Literatura de espionagem

8 textos neste tema

JOHN LE CARRÉ 1931-2020

Fonte: Da Literatura - Eduardo Pitta | Publicado em: 2020-12-01 00:00

John Le Carré, Literatura inglesa, Espionagem, Biografia, Obituário

Hoje na Sábado.

A notícia chegou domingo à noite, mas John Le Carré morreu no sábado, 12 de Dezembro. Tinha 89 anos e estava internado no Royal Cornwall Hospital com uma pneumonia.

Margaret Atwood e Simon Sebag Montefiore reagiram imediatamente. A escritora canadense foi peremptória: George Smiley, o espião que Chamada Para a Morte (1961) acrescentou à literatura, é «a chave» para a compreensão dos anos da Guerra Fria. Ter em conta que Smiley é o protagonista de dez dos trinta livros publicados por Le Carré até 2019. O historiador foi curto, classificando Le Carré como «o gigante da literatura inglesa».

Mas é um erro supor que John Le Carré foi apenas um brilhante autor de thrillers de espionagem. Le Carré é um dos nomes mais importantes da literatura de língua inglesa em qualquer género. Em 2013, já Ian McEwan havia dito numa entrevista que ele era «o romancista inglês mais importante da segunda metade do século XX […] ilustrando o declínio britânico como mais ninguém.» Com efeito, o facto de ter trabalhado nos serviços secretos britânicos durante 15 anos, primeiro no MI5, depois no MI6 (o mesmo fizeram Somerset Maugham e Graham Greene, para citar apenas dois), apenas o habilitou a descrever, com energia e sarcasmo, aquilo a que chamou o Circo. A fuga de Kim Philby para Moscovo pôs fim a essa fase da sua vida. Ironia suprema: por todo o mundo, os serviços de Intelligence subsumiram como jargão próprio os termos que Le Carré utiliza nos livros que escreveu. Dito de outro modo, a realidade adoptou a ficção. Como sublinha Boyd Tonkin, desde J.R.R. Tolkien que nenhum outro autor criou um «laboratório da natureza humana» de tal envergadura.

Nascido David John Moore Cornwell, a 19 de Outubro de 1931, em Pool, na Inglaterra, escolheu o pseudónimo que o celebrizou. A fama planetária chegou com o terceiro livro, O Espião Que Saiu do Frio (1963), adaptado ao cinema por Martin Ritt. A partir daí, Le Carré entrou na lenda. 

Oriundo de uma família problemática — quem leu as memórias coligidas em Túnel de Pombos lembra-se do capítulo sobre Ronnie, «vigarista, fantasista, preso ocasional e meu pai…» —, foi educado em colégios privados, estudou na Universidade de Berna e em Oxford, formou-se em línguas modernas e deu aulas em Eton. Não ter visto a mãe dos 5 aos 21 anos de idade não terá ajudado.

Além do conflito Leste/Oeste, o espectro da obra inclui temas tão diferentes como as “prioridades” da indústria farmacêutica, os trambiques da ajuda humanitária internacional, a queda do Muro de Berlim, o colapso da URSS, o tráfico de pessoas e armas, o expansionismo israelita, o “zelo” securitário que se seguiu ao 11 de Setembro, lavagem de dinheiro, etc. Livros como A Toupeira (1974), O Ilustre Colegial (1977), A Gente de Smiley (1979), Um Espião Perfeito (1986, o mais autobiográfico de todos), O Gerente da Noite (1993), O Nosso Jogo (1995), O Fiel Jardineiro (2001), Amigos Para Sempre (2003), Um Traidor dos Nossos (2010), Uma Verdade Incómoda (2013), para citar apenas alguns, são hoje clássicos. Como escreveu Timothy Garton Ash, em 1999, na New Yorker, «o verdadeiro assunto de Le Carré não é a espionagem, é o labirinto infinitamente enganador das relações humanas…»

Adversário de Trump e Boris Johnson, equiparava-os a mafiosos. No último livro, Agente em Campo, publicado em Outubro de 2019, ambos estão no centro da intriga, que gira em torno do hipotético conluio (encoberto) entre os Estados Unidos e os serviços secretos britânicos, com o intuito de desacreditar a União Europeia… As derradeiras ilusões que tinha com o Reino Unido perdeu-as com o Brexit.

