Se eu pudesse, estes dias seriam tão diferentes. Desabafo aqui a minha dor que me tolhe a alma e que me impede de ir mais além. Querer, é tão diferente de poder, de conseguir. Mas não desisto...

Imaginária

Imaginando que era

Apenas um preguiçar

Um pretender

E não querer

Uma vontade de espreguiçar…

A dor que vem sorrateira

Não me devia impedir

De dançar a noite inteira

De trepar a uma figueira

E para a vida sorrir.

Imaginando que seria

Apenas dor d’imaginação

Nunca me impediria

De saltar com alegria

Num desfile trapalhão.

A dor que vem de mansinho

Se fosse mentira só

Esquecida seria certinho

Se me pusesse a caminho

Para dançar sem dó.

Imaginando que era de mim

A minha cabeça louca

Que ficava apenas assim

Sem querer nem não nem sim

Então a dor seria pouca?

É na loucura que eu quero

Dia e noite perceber

Se amanhã o que eu espero

É enfim meu desespero

Ou igual a hoje ser?

Elsa Filipe, fevereiro de 2023