-01 00:00

Cinema, Teatro, Religião, Culpa, Sexualidade, Voyeurismo

O mundo cinematográfico de Luís Buñuel e o mundo teatral de Nelson Rodrigues são tão primos e tão próximos que parecem uma coisa só. Parecem obras de um mesmo autor, que por problema de contrato escrevia parte do seu material sob pseudônimo. Os dois são representantes típicos daquela geração de homens atormentados que viveu no começo do século 20, indivíduos encharcados de catolicismo, moralismo, sexualidade e culpa. Esse pessoal viveu num mundo muito diferente do mundo de hoje, onde vigoram a permissividade sexual (desde que vinculada ao entretenimento e ao comércio) e o erotismo-por-atacado em que cada veículo procura ser mais explícito do que o vizinho.

Nelson dizia: “Sou e serei sempre um menino espiando pelo buraco da fechadura”. (Não há como não lembrar da cena de Buñuel em El, o Alucinado, em que uma mulher entra no quarto para trocar de roupa, olha para o buraco da fechadura, e enfia ali com rapidez uma longa agulha, para vazar o olho de um possível “voyeur”). A tentação do mistério, do proibido, do pecaminoso, coloria as fantasias sexuais do dramaturgo pernambucano-carioca e do cineasta espanhol. Para eles, o sexo vinha sempre carregado de transgressão, de blasfêmia, de pecado, de ameaça de ir para o inferno.

Os dois tinham uma religiosidade cheia de conflitos, bem expressa na frase famosa de seu quase contemporâneo João Cabral de Melo Neto: “Não acredito em Deus mas tenho medo do inferno”. É uma religiosidade sem êxtase, sem epifanias e sem transcendência, uma religiosidade da qual tudo se evapora na descrença, menos o não, a proibição, a culpa, a condenação eterna por causa do pecado mortal. Uma religiosidade triste e sem esperanças, que nada lhes deixou de bom. Nem mesmo no plano moral, porque todo esse terror e essa tortura nunca os impediu de pecar desbragadamente, tanto na vida quanto na obra.

Buñuel diz que na Espanha de sua juventude só havia dois ambientes possíveis para o sexo: o bordel e o casamento. Diz ele: “Os homens da minha geração, e além disso espanhóis, sofriam duma timidez ancestral relativamente às mulheres e dum desejo sexual que era talvez o mais forte do mundo. Quando esse desejo, desrespeitando todas as interdições, conseguia ser satisfeito, causava um prazer físico incomparável, porque se misturava sempre com a alegria secreta do pecado. Sem sombra de dúvida que um espanhol tinha um prazer superior ao copular do que um chinês ou um esquimó”.

Quanto mais inatingível a mulher, mais desejável. Buñuel narra suas fantasias eróticas com a Rainha da Espanha, com a Virgem Maria, com a própria mãe. E diz uma das frases mais libertadoras do seu credo pessoal: “Foi apenas por volta dos sessenta ou sessenta e cinco anos que compreendi plenamente e aceitei a inocência da imaginação. Foi preciso este tempo todo para admitir que o que se passava na minha cabeça só me dizia respeito a mim”.

Texto originalmente publicado em Mundo Fantasmo

Nova peça da CiaSenhas torna cúmplice o espectador

Por: cortinasabertas

Fonte: cortinas abertas | Publicado em: 2014-02-15 03:15

Mariana M. Braga

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As cadeiras do público se espalham pelo palco. Tudo é cena. Obscura fuga da menina apertando sobre o peito um lenço de renda com encenação da CiaSenhas é, portanto, um espetáculo que nos torna cúmplices de tudo o que acontece no palco. A história escrita pelo argentino Daniel Veronese trata da fuga de uma jovem que deixa cartas a seus pais, ao pretendente a casamento e à amiga com quem parece ter vivido também experiências amorosas. Todos eles estão desesperados – mais por saber se as cartas teriam sido entregues aos destinatários certos, já que uma delas era mais ofensiva, do que com a real situação da menina. Os personagens parecem carregados de culpa.