Avesso a homenagens (recusou ser feito Cavaleiro pela rainha), recebeu vários prémios literários, o mais recente dos quais o Olof Palme 2019, que lhe foi atribuído «pela qualidade e humanismo da sua escrita, acerca da liberdade do indivíduo e das questões fundamentais da humanidade.» Casou duas vezes e é pai de quatro filhos (o mais novo é o escritor Nick Harkaway). Vivia na Cornualha há mais de quarenta anos, embora tivesse mantido a casa de Londres, em Hampstead.

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Texto originalmente publicado em Da Literatura - Eduardo Pitta

Novidade – “O Espião Solitário” de Charles Beaumont

Fonte: Ministério dos Livros | Publicado em: 2025-09-17 12:45

espionagem, literatura, thriller, resenha

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Mais sobre o livro AQUI

Sinopse:

Foi um dos maiores escândalos dos serviços de informação britânicos: na década de 50, em Cambridge, formou-se uma rede de espiões que durante anos passou segredos de estado aos soviéticos. Poderia acontecer a mesma coisa em Oxford?

Simon Sharman desconfia que sim. Ex-agente do MI6, que abandonou o serviço de forma inglória, é agora, em 2022, um investigador privado. A profissão chega para pagar as contas, mas não é a mesma coisa: não gosta do que faz e sente-se irrelevante.  

Até ao dia em que é incumbido de investigar um oligarca russo. É uma tarefa de rotina, uma empresa quer saber se o milionário tem esqueletos no armário. E é aí que tudo se complica. Simon descobre que houve viagens regulares e inexplicáveis a Oxford, pagamentos de offshores suspeitos… Haverá razão para alarme, ou será apenas a sua paranoia de ex-espião?

De repente, o investigador vê-se perseguido por mercenários (provavelmente russos), é quase assassinado, não tem para onde ir. Fora do sistema, excluído do MI6, Simon está por sua conta. E a sua investigação vai levá-lo de Londres à Europa central – Viena, Praga, arriscadas travessias dos Alpes para chegar incógnito à Suíça. Só lhe resta uma pessoa no mundo, uma ex-amante, ex-espiã dos tempos de Oxford, que pode ou não ter uma agenda própria…

Estreia extraordinária de Charles Beaumont, ex-agente do MI6, O Espião Solitário tem todos os ingredientes de um grande romance de espionagem: o enredo engenhoso, a autenticidade, o contexto político assustadoramente credível, o suspense, a ação sincopada.

E uma desiludida melancolia, própria dos grandes anti-heróis da ficção, que tanto nos remete para John le Carré como para o universo de Mick Herron.

Texto originalmente publicado em Ministério dos Livros

Conheça a história verídica do

Fonte: Book Stories 2.0 | Publicado em: 2023-02-25 00:00

Guerra Fria, Espionagem, CIA, KGB, União Soviética, História Militar, Adolf Tolkachev

Baseando-se em arquivos da CIA recentemente disponibilizados e em entrevistas com os protagonistas, David Hoffman criou um retrato sem precedentes e pungente de Tolkachev, um homem motivado pelas depredações do Estado soviético para dominar a arte de espiar contra o seu próprio país.Agitado, imprevisível e por vezes insuportavelmente tenso, ‘O Espião de um Bilião de Dólares’ é um brilhante feito de reportagem que se desenrola como um thriller de espionagem.Um dos espiões mais valiosos a trabalhar para os Estados Unidos nas quatro décadas de confronto global com a União Soviética, Tolkachev correu enormes riscos pessoais – tal como os agentes americanos. A CIA tinha há muito lutado para recrutar e desenvolver uma rede de agentes em Moscovo, e Tolkachev foi um avanço singular.Usando câmaras de espionagem, códigos secretos e encontros fugidios em parques e nas esquinas das ruas, Tolkachev e a CIA conseguiram durante anos iludir o temido KGB no seu próprio território, até que chegou o dia em que uma traição chocante os pôs a todos em risco.Ao sair da embaixada americana em Moscovo na noite de 16 de fevereiro de 1978, o chefe de posto da CIA ouviu uma pancada na janela do seu carro. Um homem no passeio entregou-lhe um envelope cujo conteúdo aturdiu a inteligência americana: detalhes da investigação soviética ultrassecreta e desenvolvimentos na tecnologia militar que eram totalmente desconhecidos para os Estados Unidos.Nos anos que se seguiram, Adolf Tolkachev, engenheiro num gabinete de design militar soviético, usou o seu acesso de alto nível para entregar dezenas de milhares de páginas de segredos soviéticos. Tais revelações permitiram à América reformular os seus sistemas de armas para derrotar o radar soviético no solo e no ar, dando aos Estados Unidos uma quase total superioridade nos céus sobre a Europa.Durante anos, conseguiram iludir o temido KGB no seu próprio território, até que chegou o dia em que uma traição inesperada pôs tudo em risco.

