Literatura Contemporânea Nigeriana

10 textos neste tema

Chinua Achebe – O mundo se despedaça (Things fall apart)

Por: Nego Dito

Fonte: Livrada | Publicado em: 2010-08-25 12:00

Literatura nigeriana, Cultura Ibo, Sepultura, Crítica literária, Publicação e design editorial

O mundo se despedaçaE aí galera, como vocês estão? Eu tô um bagaço, preciso começar a ganhar dinheiro com esse negócio de crítica, senão to ferrado. Ficar fazendo isso no contratempo é ruinzão. Mas hey, vocês não vieram aqui para me ouvir reclamar da vida, né? Então vamos ao que interessa.

Um dos mais requisitados “termos de motor de busca”, ou seja, as palavrinhas que trazem os leitores ao meu blog (e que de vez em quando me surpreendem com coisas bizarras que eu, volta e meia, jogo lá no twitter para divertí-los também por lá) é “literatura da Nigéria”. Isso acontece porque, logo quando eu estava começando o blog, resenhei um livro da autora Chimamanda Ngozi Adichie chamado Meio Sol Amarelo (aliás, o nome da moça e o título do livro são bem requisitados também). Senti que não tava com essa bola toda pra falar de literatura nigeriana e resolvi ir atrás de mais um livro. Mas não dou passo em falso. Li lá na Gazeta do Povo uma resenha ixperta do camarada Irinêo Netto sobre o livro O mundo se despedaça, do bambambã da literatura nigeriana, Chinua Achebe e pensei que esse seria um bom livro para se inteirar mais sobre o assunto.

Já ouviu falar de Chinua Achebe? Bom, se você foi um bom fã de Sepultura, deve ter percebido que o clipe de Roots Bloody Roots (a melhor fase do Max, é ou não é?) começa com uma citação do autor. Êta metaleirada culta da gota! Curiosamente, a maioria dos clipes da música disponíveis no Youtube limaram esse começo, mas o papai aqui achou um para vocês verem que eu não to de brincadeira. E sério, gente, vocês podem não curtirem muito metal, mas se vocês não gostam do Roots do Sepultura, é bom dar uma conferida no seu senso de humor porque esse disco é o ouro. E não me venha com esse papo de que o Arise ou o Chaos A.D. são outros quinhentos porque não tem música nenhuma com o Carlinhos Brown, podicrê?

Bom, O mundo se despedaça é uma viagem bacana e consideravelmente profunda for a white guy ao universo Ibo. Os guerreiros ibos, suas mulheres ibas, seus filhos ibinhos, todos moravam na Ibolândia, região da Nigéria que, no final da década de 60, virou a república de Biafra, que, como Ícaro, voou, voou, subiu, subiu e se espatifou bonito no chão pelas mãos das tropas da Onu, dos hauçás maloqueiros e de todo o resto do mundo que não tava a fim de ver pobre feliz. Como bom ibo que é, Achebe conhece a fundo as tradições do povo e pôde, a partir desse conhecimento, sangrar a história de Okonkwo, uma espécie de Eric, o Vermelho da Ibolândia, guerreiro temido e respeitado que é gente que faz. As tradições do povo são muitas para eu ficar aqui contando pra vocês, só adianto que é uma galera tarada num inhame e num vinho de palma (eca!).

Chinua AchebeBom, o livro demora para entrar no assunto principal (igual a esse blog, hã? Hã?), que é a seguinte: Okonkwo mata, sem querer querendo, um membro do seu clã e é obrigado a viver no exílio por sete anos, tempo que sai de Umófia, sua aldeia, cheia de boi de bota, para ir para Mbanta, terra de nego ponderado igual paulista. O problema de contar mais do que isso é que é contar quase o fim do livro. O que dá pra falar, porque isso a orelha já fez o favor de contar mesmo, é que o garotão deveria engolir o orgulho e baixar a bola, mas o cabra quando é ignorantão e cabeça dura, não tem jeito, pisa na bola quando pode. E isso é, mais ou menos, uma metáfora do porquê a civilização rachou no meio igual melancia na roça quando tá boa. Vocês vão entender o que eu estou dizendo se lerem o livro.

A história é muito boa, mas convenhamos: o sujeito se explica demais.  Bom, tudo bem, nesse sentido ele até que foi esperto: usou uma historinha de fantoche para entreter a gente enquanto ele ensina sobre seu povo. Engraçado que, nesse livro, do qual eu esperava história, ganhei explicação e no outro, da Chimamanda Adichie, esperava explicação e só ganhei história. Vamos deixar de reclamar então, que acho que o problema é comigo.

