Boa noite.

 

Hoje não surge aqui "apenas" mais uma publicação.

Hoje, apresenta-se um primeiro olhar relativo ao filme Hamnet, a estrear em breve nos cinemas em Portugal. Um filme literário e com natureza.

 

Apresenta-se a primeira lista de autores premiados cujo trabalho será incluído na e-Antologia Natureza 2025-2026.

 

Todavia, antes fica a informação que será encontrado outro endereço para este blog, porque infelizmente a plataforma SAPO será descontinuada no dia 30 de Junho de 2026. Situação que muito desagrada, mas que não se pode evitar... Será aqui partilhado o novo endereço, logo que possível.

 

Hamnet: intimista e poderoso, sim.

 

Parte I

 

Hamnet é um filme tributo à mãe natureza e ao amor que a move. E, todavia, no reverso desse seu amor conhecemos a mão firme, por vezes incompreensível e aparentemente cruel que nos encaminha para paisagens de vida e morte, esperança e humildade.
O trabalho da realizadora Chloé Zhao, e dos produtores Steven Spielberg e Sam Mendes, revela que estes não sucumbiram ao peso da responsabilidade de realizar algo sobre a suposta vida de William Shakespeare.

A cena primordial é ela própria tal qual um baú que esconde um tesouro, uma simbologia. A câmara desce suavemente, lentamente, respeitando o ritmo da natureza, a cadência leve das folhas de faia, tais quais pequenos pedaços de papel verde, recortados pelos ventos, como que à espera de alguém que nelas escreva histórias de encantamento. Ao primeiro olhar e ao encarar a dupla copa podemos imaginar duas faias próximas, mas, surpresa, quando a lente se aproxima do chão revela-nos que, afinal, são dois troncos vindos da exata mesma raiz.
Afinal, tal qual o par amoroso desta tragédia-romântica-com-esperança: Agnes (Jessie Buckley) e William Shakespeare (Paul Mascal), ambas as copas são apenas uma; suportam-se uma à outra. Podemos mesmo imaginar, crer, que a ausência de uma delas significaria o desequilíbrio de toda aquela estrutura natural: a árvore tombaria com se procurasse na terra os restos do seu próprio “par”.
Mas lá, ali mesmo, no chão está Agnes; enrolada como uma criança no ventre materno, envolta em placenta vermelha, uma semente por nascer. Dormira por ali, por um tempo indefinido, ignoto, e cujo questionar esquecemos quando deparamos com o seu olhar, acompanhando nos céus o seu falcão. O seu vestido é de um vermelho que a nossa memória poderá associar à cor do sangue e à massa argilosa, molhada e fresca. Como um dos pedaços de carne que dá ao falcão que ela chama com um silvo maternal e lhe obedece, pousando na sua mão. A heroína do filme conhece a floresta intimamente, identifica as plantas e usa-as para curar, temperar, amar: encanta o herói, a quem trata por Will, diminutivo de William. E Will, em inglês também remete para futuro, para ação, tomada de decisão resoluta.
Não estamos perante um filme trivial.

 

 

HAMNET - Trailer Oficial Legendado PT

 

Primeira lista de autores também incluídos na e-Antologia Natureza 2025-2026.

 

Davi Cesar (Brasil)
Poema: Elegia ao Atlântico Exótico
 
Cláudio Malheiro (Portugal)
Conto: O Coração de Pedra e Raiz
Poema: Filhos da Terra
 
Bárbara Stewart (Brasil/Irlanda)
Conto: Sapatos de sonhos
 
Luiz Reis (Brasil)
Conto: Singularidade
 
Jeferson dos Santos (Brasil)
Poema: DIVINA NATUREZA HUMANA - Sir Jey Litterattus -
 
Luisa Irulegui (Brasil)
Conto: Oásis
 
José Campos (Brasil)
Conto: A MÁQUINA DE MORAR
 
Leticia Torres (Brasil)
Poema: Se eu fosse um lugar
 
Caio Quinderé (Brasil)
Conto: Sonho de rio
 
 
Izabella Pinho (Brasil)
Poema: RONALDO
 
Ana Prates (Brasil)
Poema: O DESPERTAR DA ALMA
 
Katia Paiva (Brasil)
Poema: Poema para adiar o fim do mundo
 
RENATO DE BARROS (Brasil)
Poema: Os filhos cegos da Mãe Gaia
 
Rita Silva (Brasil)
Conto: Raízes Espelhadas na Natureza
 
Gil Santos (Portugal)
Conto: O gato do stand
 
Oliveira Caruso (Brasil)
Conto: Epitáfio
 
PAULO CARUSO (Brasil)
Poema: Tuas jabuticabas maduras
 
ELISA CABRAL (Brasil)
Poema: A PRECE DE UM ARTISTA
 
Iteuane Casagrande (Brasil/Alemanha)
Poema: Família
 
Fernanda Maite (Brasil)
Poema: a geologia tem a ver com a poesia
 
Maria Cardoso (Brasil)
Poema: Foram os peixes a inaugurar a linguagem
 
Rozangela Nogueira (Brasil)
Poema: Maior que a Vida
 
Jane de Souza (Brasil)
Poema: CICLO DE VOCÊ
 
Rosana Schumaher (Brasil)
Conto: Um Encontro com o Passado
 
Rosemeire Curilla (Brasil)
Poema: SIMBIOSE AMOROSA
 
Guilherme Fischer (Brasil)
Poema: Minério
 
Rodrigo Deus (Brasil)
Poema: Patinhas
Conto: A companhia que cura
 
Charles Silva (Brasil)
Conto: CADÊ O LOBO QUE ESTAVA AQUI?
 
ORNELLA ESCRITORA (Brasil)
Conto: Natureza: elo da vida
 
Sofia de Oliveira (Brasil)
Poema: Talvez ele tenha virado baleia
 
David Ehrlich (Brasil)
Conto: Nossa Parte
 
José Moreira (Portugal)
Conto: Natureza e comportamento humano
Poema: Natureza e comportamento humano
 
Denise da Silva (Brasil)
Poema: Elegia da Terra em Chamas
 
Djany de Carvalho (Brasil)
Poema: NOSSA NATUREZA
 
João Roque (Portugal)
Conto: O senhor Bento e o Amendoim
Poema: Pintura e poesia
 
Tomás Mendes (Portugal)
Poemas: Caminho Passado
 
Evandro da Silva (Brasil)
Poema: NÃO MATEM AS NOSSAS BALEIAS
 
Luís Amorim (Portugal)
Conto: Floresta encantada
 
João Strozzi (Brasil)
Conto: Margarete e Eu
 
Romãzinha Maria (Portugal)
Conto: Coração Esquecido
Poema: É urgente escutar a Terra
 
Amauri Martins (Brasil)
Conto: O amor não tem classe social
 
Lara Almeida (Portugal)
Conto: Salvador
 
Smith dos Santos Brasil
Conto: O balde
Poema: Pérfidia
 
Elaine Castro (Brasil)
Poema: Cordel da Natureza Des-Humana
 
Carlos de Nicola (Brasil)
Poema: às vezes eu até esqueço
 
Seles Gonçalves (Brasil) 
Conto: Um novo canto
 
Mônica Viana (Brasil)
Poema: O Belo
 
Aparecido Pescador (Brasil)
Conto: DESCRIÇÃO DE UM JARDIM ENCANTADO
Poema: SOL, ALEGRIA CELESTE
 
Sheila Gois (Brasil)
Poema: IMPUREZA SOCIAL

 

Até breve.