Santo Agostinho, o autor de As Confissões, nos legou uma belíssima compreensão de parte da nossa natureza. Nós seres humanos temos diversos “amores”. Amamos nossa família, nosso casa, nosso cachorrinho, nosso trabalho, nossos livros. Cada um desses amores ocupa certo espaço e relevância e não há problema algum com isso, desde que cada um deles esteja no seu devido lugar.
Assim, numa situação extrema em que sua casa começa a pegar fogo, você não vai cometer a loucura de priorizar seus livros enquanto sua família dorme tranquilamente no andar de cima.
Parece uma anedota tranquila, fácil de compreender, mas que ainda assim pode despertar dúvidas nos mais céticos. Eu sei porque já fui um ateu de boteco e tinha minhas desconfianças de tudo que vinha de qualquer santo. “Quem vai eleger a prioridade”, pensaria…
Deus e a vida.
Primeiro, acima da sua própria vida, Deus. Depois, logo em seguida, a vida de seu irmão. Isso motiva, por exemplo, um mártir. Capaz de sacrificar-se pela fé em Deus, afinal, é o amor maior, primeiro na ordem dos amores.
Claro que isso não significa que, por estar em segundo na ordem, devo matar meu irmão porque ele não acredita ou até ofende o meu Deus. Deus é amor e misericórdia e a salvação é individual. A vida é um bem maior a ser preservado quando posto nesta ordem comparativa.
Bem mais pra cá no curso da história nasceu o Comunismo. Uma ideologia que pregava (descrevia, mas parece mesmo uma pregação) um conflito entre classes a ser resolvido na base da violência. Eu não estou exagerando.
Qualquer um com papo suave, dizendo que o comunismo é tranquilo, ou é ignorante ou está mentindo. Está no manifesto comunista, lá no final, bem antes da proclamação de união para os proletários do mundo: “Proclamam abertamente que seus objetivos só podem ser alcançados pela derrubada violenta de toda a ordem social existente”.
O comunismo espalhou-se pelo mundo. De tal modo que hoje muitos declaram-se comunista com toda tranquilidade, mesmo diante de todos os horrores que essa ideologia já causou.
Voltando pra Agostinho, podemos olhar para nossos amigos engajados, declarados comunistas muitos deles.
Quando comemoraram a morte de Charlie Kirk ou relativizam, nada estão fazendo além da aplicação óbvia de seus ideais, de suas ideologias. Eles amam tanto a causa, com tanto vigor, que colocam estas ideias acima da vida humana. Alguém com um microfone contradizendo os princípios básicos de minha ideologia é um perigo. “Agrediram o meu Deus e por isso preciso matá-los!”
Os amores estão desordenados.
Em nome da ideologia famílias são despedaçadas, amizades destruídas, vidas são ceifadas. A casa começa a pegar fogo e deixamos os parentes no andar de cima enquanto corremos desesperados com os livros.
Uma ideologia não deveria ser o seu amor maior, seu topo de prioridades e defesa. Um ideologia, por mais importante que ela seja, por mais que você acredite firmemente que ela mudará o mundo para muito melhor, ainda é apenas uma ideologia e não há nenhuma que possa ser mais importante que uma vida humana. Seja de quem for.
Já dissemos que é uma escala individual mas também comparativa e se qualquer indivíduo ameaçar minha vida ou dos que amo, a ordem dos amores também me impulsionará na defesa e resposta. Mas até que algo violento aconteça, enquanto forem só palavras, a vida será preservada. Enquanto as pessoas festejavam um assassinato em sua mais perfeita faculdade mental, nenhum cristão em sã consciência sairá por aí matando qualquer comediante clichê falando mal de Jesus.
Continuo reafirmando: palavras são só palavras!
Você acha isso absurdo? Pois eu acho apenas ordenado.