E que belo projeto gráfico esse da Companhia das Letras. Simples, mas bem bonito. Não é do feitio da editora fazer livros muito estampados e com letras muito grandes, mas até que a variação ficou boa. Tem essa foto assustadora da capa, de um negro se vestindo de branco, tipo aquele filme O Cantor de Jazz no Mundo Bizarro (sério, quando eu falo mundo bizarro, eu quero dizer o mundo bizarro do super-homem. Por que ninguém saca essa referência e acha que eu tô falando daquela coluna do G1?). Acho que seria algo como “O cantor de (insira aqui o seu gênero musical caucasiano de preferência)”. A foto é do rapazote G.I. Jones, um bonequinho do Comandos em Ação que viu uns três filmes do Woody Allen e resolveu se dedicar à fotografia, expondo seu acervo no Museu de Arqueologia & Antropologia da Universidade de Cambridge (puta nome pomposo esse “Cambridge”, só de pronunciá-lo você já se sente mais fresco). Fonte Electra é sempre bem vinda e papel pólen soft é fundamental. A tradução foi feita pela Vera Queiroz da Costa e Silva e a introdução pelo Alberto da Costa e Silva, ou seja, ninguém mete a colher. Tem uma epígrafe linda, linda, linda do Yeats, donde vem o título da obra. Aliás, repararam que “things” foi traduzido como “mundo”, né? Tradutores de poesia do meu Brasil, saquem suas defesas do bolso. Mentira, assunto encerrado.

Bom, é isso por hoje, minha gente. Tão afim de ler o lado A da crítica? Já sabe, é lá na Revista Paradoxo. Essa semana, um livro do Italo Calvino pra galeraê!

Ah, vai, vou terminar com a epígrafe do livro, que realmente vale a pena. Lá vai:

“O falcão, a voar num giro que se amplia,

Não pode mais ouvir o falcoeiro;

O mundo se despedaça; nada mais o sustenta;

A simples anarquia se desata no mundo”

Vê que com a tradução, aparece “mundo” duas vezes. Fazer o quê, né?

Comentário final: 236 páginas pólen soft. Pof pof pof!

Texto originalmente publicado em Livrada

Chimamanda Ngozi Adichie – Meio Sol Amarelo (Half of a yellow sun)

Por: Nego Dito

Fonte: Livrada | Publicado em: 2010-04-11 22:05

Literatura nigeriana, Guerra Civil de Biafra, Crítica literária, Identidade africana, Romance histórico

Devo confessar que minhas expectativas sobre esse livro quase foram a sua ruína antes da hora. Foi preciso que eu parasse, refletisse sobre a intenção dele, para então começá-lo de novo e dessa vez, sim, entender a proposta da jovem escritora Chimamanda Adichie com Meio Sol Amarelo. A escritora foi minha porta de entrada para a literatura nigeriana (não posso fazer nada se resolveram publicar um livro do Chinua Achebe só no ano passado), e por isso, esperava que o livro não só me apresentasse o estilo da literatura do país, mas também a identidade nigeriana. E foi burrice minha, já deveria saber que literatura nenhuma tem obrigação a buscar esse tipo de coisa para o leitor.

Por outro lado, como J.M. Coetzee muito bem colocou na segunda palestra do romance Elizabeth Costello, o romance africano é escrito quase que exclusivamente para estrangeiros, visto que a população de leitores no continente é muito baixa. Sendo assim, o romancista africano deve construir, em todo livro, uma imagem da África que seja coerente com a idealização que nós, não-africamos, temos do continente, seja ela qual for. E não que Adichie não tenha feito isso. O problema (para mim, em um primeiro momento, pelo menos) era que esse não fosse o foco da obra.

Meio Sol Amarelo conta a história de um grupo de pessoas — mais especificamente duas irmãs, Olanna e Kainenne, que, no final da década de 60, separaram-se ideologicamente por conta da guerra civil que culminaria com a fundação de Biafra, o estado independente do povo ibo que existiu por três anos, até sua dissolução, em 1970. Enquanto o grupo, que é formado também por um jornalista inglês e um menino do interior do país, luta para sobreviver, rolam umas brigas familiares e um troca-troca de casais que eu achava que não tinha nada a ver com a história.