Texto originalmente publicado em Book Stories 2.0

O agente secreto Sam Capra está de regresso em

Fonte: Book Stories 2.0 | Publicado em: 2023-05-17 00:00

Literatura, Thriller, Espionagem, Lançamento editorial

A Porto Editora publica, já amanhã, 'A Dança da Traição', o novo thriller de Jeff Abbott. É o regresso do agente secreto Sam Capra, herói relutante há muito "fora do ativo"."Pode ser um desafio regressar a uma série após uma pausa de cinco anos, mas eu queria mesmo voltar ao misterioso mundo de Sam Capra", confessa Jeff Abbott. Em 'A Dança da Traição', o autor faz a ação avançar dez anos desde a última vez que lemos sobre o incansável agente secreto, para que o filho de Capra seja agora adolescente e uma personagem ativa no enredo.Sam Capra e o filho de treze anos, Daniel, desfrutam de uma vida tranquila em Austin, de onde Sam continua a administrar a sua rede de bares e clubes noturnos.Secretamente, porém, Sam trabalha para a agência de espionagem mais sigilosa dos EUA, conhecida como Secção K, enquanto tenta parecer um típico pai suburbano.Um dia, é abordado por um colega, que lhe faz uma revelação incrível: Markus Bolt desapareceu. Bolt é o traidor por definição, responsável por denunciar nomes de agentes aliados dos EUA e segredos militares aos russos.Há décadas que vive exilado em Moscovo, de onde parece ter agora fugido para parte incerta e sem razão aparente. Sam é encarregado de vigiar Amanda, a filha que Bolt abandonou nos EUA, e determinar se ela conhece o paradeiro atual do pai.O objetivo é encontrar o traidor antes dos seus ferozes perseguidores e ajudar à sua captura. No entanto, à medida que a busca se vai intensificando, Sam é forçado a envolver-se mais do que o planeado, não só para proteger Amanda, como para enfrentar um crescendo de ameaças – uma das quais pode mudar a sua vida e a do filho para sempre."Guarda os teus segredos. Guarda-os bem guardados. Poderão acabar por ser tudo aquilo que tens", avisam-no às tantas!

Texto originalmente publicado em Book Stories 2.0

Homenagem a John Le Carré

Fonte: Book Stories 2.0 | Publicado em: 2020-12-14 00:00

Literatura, John Le Carré, Espionagem, Falecimento, Adaptações cinematográficas, Guerra Fria

Castanhos Quentes Citação Inspiradora Outono Pos

Morreu, este sábado, um dos nomes maiores da literatura britânica e mundial.

John Le Carré, que marcou uma geração de leitores com os seus livros sobre espiões, fechou os olhos para sempre aos 89 anos.

Mas o seu nome perdurará para sempre no imaginário de milhões de pessoas graças aos seus livros inspirados na sua própria experiência pessoal enquanto agente do MI5.

David John Moore Cornwell trabalhou com os serviços secretos britànicos entre 1958 e 1964, sendo que o primeiro livro – ‘Chamada para a Morte’ – foi publicado em 1961. No ano seguinte publicou ‘Um Crime Quase Perfeito’ e em 1963 ‘O Espião que Saiu do Frio’.

O sucesso deste último livro foi tal que David, que ficou mundialmente conhecido pelo pseudónimo de John Le Carré, deixou a vida de espião para se dedicar inteiramente à escrita.

A Guerra Fria foi um dos grandes temas das suas obras, mas com a queda da Cortina de Ferro, o autor decidiu modernizar-se e acompanhar a mudança dos tempos, passando a introduzir nos seus romances temas como o desmembramento da União Soviética, a política dos Estados Unidos da América no Panamá, as manobras obscuras da indústria farmacêutica em África e o terrorismo islâmico.

John Le Carré escreveu 25 romances, mas também ensaios, textos de opinião e até contos e vários dos seus livros foram adaptados para o cinema, como ‘O Espião que Saiu do Frio’, ‘O Fiel Jardineiro’, ‘A Rapariga do Tambor’, ‘A Toupeira’, entre outros.

