Jennifer Saint, Electra, Minotauro, 2023
Continuando a dedicar-se às figuras femininas dos mitos e da literatura grega, Jennifer Saint desenvolveu, desta vez, a história de Electra, a jovem filha de Agaménon, que vê o pai partir para a Guerra de Tróia e, depois de tantos anos à espera do seu regresso vitorioso, assiste à sua morte às mãos de Clitemnestra.
É a história dos Atridas, uma família maldita da antiga Grécia mítica, e dos seus sucessivos crimes e vinganças, que só termina com a compaixão dos deuses para com Orestes, que vingou a morte do pai, matando a mãe.
A narrativa de Jennifer Saint fala-nos da guerra de Tróia, dos antecedentes e do final, da partida dos Aqueus, só possível depois do sacrifício da inocente Ifigénia, a jovem filha de Agamémnon, e do regresso dos Gregos após a destruição de Tróia, levando consigo as mulheres Troianas cativas.
A narrativa situa-se, assim, em três planos, pela perspectiva de três personagens femininas: Electra, que espera o regresso do seu pai, o herói, e detesta a mãe e o seu comportamento; Clitemnestra, a rainha ferida no seu coração de mãe, que vê a sua filha sacrificada pela ambição dos Aqueus e, principalmente, pelo orgulho e crueldade de Agamémnon, que aceita sacrificar a própria filha para que a armada parta para Tróia; assim, durante todos os longos anos de espera, Clitemnestra vive apenas para a vingança que prepara, aliando-se a Egisto; e há a narrativa da parte contrária da guerra, pela voz de Cassandra, a princesa Troiana, que, também por vingança divina, por ter resistido à paixão de Apolo, se vê desacreditada, ela que tendo o dom da profecia não é ouvida, pois é considerada louca, ninguém acredita no que ela diz.
Das três narradoras, Electra torna-se a principal; jovem forte e destemida vive para vingar a morte do pai; ela será a instigadora da vingança contra a mãe, ela salva o irmão Aquiles para que mais tarde ele venha cumprir a sua missão, matando a própria mãe.
Uma narrativa que prende o leitor, pela vida que confere às personagens, pelas descrições que nos inserem numa época com as suas crenças, com as suas relações entre os deuses e os humanos, com a sua divinização dos heróis, mas também com o lado menos heróico dos guerreiros, com as suas fragilidades e as suas ambições.