Acontece que justamente a briga familiar e o troca-troca de casais é a verdadeira história do livro. A guerra civil foi o momento histórico que costurou todo o enredo e foi responsável pelo desfecho de cada um dos personagens, mas não era a intenção da escritora entrar em muitos detalhes sobre o episódio (embora haja sim, algumas discussões políticas). Para fazer um comparativo de fácil compreensão, eu estava irritado como um alemão que pega o Tempo e o Vento, do Érico Veríssimo, para ler, e espera tomar conhecimento de cem anos de política nacional. Foi aí que percebi o porquê de Meio Sol Amarelo ser um Best-seller da língua inglesa (mais de 320 mil exemplares, se não me engano). Quem lia esse livro, o lia como um romance de amor em tempos difíceis, como um desses dramas de guerra ou algo assim. Um evento histórico que muda a vida de algumas pessoas. Mas nunca como uma análise sobre o episódio.  E assim, entendida essa questão, preciso dizer que a leitura da moça não é capaz de pegar na veia.

Talvez esteja fazendo uma leitura muito simplória desse livro, mas acredite, já tentei fazer a leitura mais difícil dele também. Traduzido para 27 línguas, ganhador de alguns prêmios (entre eles o Orange Prize, que só dá prêmio pra esse tipo de livro, quase), uma belíssima publicação da Companhia das Letras que — pasmem vocês — não teve a capa feita pelo João Baptista da Costa Aguiar (foi uma artista chamada Mayumi Okuyama, que fez algumas outras capas, como o do livro A Outra Vida, do escritor Rodrigo Lacerda), tudo isso não fez a obra bater no coração. Mas tudo bem. Não deixa de ser uma boa leitura só porque não é especial.

Comentário final: Pesadas 502 páginas pólen soft. Quebra umas costelas facilmente.

Texto originalmente publicado em Livrada

Livro: Americanah – Chimamanda Ngozi Adichie.

Por: umapaixaochamadalivrosblog

Fonte: Umapaixaochamadalivrosblog | Publicado em: 2020-10-17 00:11

imigração, questão racial, identidade, literatura nigeriana, romance

Boa noite, leitores 🌼
Talvez essa seja minha obra preferida da autora (das 5 que li), mas pode ser que seja um arroubo por ter lido agora. Falarei mais detalhado do livro no YouTube, mas algumas coisas já desejo escrever.
Conta a história da Ifemelu, da sua juventude na Nigéria, país natal, seus amigos, seus pais, sua tia e primo, seu romance com Obinze, sua carreira acadêmica em Jornalismo e sua pós em Princeton, quando ela decide partir para os EUA e se descobre negra, seu blog sobre raça, suas dificuldades no país estrangeiro, um trauma que acontece, seus empregos como babá, seus namoros com um homem branco rico e com um professor afroamericano bem sucedido, a eleição de Barack Obama, em forma de memórias enquanto ela trança seus cabelos em um salão depois de 15 anos vivendo na América, antes de seu retorno à África. Também aborda os cuidados com cabelos crespos. Há a sensação de nostalgia presente, assim como a lição de que depois que nos distanciamos com o tempo, grandes tragédias não parecem mais tão importantes. Ela é a protagonista desse #livro, mas também temos alguns capítulos contados por Obinze, que permanece na Nigéria, até que as greves se tornam insustentáveis e ele parte para a Inglaterra. Mostrando todas as barreiras para imigrantes, o processo legal e injusto, até sua deportação de volta, onde ele se estabelece e faz dinheiro no ramo das construções, em um casamento cômodo e  uma filha. Lindo, potente e viciante, a #leitura é fluída e prazerosa. #recomendo

Lagos, anos 1990. Enquanto Ifemelu e Obinze vivem o idílio do primeiro amor, a Nigéria enfrenta tempos sombrios sob um governo militar. Em busca de alternativas às universidades nacionais, paralisadas por sucessivas greves, a jovem Ifemelu muda-se para os Estados Unidos. Ao mesmo tempo que se destaca no meio acadêmico, ela depara pela primeira vez com a questão racial e com as agruras da vida de imigrante, mulher e negra. Quinze anos mais tarde, Ifemelu é uma blogueira aclamada nos Estados Unidos, mas o tempo e o sucesso não atenuaram o apego à sua terra natal, tampouco anularam sua ligação com Obinze. Quando ela volta para a Nigéria, terá de encontrar seu lugar num país muito diferente do que deixou e na vida de seu companheiro de adolescência. Chimamanda parte de uma história de amor para debater questões prementes e universais como imigração, preconceito racial e desigualdade de gênero. Bem-humorado, sagaz e implacável, Americanah é, além de seu romance mais arrebatador, um épico contemporâneo.