Texto originalmente publicado em Book Stories 2.0

GORDIEVSKY POR MACINTYRE

Fonte: Da Literatura - Eduardo Pitta | Publicado em: 2019-07-01 00:00

Espionagem, Guerra Fria, Biografia, História, KGB, MI6

A capa engana. Reproduz a edição original hardcover, mas nem por isso deixa de parecer um bestseller série B. Nada mais errado. The Spy and the Traitor: The Greatest Espionage Story of the Cold War (2018), do historiador britânico Ben Macintyre, é uma excelente biografia de Oleg Gordievsky, ex-coronel do KGB que trabalhou para o MI6 britânico entre 1974 e 1985. Com outra identidade, Gordievsky, actualmente com 80 anos, vive hoje algures na Inglaterra.

O livro é viciante. Macintyre não é Le Carré, mas anda lá perto. Condenado à morte após a deserção para Londres, Gordievsky sobreviveu em 2007 a uma tentativa de envenenamento quando vivia no Surrey. O volume inclui dezenas de fotografias e uma minúcia informativa pouco comum em obras do género. Da bibliografia de Macintyre constam livros sobre (entre outros) Eddie Chapman, o famoso agente Zigzag, e Kim Philby, o mítico espião britânico oriundo do grupo de Cambridge que desertou para Moscovo em 1963.

Se gosta de thrillers, este tem a vantagem de ser sobre factos verídicos.

Texto originalmente publicado em Da Literatura - Eduardo Pitta

Novidade – “O Sétimo Andar” de David McCloskey

Fonte: Ministério dos Livros | Publicado em: 2025-08-05 12:45

espionagem, literatura, suspense, agentes secretos

O agente da CIA Sam Joseph é enviado para Singapura para se encontrar com Golikov, um agente duplo russo que lhe quer vender informações. A conversa chega a acontecer, mas com consequências letais: Golikov é assassinado e Sam é raptado pelos serviços de contrainformação do inimigo.

No outro lado do mundo, na sede dos serviços secretos americanos, Artemis Procter, a organizadora da operação, torna-se o bode expiatório do fracasso. É sumariamente despedida.

Meses mais tarde, Sam consegue regressar aos Estados Unidos.

Selvaticamente torturado pelos russos, resistiu heroicamente aos interrogatórios e nunca lhes revelou a suspeita de Golikov: há uma toupeira na CIA. Não revelou aos russos, nem a mais ninguém. Agora que sabe que há um infiltrado na CIA, todo o cuidado é pouco.

Resta-lhe procurar Artemis, a sua antiga mentora, a única pessoa em quem pode confiar. Juntos decidem montar uma operação clandestina para descobrir o traidor. Na caça à toupeira, vão ter de enfrentar não apenas os russos, mas sobretudo as chefias da agência, que querem a todo o custo esconder a verdade.

De Langley a Moscovo, de Paris a Singapura, movem-se as peças de O Sétimo Andar, um sanguinolento xadrez internacional, desenhado com mestria por David McCloskey – a grande estrela dos romances de espionagem contemporâneos e autor de dois aclamados bestsellers, Estação Damasco e Moscovo X.

Texto originalmente publicado em Ministério dos Livros

'Amigos até ao fim' faz o retrato da espionagem à moda antiga - Book Stories 2.0

Fonte: Book Stories 2.0 | Publicado em: 2023-04-13 00:00

Guerra do Iraque, Espionagem, Guerra Fria, Imperialismo americano, Idealismo, 11 de Setembro

No seguimento da guerra do Iraque, o inglês Edward 'Ted' Mundy, filho de um major na reserva do antigo exército indiano, escritor falhado e guia turístico na Baviera, vê reaparecer o seu passado.E o passado chega-lhe na pessoa de Sacha, o militante da Alemanha de Leste que ele encontrara nos finais dos anos 60 numa Berlim entregue à agitação revolucionária, e que tornou depois a ver no espelho embaciado dos espiões da Guerra Fria, para a montagem de uma operação de agente duplo. Mas os tempos mudaram e a amizade dos dois, renovada em nome de um idealismo tornado obsoleto, vai ser minada pelas cínicas manobras de uma América mais imperialista do que nunca.Com 'Amigos até ao fim', que já está disponível nas livrarias nacionais, John le Carré fez o epitáfio da espionagem à moda antiga e dos valores ultrapassados que estruturavam o universo dos agentes secretos.Depois do 11 de Setembro, as "causas justas" perderam o seu valor quando a América de Bush impôs a todo o mundo a marcha forçada da sua autoglorificação triunfalista e hegemónica. Lançando um olhar cruelmente céptico sobre as manobras maquiavélicas de uma América envolta na sua boa consciência, le Carré denuncia também a cega mesquinhez do homem e a sua mensagem desesperada perseguirá o leitor durante muito tempo após a leitura da última linha.

Texto originalmente publicado em Book Stories 2.0