Juntando as palavras – Manifesto: refletindo sobre a causa e efeito
Manifesto: refletindo sobre a causa e efeito
Diante das manifestações populares das últimas semanas, também resolvi fazer meu manifesto, de forma pacífica e confortável sem sair de casa. Para isso a primeira coisa que fiz foi tentar me recordar como tudo começou e em seguida tentar entender como se tornou esse movimento tão grande.
Acredito que tudo começou em nossa cidade e digo que as primeiras manifestações em Porto Alegre, ainda em virtude do aumento na passagem de ônibus, me assustaram um pouco, mas quando veio o resultado da liminar que não permitiu o acréscimo no valor da tarifa, percebi a importância daquela mobilização. Passado alguns meses, outras capitais brasileiras passaram por reajuste no valor das tarifas de ônibus e a exemplo de Porto Alegre também fizeram suas manifestações, com maior grau de violência, seja por parte de alguns manifestantes ou da polícia militar. Com o início da Copa das Confederações, veio à tona o tema dos altos investimentos federais em infraestrutura para a Copa de 2014, a partir daí saúde, educação, economia também passaram a integrar a causa, foi o início do movimento nacional.
No último dia 20/06 eu estava fora do escritório dando um treinamento que se estenderia até as 18h00min. Durante à tarde recebi um recado de que os funcionários do escritório estariam liberados em virtude das manifestações. Perguntei à turma o que faríamos, avaliamos o trajeto de cada um, uma participante achou prudente ir embora, os demais permaneceram e decidimos concluir o curso na carga horária programada, pois chovia forte naquela tarde e achamos que não haveria tanto movimento nas passeatas. Resultado: fiquei uma hora e meia no trânsito.
Ao chegar em casa fiquei surpresa com as imagens da televisão, tanta gente na rua, no frio, na chuva, erguendo seus cartazes, faixas, cantando. Claro que há grupos que se aproveitam disso, depredam, picham, saqueiam, mas isso não faz parte do movimento e não o representa.
Relembrando como tudo começou e refletindo sobre sua amplitude, finalmente vou manifestar o que penso. Confesso que até a última quinta-feira não acreditava nesta mobilização popular, mas percebi que estas pessoas realmente querem mudanças, aliás, acredito que a maioria dos cidadãos brasileiros querem mudanças, e incluo aqueles que como eu não deixaram seus compromissos, suas casas, suas famílias, para ir pra rua.
O que me inquieta é a dúvida sobre o que vai acontecer depois? Qual será o efeito da causa? Quando ouço que esta é a maior mobilização popular desde o “Fora Collor”, sabendo que elle está no senado federal sendo sustentado por todos nós, fico descrente. Sei que dos poucos que se darão ao trabalho de ler estas poucas linhas que escrevi não votaram nele, mas me pergunto como permitimos que esse cara voltasse?
Acredito que o que essa mobilização vai nos deixar como lição é que devemos mudar nossa postura passiva, pois temos que dar trabalho aos excelentíssimos senhores e senhoras que elegemos, temos que vigiar o que eles fazem, temos que ser críticos com as soluções propostas principalmente em anos que antecedem as eleições, pois estamos nos acostumando com a ideia da reeleição.
E aos amigos pacientes que leram até aqui, colabore com sua opinião, discorde de mim, concorde comigo. Faça também seu manifesto, mesmo que protegido do frio e da chuva no conforto da sua casa.
Letícia Portella
23 de junho de 2013.