Nessa peça em que palco e público se misturam, outros contrastes ganham espaço. O real se confunde com o surreal do desespero, as memórias com a verdade e o feminino com o masculino: o pai é interpretado por uma atriz que veste trajes femininos, uma gravata e usa bigode, enquanto a mãe é vivida por um ator com cabelos femininos e roupas normalmente consideradas masculinas.

A iluminação é sutil, enquanto a sonoplastia é mais brusca. Elas dão ritmo à peça, que envolve cada vez mais os espectadores dentro da aflição dos personagens. Obscura fuga da menina apertando sobre o peito um lenço de renda é intensa, é densa, nos leva a uma outra dimensão, porque nos coloca no palco de fato, diferente de direções de outras peças mundo afora que usam cadeiras para o público no palco de forma gratuita e sem efeito. O espetáculo é como uma pintura, em que os olhos se encontram de dentro da perspectiva da tela.

Serviço

TEATRO NOVELAS CURITIBANAS

De 13/02 a 16/03

De quinta a domingo às 20h

ENTRADA GRATUITA

40 lugares (sujeito a lotação)

Ficha Técnica

Texto: Daniel Veronese Direção: Sueli AraujoTradução: Isabel Cristina Jasinski Atores: Ciliane Vendruscolo, Greice Barros, Luiz Bertazzo, Kenni Roger  e Rafael di Lari Preparação Corporal: Cinthia Kunifas Iluminação: Wagner Corrêa Figurino: Amábilis de Jesus Cenário: Paulo Vinícius Maquiagem: Marcia Moraes Desenho de Som/Trilha Sonora: Ary Giordani Direção de Produção: Marcia Moraes Assistência de Produção: Edran Mariano Assessoria de Imprensa: Fernando de Proença Programação Visual: Adriana Alegria Fotografia: Elenize Dezgeniski

Texto originalmente publicado em cortinas abertas

NÃO DEIXE DE VER NO FESTIVAL – Cristiano, o cão louco

Por: cortinasabertas

Fonte: cortinas abertas | Publicado em: 2013-02-22 12:31

Teatro, Festival de Teatro de Curitiba, Grupo Obragem, Cristiano, o cão louco, Cultura

Mariana M. Braga

Grupo Obragem - Cristiano, o cão louco

Em Cristiano – o cão louco, além dos atores, cada espectador tem um papel muito importante: a peça não-linear, composta por fragmentos de memórias e voluntárias omissões dos personagens, convida o público a editá-la à sua maneira. A quebra da lógica dos sentimentos e a exploração dos múltiplos sentidos também contribuem para essa experiência única, apresentada pelos grandes atores Eduardo Giacomini e Leandro Daniel, que vivem Cristiano, um prisioneiro político, e Luís, seu carcereiro. Na tentativa de conquistar espaços, pessoas e ideias, eles acabam questionando suas posições e invertem seus papéis.

O espetáculo do Grupo Obragem é uma peça para adultos e faz parte da comemoração do aniversário da capital paranaense, promovida pela Fundação Cultural de Curitiba, e compõe a programação do Fringe no Festival de Teatro de Curitiba.

Grupo Obragem - Cristiano, o cão louco

Equipe de criação:

Atores: Eduardo Giacomini e Leandro Daniel

 Texto e direção: Olga Nenevê

Assistência de direção: Fernando de Proença

Direção de movimento: Marila Velloso

Trilha musical – instalação sonora: Vadeco

Iluminação: Lucas Amado

Fotos e vídeos: Elenize Dezgeniski

Cenário e figurino: Eduardo Giacomini

FRINGE

(clique aqui para acessar a página sobre a peça no Festival e comprar ingressos)

30/03 e 31/03 às 18h

02/04 e 03/04 às 19h

Ingressos de R$ 7 a R$ 14

Espaço Grupo Obragem

Alameda Júlia da Costa, 204 – São Francisco.

A peça também está em cartaz fora do Festival:

Estreia dia 01/03/2013.

Foram canceladas as apresentações de 06, 07, 08, 09 e 10/03 e na semana seguinte continua, até dia 24.
Quarta a domingo: 20h

Entrada franca.