#americanah #chimamandangoziadichie #companhiadasletras #2014 #romance #notacinco #favorito #literaturanegrafeminina #leiamulheres #leiaautoresnegros

Beijos e até a próxima 📚🧡.

Texto originalmente publicado em Umapaixaochamadalivrosblog

Livro Meio Sol amarelo – Chimamanda Ngozi Adichie.

Por: umapaixaochamadalivrosblog

Fonte: Umapaixaochamadalivrosblog | Publicado em: 2019-01-06 18:22

literatura nigeriana, guerra de biafra, resenha literária, ficção histórica

Boa tarde leitores,

Com esta capa maravilhosa, de uma autora que eu sou muito fã, apresento minha segunda #leitura do ano.

Um livro denso, de 500 páginas que mistura #ficcao com fatos históricos do país, a tentativa de criar uma nova nação contra o colonialismo europeu e a submissão aos Estados Unidos, fez com que a Nigéria fosse dividida, surgindo a Biafra, no final dos anos 60.

Demorei para me envolver com a narrativa e com os personagens. Sendo divididos em três pontos de vista, em primeira pessoa. Talvez o fato de ter lido #hibiscoroxo ano passado e ele ter se tornado um #favorito de tão incrível, eu esperava me encantar mais.

O que contribuiu para isso também foi o fato dos dois personagens que eu mais gostei, e protagonistas, Olanna e Ugwu, serem tão carismáticos, mas cada um cometendo um erro terrível (em um dos casos, sendo crime, inclusive), me distanciou um pouco. Mesmo sabendo que guerras trazem atitudes extremas, fiquei decepcionada.

E só me faz ter a mesma certeza, que toda guerra é cruel, desumana e torna a todos piores.

#meiosolamarelo #chimamandangoziadichie #companhiadasletras #2008 #ficcaonigeriana #notaquatro #book #metadeleitura #leitoracompulsiva #literaturaestrangeira #livroseleitura #dicadelivro

Filha de uma família rica e importante da Nigéria, Olanna rejeita participar do jogo do poder que seu pai lhe reservara em Lagos. Parte, então, para Nsukka, a fim de lecionar na universidade local e viver perto do amante, o revolucionário nacionalista Odenigbo. Sua irmã Kainene de certo modo encampa seu destino. Com seu jeito altivo e pragmático, ela circula pela alta roda flertando com militares e fechando contratos milionários. Gêmeas não idênticas, elas representam os dois lados de uma nação dividida, mas presa a indissolúveis laços germanos – condição que explode na sangrenta guerra que se segue à tentativa de secessão e criação do estado independente de Biafra.

Contado por meio de três pontos de vista – além do de Olanna, a narrativa concentra-se nas perspectivas do namorado de Kainene, o jornalista britânico Richard Churchill, e de Ugwu, um garoto que trabalha como criado de Odenigbo.

Beijos e até a próxima 📚.

Texto originalmente publicado em Umapaixaochamadalivrosblog

Livro: Notas sobre o luto – Chimamanda Ngozi Adichie.

Por: umapaixaochamadalivrosblog

Fonte: Umapaixaochamadalivrosblog | Publicado em: 2022-05-21 21:30

luto, literatura contemporânea, não-ficção, experiência humana

Olá, leitores.
Comprei esse livro semana passada, primeiro porque a autora é uma das minhas favoritas, já li todos os seus livros publicados e segundo por causa do tema. Se o pudesse descrever em uma palavra, seria acalentador. É interessante como aquilo que eu senti e não expressava para ninguém é universal. Humano. Tristeza, raiva, vergonha, negação e culpa acompanham o luto. Eu me vi nessas páginas, apesar das diferenças. Ele é mais curto do que eu gostaria. O li em um dia. Obrigada, Chimamanda ❤️.

