Hoje, partilho convosco esta poesia que escrevi há algum tempo, mas que poderia ter sido escrita hoje. É um desabafo... num dia em que me sinto um pouco incompreendida. Uma forma de mostrar que o caminho que escolhemos, apesar das dificuldades, se torna muitas vezes no caminho certo e que não devemos desistir mesmo que a esquina seja escura e as opções não sejam animadoras. 

Tantas vezes este é um caminho solitário, incompreendido. Só nosso.

Esta dor que é só minha

Um lamento baixinho

No silêncio do meu quarto,

Choro já pouco, que o caminho

É só meu, não o reparto.

Parece um sorriso aquilo

Que coloco no meu rosto

Saio de casa tranquilo

A dor está cá não a mostro.

Sigo em passos constantes,

Doloridos, hesitante,

Sou eu quem manda, não és tu!

Dói, mas sem ser pedante

Ergo a cabeça, embirrante

Sou mais forte do que tu!

Esta dor que é só minha

Não define quem eu sou

Nem presto conta à vizinha

Das noites que passo sozinha

À janela, a ver quem passou.

Esta dor que me impede

De ser totalmente quem quis

É a vencê-la que me impele

A cada dia ser mais feliz!

O que fui já se acabou,

Outra vida, construí

Agora aquele que sou

É sobre o vencer da dor

Que a caminhar consegui.

Elsa Filipe, 2024