Texto originalmente publicado em cortinas abertas

Entre o sexo, a morte e o grotesco – Dorotéia

Por: cortinasabertas

Fonte: cortinas abertas | Publicado em: 2013-08-03 02:47

Teatro, Nelson Rodrigues, Encenação, Crítica teatral, Artes cênicas

Mariana M. Braga

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Dorotéia: a peça do Nelson Rodrigues que mais traz elementos grotescos. A direção de Mariana Zanette, a cenografia de Aorelio Domingues e  a iluminação de Wagner Corrêa exploram essa característica da peça e de todo o teatro rodrigueano. Os atores e as atrizes vivem as viúvas da família que teria sido amaldiçoada, pois as mulheres não podiam enxergar os homens. Todas elas, após a noite de núpcias, sentiam uma náusea que as caracterizava como moças direitas. Todas elas teriam tomado substâncias para obterem chagas no rosto e no corpo, tornando-se feias, medonhas, e evitar o desejo.

Mas Dorotéia não teve a náusea e, mais do que isso, adorava homens e se tornara prostituta. Cansada da vida “leviana”, buscou as tias, pedindo para se tornar uma delas na feiura e no comportamento. Bastou a presença dela para desestabilizar a realidade das tias que viviam em vigília para não deixar o desejo aparecer e nem tinham quartos para evitar a intimidade. A partir de então, elas lutam com ainda mais veemência contra símbolos masculinos: o jarro e as botinas desabotoadas.

É uma história das pulsões contra o recalque. E o recalque vem representado pela feiura e a decomposição das personagens, muito contrastada nessa encenação com a beleza e a alegria de Dorotéia.

O cenário foi muito bem pensado, com dois grandes armários cilíndricos que giram. Eles caracterizam o interior da sala das viúvas, as portas, o lugar onde ficam as mortas e é também por onde anda o homem que passa a ser visto pelas senhoras, causando desespero. Ele faz acrobacias de um armário a outro e dentro deles. Muito bacana.

Foi boa a ideia de fazer a personagem morta de Maria das Dores aparecer ao fundo atrás de um tecido translúcido e depois pela projeção. O único problema é que o som muitas vezes ficou com um eco que nos impedia de entender o que a personagem dizia. Quem não conhecia o texto não pôde compreender  momentos importantes como quando a jovem morta diz que vai voltar ao útero da mãe.

Adorei ver uma peça rodrigueana tão bem dirigida e produzida em Curitiba, já que desde o centenário do escritor a maior parte delas estão acontecendo no Rio e em São Paulo. Está em cartaz até dia 25 de agosto, de terça a domingo, às 20h, na Cia. dos Palhaços. Rua Amintas de Barros, 307.

Texto originalmente publicado em cortinas abertas

Homem prende homem – sobre ‘Cristiano, o cão louco’

Por: cortinasabertas

Fonte: cortinas abertas | Publicado em: 2013-03-25 01:24

Teatro, Festival de Curitiba, Cristiano, O Cão Louco, Crítica social, Espaço Obragem

Mariana M. Braga

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Presos por uma coleira. Assim somos todos nós, desumanizados por nós mesmos. No Espaço Obragem, Leandro Daniel e Eduardo Giacomini nos representam se alternando entre os papéis de Cristiano, um prisioneiro político, e Luís, seu carcereiro.  Quem é vítima? Quem é algoz? E logo também podemos nos perguntar: Somos vítimas? Somos algozes?

Podemos chegar a essa reflexão pela peça não-linear escrita pela Olga Nenevê, em que o capítulo 16 vem antes do de número 3: é um convite para que o público a costure à sua maneira, o que inclui considerar todas as cenas um único momento em que tudo acontece.

O tom de força e tensão da peça é dado pela voz dos atores e principalmente pela expressão corporal. São intensos como o sangue que corre na veia na hora da raiva. Sentados na cadeira, pendurados como carniças no açougue ou de quatro como cães, os personagens Cristiano e Luís se confundem, se humanizam e se desumanizam, propondo a nós reflexões e questões sobre a estrutura na qual vivemos, que nos deixa acorrentados. Cristiano e Luís se encontram e se identificam no choro, no uivo. E é essa a sensação que contagia quem foi conferir de perto: a de transformar o latido num grande grito, daqueles de quebrar todas as correntes.