Escrito após a morte do pai de Chimamanda Ngozi Adichie em junho de 2020, durante a pandemia de covid-19 que mantinha distante a família Adichie, Notas sobre o luto é um poderoso relato sobre a imensurável dor da perda e as lembranças e resiliência trazidas por ela. Consciente de ser uma entre milhões de pessoas sofrendo naquele momento, a autora se debruça não só sobre as dimensões familiares e culturais do luto, mas também sobre a solidão e a raiva inerentes a ele. Com uma linguagem precisa e detalhes devastadores em cada capítulo, Chimamanda junta a própria experiência com a morte de seu pai às lembranças da vida de um homem forte e honrado, sobrevivente da Guerra de Biafra, professor de longa carreira, marido leal e pai exemplar. Em poucas páginas, Notas sobre o luto é um livro imprescindível, que nos conecta com o mundo atual e investiga uma das experiências mais universais do ser humano. “Era tão próxima do meu pai que sabia sem querer saber, sem saber inteiramente o que sabia. Uma coisa dessas, temida durante tanto tempo, finalmente chega, e na avalanche de emoções vem também um alívio amargo e insuportável. Esse alívio se torna uma forma de agressão, e traz consigo pensamentos estranhamente insistentes. Inimigos, atenção: o pior aconteceu. Meu pai se foi. Minha loucura agora vai se revelar.”

Beijos e até mais 📚

#notassobreoluto #biografia #naoficcao #autorasnegras

Texto originalmente publicado em Umapaixaochamadalivrosblog

Livro: No seu pescoço – Chimamanda Ngozi Adichie.

Por: umapaixaochamadalivrosblog

Fonte: Umapaixaochamadalivrosblog | Publicado em: 2020-07-13 23:19

colonialismo, imigração, desigualdade racial, feminismo, cultura nigeriana, contos

Boa noite leitores,
Esta foi uma #leitura em #ebook rápida e fascinante. Eu já conhecia o trabalho da autora, de quem sou fã, mas fui surpreendida com um #livro de doze contos. Até entender que eu não me aprofundaria tanto com cada personagem, pois se tratavam de histórias diferentes, levou um tempo. E adorei a experiência. São histórias especiais, características da autora, temas familiares e narrativa fluída. Meu encanto foram as histórias em 1°, 2° e 3° pessoa, a diversidade foi genial. Alguns contos me tocaram mais do que outros. O início é certeiro, com a “Cela Um”, ainda leve até “A embaixada Americana”, o conto mais forte e dolorido pra mim e o “Amanhã é tarde demais” sendo o mais catártico.
Histórias sobre colonialismo, casamentos arranjados, a supremacia norte-americana, a homofobia, o sexismo, as religiões e as culturas. Um olhar que demonstra toda a pluralidade da África e dá ênfase ao povo nigeriano, especialmente às mulheres, de diferentes idades e tribos.

Nos doze contos que compõem o volume, encontramos a sensibilidade da autora voltada para a temática da imigração, da desigualdade racial, dos conflitos religiosos e das relações familiares. Combinando técnicas da narrativa convencional com experimentalismo, como no conto que dá nome ao livro — escrito em segunda pessoa —, Adichie parte da perspectiva do indivíduo para atingir o universal que há em cada um de nós e, com isso, proporciona a seus leitores a experiência da empatia, bem escassa em nossos tempos.

#noseupescoco #chimamandangoziadichie #companhiadasletras #2017 #conto #notacinco #leitora #lendo #dicasdelivros #leiamulheres #leiaautoresnegros.

Beijos e até a próxima 📚🧡.

Texto originalmente publicado em Umapaixaochamadalivrosblog

Livro: Cidadã de segunda classe – Buchi Emecheta.

Por: umapaixaochamadalivrosblog

Fonte: Umapaixaochamadalivrosblog | Publicado em: 2022-08-09 00:24

literatura nigeriana, racismo, machismo, imigração, autobiografia

Olá, leitores.
Meu estilo literário, drama, não tinha como não ser #livrosfavoritos do ano. Muito bem escrito, com uma protagonista incrível, saber que é uma #autobiografia me dilacerou um pouco. Um livro cultural, sobre ser mulher na África e ser uma mulher negra na Europa dos anos 60, não entendendo suas escolhas e paradoxalmente entendendo seu modo de pensar, ainda que diferente do modo ocidental, Adah, assim como a autora, nunca tiveram o reconhecimento que mereciam. A raiva pelo racismo e machismo que ela sofre desde o seu nascimento, o desamparo familiar, às imposições culturais e o relacionamento abusivo tornam a #leitura sensível. Seu amor incondicional aos filhos, sua força de trabalho e sua perseverança são impressionantes, mas nos remetem à injustiça disso. Desejo ler outros trabalhos da autora.

