Luana Rodrigues

Créditos da imagem: Claude Cahun, Autoportrait, de 1929. Coleção Neuflize Vie, foto de André Morin

No último texto publicado por mim aqui no blog, fiz um balanço do meu percurso investigativo na iniciação científica. Recentemente, me candidatei ao mestrado, motivada pelo desejo de aprofundar e ampliar as reflexões que surgiram com a pesquisa desenvolvida ainda durante a graduação, que mapeou a presença da escritora brasileira Natalia Timerman a fim de pensar as interações entre suas obras e sua performance pública. Meu novo projeto quer continuar a pensar como a presença pública do autor nas redes sociais e o engajamento político em questões atuais atuam para a construção e a consolidação de uma carreira literária. O autor estudado nesta etapa é o francês Édouard Louis.

No meu anteprojeto de mestrado propus uma análise da construção da identidade autoral de Louis, entendendo-a como uma articulação complexa entre sua obra literária, sua trajetória pessoal e sua performance pública. A escolha desse autor se justifica pela forma como ele mobiliza elementos autobiográficos, não apenas como matéria literária, mas como estratégia discursiva e política. Louis é um autor cuja obra e figura pública se constroem de maneira entrelaçada, borrando os limites entre literatura, ativismo e presença midiática, dinâmica que se insere diretamente nas discussões que venho desenvolvendo desde minha pesquisa inicial.

A proposta de análise se debruça sobre alguns dos romances centrais da obra de Louis, tais como, En finir avec Eddy Bellegueule, Histoire de la violence, Qui a tué mon père e Monique s’évade, com o intuito de investigar como o autor articula elementos de sua experiência pessoal para construir uma narrativa que ultrapassa o individual, inscrevendo-se no campo da crítica social. Nesse estudo também pretendo considerar sua presença ativa nas redes sociais, em especial no Instagram, como parte constitutiva dessa construção autoral, onde sua imagem é cuidadosamente elaborada para dialogar com questões políticas e afetivas que atravessam sua literatura.

Nesse sentido, o mestrado representa para mim não apenas uma continuação do percurso que construindo como pesquisadora, mas também uma oportunidade de amadurecimento intelectual e metodológico. A ampliação do escopo analítico e a complexificação teórica, agora voltadas para um autor de projeção internacional como Édouard Louis, me permitem colocar em perspectiva comparada questões que já me mobilizam: as transformações do campo literário, a virtualização da figura do escritor e as novas possibilidades de performance autoral no século XXI.

Assim, o que começou como uma inquietação acerca das interações entre escritores e redes sociais tornou-se, hoje, um campo de pesquisa que me instiga profundamente. Ao lançar esse novo olhar sobre a literatura e seus modos de existência pública, espero contribuir para o debate sobre autoria contemporânea, levando em consideração as tensões entre mercado, subjetividade, engajamento político e novas formas de legitimação no campo literário.