CRISTIANO, O CÃO LOUCO

A peça também estará em cartaz durante o Festival:

30 de março às 18h

31 de março às 18h

1º de abril às 19h

02 de abril às 19h

No Espaço Obragem

Al. Júlia da Costa, 204. São Francisco

Curitiba – PR

Bilhetes aqui.

Equipe de criação:

Atores: Eduardo Giacomini e Leandro Daniel

 Texto e direção: Olga Nenevê

Assistência de direção: Fernando de Proença

Direção de movimento: Marila Velloso

Trilha musical – instalação sonora: Vadeco

Iluminação: Lucas Amado

Fotos e vídeos: Elenize Dezgeniski

Cenário e figurino: Eduardo Giacomini

Texto originalmente publicado em cortinas abertas

NÃO DEIXE DE VER NO FESTIVAL – Outras ideias para quem ainda está perdido

Por: cortinasabertas

Fonte: cortinas abertas | Publicado em: 2013-02-25 02:14

Teatro, Leitura Dramatizada, Cultura, Curitiba, Agenda Cultural

Mariana M. Braga

FRINGE

A MULHER SEM PECADO

Depois do ano de comemoração do centenário de Nelson Rodrigues, o grupo de Blumenau traz para Curitiba uma leitura dramatizada de A Mulher sem pecado, primeira peça do dramaturgo. É a história do paralítico Olegário, que tem um ciúme doentio da mulher. O fim dessa história de obsessões (que não vou contar) é à rodrigueana.

A Mulher sem Pecado

Direção: Nadege Jardim

Elenco: Cleber Lach, Juliana Vendrami “Poly”, Sueli Elízio , Victor Hugo Carvalho de Oliveira

Estado: Santa Catarina

Cidade: Blumenau

SE ESSA RUA FOSSE MINHA…

E no comecinho de abril, recomendo passar pelo Largo da Ordem, no Bebedouro, para conferir Se essa rua fosse minha… Os transeuntes do coração de Curitiba vão ouvir as histórias e as surpresas de uma palhaça que vem lá de Manaus.

Se essa rua fosse minha...

Direção: Adelvane Néia

Elenco: Selma Bustamante

Música original: Edgard Lippo

Operação de som: Wallace Abreu

Produção: Selma Bustamante

Estado: Amazonas

Cidade: Manaus

Datas e horários:

A MULHER SEM PECADO

31/03 às 18h e 01/04 às 21h

CEU (Casa do Estudante Universitário)

SE ESSA RUA FOSSE MINHA…

05/04 às 10h

06/04 às 16h

07/04 às 18h

Largo da Ordem – Bebedouro

Texto originalmente publicado em cortinas abertas

CiaSenhas volta aos palcos com mais um texto do argentino Daniel Veronese

Por: cortinasabertas

Fonte: cortinas abertas | Publicado em: 2014-02-11 11:48

Teatro, CiaSenhas, Artes Cênicas, Agenda Cultural, Curitiba

Mariana M. Braga

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Depois de Circo Negro, a CiaSenhas volta aos palcos com mais um texto do dramaturgo argentino Daniel Veronese. Com Obscura fuga da menina apertando sobre o peito um lenço de renda, o Teatro Novelas Curitibanas recebe a história de um pai e uma mãe que descobrem que a  filha  está desaparecida. O espetáculo se desenrola no desespero pela ausência de Martina, com um texto que trabalha com as fronteiras entre personagens e atores, narrativa e drama, lírico e grotesco e a direção de Sueli Araujo que reforça os contrastes entre subjetividade e objetividade. A peça estreia nesta quinta-feira (13). Mais informações abaixo.