Na Nigéria dos anos 60, Adah precisa lutar contra todo tipo de opressão cultural que recai sobre as mulheres. Nesse cenário, a estratégia para conquistar uma vida mais independente para si e seus filhos é a imigração para Londres. O que ela não esperava era encontrar, em um país visto por muitos nigerianos como uma espécie de terra prometida, novos obstáculos tão desafiadores quanto os da terra natal. Além do racismo e da xenofobia que Adah até então não sabia existir, ela se depara com uma recepção nada acolhedora de seus próprios compatriotas, enfrenta a dominação do marido e a violência doméstica e aprende que, dos cidadãos de segunda classe, espera-se apenas submissão.

#buchiemecheta #cidadãdesegundaclasse #leiamulheres #lendolivros #indicacaodelivros

Beijos e até mais 📚.

Texto originalmente publicado em Umapaixaochamadalivrosblog

Livro: Fique comigo – Ayobami Adebayo.

Por: umapaixaochamadalivrosblog

Fonte: Umapaixaochamadalivrosblog | Publicado em: 2021-04-10 12:21

romance dramático, ditadura nigeriana, literatura contemporânea, resenha de livro

Bom dia, leitores.
Indicação de mais uma #leitura do estilo romance dramático, que li em #ebook, um #livro curto, que demorei mais do que gostaria pra ler e me comoveu bastante. Toda a tristeza que a obra traz no decorrer da história nos ajuda a entender outras realidades. Durante a ditadura nigeriana, acompanhamos o casal protagonista que precisa enfrentar a questão familiar e a pressão para gerar descendentes, tomando medidas drásticas e conflituosas para isso. O amor vence à tudo? Como a sociedade impacta na vida de sua população? Gostei e não esperava um final feliz. O final tem uma boa surpresa, mas de forma realista e acontece o que era possível, não sonhado. Pra mim houve uma incoerência na história, mas não seria possível revelar sem entregar o enredo final. #recomendo

Para comprar: https://amzn.to/3d1SCRk

#fiquecomigo #ayobamiadebayo #harpercollins #2018 #romancenigeriano #notaquatro #literatura #dicasdelivros #amoler #literaria #livrospraler #metadeleitura #leiamulheres #leiaautoresnegros

Beijos e até a próxima 📚🧡.

Texto originalmente publicado em Umapaixaochamadalivrosblog

Livro: O perigo de uma história única – Chimamanda Ngozi Adichie.

Por: umapaixaochamadalivrosblog

Fonte: Umapaixaochamadalivrosblog | Publicado em: 2022-02-06 16:27

não ficção, diversidade cultural, narrativas, preconceito, Palestras TED

Para completar minha carteirinha de fã da autora, li esse pequeno ensaio, retirado de uma de suas palestras mais vistas no mundo.

Resumo: O que sabemos sobre outras pessoas? Como criamos a imagem que temos de cada povo? Nosso conhecimento é construído pelas histórias que escutamos, e quanto maior for o número de narrativas diversas, mais completa será nossa compreensão sobre determinado assunto. É propondo essa ideia, de diversificarmos as fontes do conhecimento e sermos cautelosos ao ouvir somente uma versão da história, que Chimamanda constrói a palestra que foi adaptada para livro. O perigo de uma história única é uma versão da primeira fala feita por Chimamanda no programa TED Talk, em 2009.

#chimamandangoziadichie #naoficcao

Texto originalmente publicado em Umapaixaochamadalivrosblog

Livro Hibisco roxo – Chimamanda Ngozi Adichie.

Por: umapaixaochamadalivrosblog

Fonte: Umapaixaochamadalivrosblog | Publicado em: 2018-09-12 21:43

literatura nigeriana, resenha literária, família, sociedade

Boa noite,

Eu queria muito ler uma obra dessa autora.

Uma #leitura sensível. A jornada familiar de Kambili, em primeira pessoa, uma garota nigeriana, oprimida e tolida de qualquer liberdade pelo pai, um homem que mistura fé, pavor e superproteção.

Conta a realidade política, educacional e social do país.

E nos mostra que amor e Deus não são sinônimos de violência e medo.

A escrita é tão fluída que torna difícil parar de ler. E os personagens cativantes são os bônus.

#hibiscoroxo #chimamandangoziadichie #companhiadasletras #2011 #ficcaonigeriana #notacinco #favorito #purplehibiscus #leitora #dicadelivros #literatura #estrangeira

Texto originalmente publicado em Umapaixaochamadalivrosblog