Mariana M. Braga
Um texto interessante que reflete sobre a solidão de todos os seres humanos. Em um café bar, diferentes personalidades revelam suas angústias loucas por encontrar um ouvido para escutá-las. O texto propõe que é a escuta que faz o amor e a não-escuta que o faz acabar.
Na entrada do café, há um espelho: a moldura de um quadro, que coloca o rosto dos atores de frente para a plateia. É como se o espelho tivesse ouvidos. O que mais me chamou a atenção nessa peça foi essa característica cênica. O que pensamos quando estamos diante de um espelho? Ele revela o que somos ou o que tentamos esconder? O que somos ou o que gostaríamos de ser?
Se a peça lança essa questão interessante, a montagem deixa um pouco a desejar por alguns detalhes. Alguns personagens possuem tiques clichês, com textos memorizados que às vezes parecem não ser sentidos, só gravados. Mas isso é apenas técnica. A intenção foi ótima e a dedicação está estampada na cara de cada ator.
Dentre eles, Berto Costa faz uma direção hiper-realista e uma personagem feminina difícil de dizer que é interpretada por um homem. Os que se destacam são Fabio Costa, Paulo Chierentini e Guilherme Zanin. Este faz uma velha cômica, mas não exagerada. Paulo apresenta uma ótima expressão corporal e Fabio faz um excelente garçom de essência tragicômica. É ele quem dá o discurso “final” que depois dá lugar a uma segunda opção de final, mais alegre. Apesar de a opção de deixar o público chegar a suas conclusões sozinho ser mais interessante, as palavras finais foram bonitas e bem lançadas pelo ator, junto com a reflexão: somos uma sociedade que não busca psicoterapeutas para curar doenças, mas simplesmente para ser ouvida.
Elenco: Berto Costa, Daiane Carneiro, Fábio Costa, Gabriela Fernandes, Guilherme Zanin, Ike Rocha, Paulo Chierentini e Yasmin Gregorini.
Iluminação: Régis Waechter.
Sonoplastia: Mateus Kbrito.
Equipe de Apoio: Jéssica Lorena.
Ainda tem amanhã às 23h e quarta às 14h no Teatro Cultura (Lago da Ordem)
