Paris de Marie Antoinette
Aproveitei a minha estadia por Paris para participar de forma diferente no projecto Historiquices, d'a Miúda Geek; a contemplada de Novembro foi Marie Antoinette.
Deixo desde já aqui o link para a minha opinião sobre o livro da Antonia Fraser, Marie Antoinette: A Journey, que li em 2015 aquando da última vez que tinha vindo a Paris. Ressalvo que a edição da LeYa tem menos cerca 500 páginas (sim, leram bem, quinhentas) que a versão original, que eu li - diria que, em português, é um livro que possivelmente não vale a pena.
Há poucas personagens históricas que me fascinem tanto como esta mulher, que julgo ter sido vilificada, vítima de propaganda, vítima de misoginia - uma criança que chegou acidentalmente a um lugar de extrema importância sem preparação para o assumir, que não o soube assumir. Claro que não é totalmente inocente - entre o Hameau e os quadros vestidos de camponesa, por mais que servissem para a rainha fugir da realidade e do ódio que a rodeavam, parece um bocado que Marie Antoinette gostava de "brincar aos pobres".
Já não é, lá está, a primeira vez que venho a Paris. Assim, há sítios que já vi mais do que uma vez, incluindo o Château de Versailles, que já tinha visitado em Janeiro de 2010 e Julho de 2015 (as fotos abaixo são da última visita).
Aproveitei para outras visitas a espaços mais e menos conhecidos relacionados com Marie Antoinette - nomeadamente lugares mais relacionados com a Revolução Francesa, e a morte da família real. Muitos dos sítios mencionados no livro, na verdade, já não existem - tais como o Palais des Tuileries ou a Tour du Temple -, mas outros ainda é possível ver e visitar.
O Palais des Tuileries foi o local onde a família real se instalou depois da Revolução, tendo vivido aqui depois de Versailles. O Palais foi incendiado pela Commune de Paris em 1871, mas os Jardins des Tuileries continuam a ser dos meus locais favoritos da cidade.
A Conciergerie é a prisão na qual Marie Antoinette passou os últimos dias da sua vida, em condições, ainda assim, superiores às dos outros prisioneiros. A visita à Conciergerie é, hoje, muito baseada em tecnologia: pagando o bilhete, podemos ver as cozinhas e o salão daquele que foi um dia um castelo (o Palais de la Cité, residência medieval das famílias reais francesas) - com um tablet, pago à parte, é possível ver imagens de como seria antigamente o aspecto das salas. Da mesma maneira, o "percurso revolucionário" mostra ao visitante comum várias coisas interessantes, como algumas celas, uma sala forrada de nomes de pessoas que morreram na Revolução, etc - mas só quem tem o dito tablet pode ver como seria a cela de Marie Antoinette. Contentei-me com alguns dos seus objectos pessoais e a capela dedicada ao casal real. Outras prisioneiras célebres: Madame Élisabeth e Madame du Barry.
A Place de la Concorde (outrora Place de la Revolution), onde Marie Antoinette foi decapitada em Outubro de 1793 (tal como o seu marido fora, em Janeiro), é um ponto incontornável, entre o Jardin des Tuileries e os Champs Elysées.
Marie Antoinette foi posteriormente enterrada no cemitério da Madeleine, numa campa sem nome, como tinha sido o seu marido. Em 1815, Louis XVIII, irmão de Louis XVI, aclamado rei na Restauração Bourbon, mandou exumar os corpos para os enterrar na Basilique de St. Denis, onde estão os restos mortais de quase todos os reis de França e muitos membros da realeza, desde Clovis I (que morreu em 511). A Basilique é, já agora, mais antiga que Portugal - a sua construção terminou em 1144. Na cripta Bourbon estão os túmulos finais de Marie Antoinette, Louis XVI e o coração do seu filho, considerado Louis XVII, bem como outros membros da família real que faleceram entre 1815 e 1830. Existe também um monumento fúnebre ao casal, de 1830.
Por último, a Chapelle Expiatoire, consagrada em 1826, mandada construir por Louis XVIII e pela Duchesse d'Angoulême (Marie Thérèse, filha mais velha de Louis XVI) no local onde era o Cemitério da Madeleine, é um monumento de homenagem a Louis XVI, Marie Antoinette e os guardas suíços que morreram para defender a família real no Palais des Tuileries. Em 1871, a Commune de Paris queria mandar abaixo esta Capela, mas não aconteceu.
Outras informações relevantes: indo primeiro à Chapelle Expiatoire, recebe-se um "Pass Marie-Antoinette" que dá 20% de desconto noutros monumentos relacionados com ela; eu mencionei à rapariga da bilheteira que já tinha ido à Conciergerie (que visitei juntamente com a Sainte-Chapelle), e não sei se é por isso que o meu veio já carimbado na Chapelle Expiatoire e na Conciergerie. Os outros dois monumentos são a Basilique de St. Denis (que fica no meio do ghetto mas vale imenso a visita) e o Château de Rambouillet, ao qual não terei tempo para ir. Creio também que quem tem 25 anos ou menos e é nacional/residente permanente da União Europeia não paga para entrar em nenhum dos locais acima, mas esse barco já zarpou e não consigo confirmar o preçário de todos... O busto da foto principal pode ser visto no Musée Cognacq-Jay, que é grátis para toda a gente.