Serviço

TEATRO NOVELAS CURITIBANAS

De 13/02 a 16/03

De quinta a domingo às 20h

ENTRADA GRATUITA

40 lugares (sujeito a lotação)

Censura: 12 anos

Ficha Técnica

Texto: Daniel Veronese

Direção: Sueli Araujo

Tradução: Isabel Cristina Jasinski

Atores: Ciliane Vendruscolo, Greice Barros, Luiz Bertazzo, Kenni Roger  e Rafael di Lari

Preparação Corporal: Cinthia Kunifas

Iluminação: Wagner Corrêa

Figurino: Amábilis de Jesus

Cenário: Paulo Vinícius

Maquiagem: Marcia Moraes

Desenho de Som/Trilha Sonora: Ary Giordani

Direção de Produção: Marcia Moraes

Assistência de Produção: Edran Mariano

Assessoria de Imprensa: Fernando de Proença

Programação Visual: Adriana Alegria

Fotografia: Elenize Dezgeniski

Texto originalmente publicado em cortinas abertas

Nelson em Paris

Por: cortinasabertas

Fonte: cortinas abertas | Publicado em: 2012-10-28 12:09

Nelson Rodrigues, Teatro, Festival Les 100 visages de Nelson Rodrigues, Literatura brasileira, Paris

Mariana M. Braga

Festival Nelson Rodrigues, Paris

Desde que escrevi meu projeto para a candidatura à bolsa e ao mestrado da école onde estudo hoje, tenho o objetivo de difundir a obra, principalmente teatral, de Nelson Rodrigues. Por isso minha pesquisa trata dele, faço trabalhos e organizo uma peça, eventos de leitura e bate-papos sobre ele.

Em homenagem ao centenário do gênio, Flávia Lorenzi organiza o festival “Les 100 visages de Nelson Rodrigues”, em Paris, ao qual eu tive a honra de ser convidada para fazer uma intervenção sobre minha pesquisa, à qual eu dei o nome de “Nelson Rodrigues et l’inceste: une dramaturgie entre le sexe et la famille” (Nelson Rodrigues e o incesto: uma dramaturgia entre o sexo e a família).

Durante o festival haverá duas peças inspiradas nas obras do autor: Fleur d’Obession e Nelson de Rio. Vou conferir de perto a reação do público que vai descobrir os temas rodrigueanos. Vale lembrar que no começo de sua carreira, no Brasil, Nelson foi vaiado e chamado de tarado.

Deixo este vídeo sobre a peça Fleur d’Obsession, do grupo Bruta Flor, dirigido por Flávia Lorenzi, para vocês terem uma ideia de como será a peça. Quem conhecer pessoas que morem neste canto do mundo , não hesite em divulgar. E quem puder vir para conferir, vale a pena! Para ver o pdf do evento clique aqui.

http://vimeo.com/52155122

Texto originalmente publicado em cortinas abertas

Os noivos – Nelson Rodrigues

Por: catalisecritica

Fonte: Catálise Crítica | Publicado em: 2011-08-31 15:10

Literatura, Nelson Rodrigues, Conto, Crítica literária

Por José Reinaldo do Nascimento Filho

Primeira vez que tenho contato com os escritos dessa figura. Gostei imensamente do estilo empregado por ele para contar essa historieta. Muito cínico ele. Algumas piadas internas aqui e acolá que pareciam estar destinadas a mim. Agora, a conclusão do texto…

Valeu pelo ineditismo.

Leia clicando aqui: http://www.releituras.com/nelsonr_osnoivos.asp

Texto originalmente publicado em Catálise Crítica

Nova peça do grupo Obragem entra em cartaz em Curitiba

Por: cortinasabertas

Fonte: cortinas abertas | Publicado em: 2014-01-12 01:29

Teatro, Curitiba, Obragem Teatro e Cia., Águas

O grupo Obragem Teatro e Cia. apresenta um novo espetáculo em Curitiba. A peça de teatro Águas, de Eduardo Giacomini e Olga Nenevê, entra em cartaz dia 16 de janeiro e segue até 02 de fevereiro. As apresentações acontecem no Villa Hauer Cultural. Confira abaixo o teaser da peça:

SERVIÇO:

Quinta a sábado às 20h e domingo às 19h

Villa Hauer Cultural (Rua Bom Jesus do Iguape, 2121 – Vila Hauer)

Mais informações: 3333-7652  | 8414-0292

http://www.grupoobragemdeteatro.com.br

Texto originalmente publicado em cortinas abertas